Capítulo 12

602 Words
O shopping estava cheio, barulhento, cheio de gente indo e vindo com sacolas nas mãos. Olívia já estava cansada antes mesmo de começar. — Eu odeio comprar roupa — ela resmungou, olhando as vitrines. Felipe caminhava ao lado dela com uma calma irritante. — Você disse isso como se fosse uma missão impossível. — Porque é — ela respondeu, séria. — Principalmente quando eu não tenho ideia do que comprar. Ele riu baixo. — Relaxa. É só uma viagem pra fazenda, não um evento de gala. — Na minha família tudo vira evento de gala — ela retrucou. Eles entraram em uma loja de roupas mais simples, voltada para estilo rural e confortável. Assim que a vendedora se aproximou, Olívia já foi direta: — Eu preciso de roupas de fazenda. A mulher sorriu. — Claro, temos botas, jeans, camisas… Felipe cruzou os braços, observando. — Você nunca veio pra um lugar assim? Olívia olhou ao redor. — Não com intenção de comprar. — Interessante — ele comentou. Ela pegou uma calça jeans e olhou. — Isso aqui já vai ser um choque pra mim. Felipe segurou uma bota de couro e levantou. — Isso aqui é obrigatório. — Não combina comigo. — Combina sim — ele disse, natural. Olívia estreitou os olhos. — Desde quando você virou especialista em moda de fazenda? — Desde agora. Ela riu. — Você tá muito confiante pra quem vai ter que abandonar ternos caros. — Eu já estou sofrendo por dentro — ele respondeu dramático. Ela riu mais ainda. — Mentiroso. A vendedora saiu por um momento, deixando os dois sozinhos entre as araras de roupa. Olívia suspirou. — Eu não acredito que tô fazendo isso. — Tá ficando mais divertido do que você admite — ele comentou. — Não tá não. — Tá sim. Ela olhou pra ele, cruzando os braços. — Você tá se divertindo demais com isso. Felipe deu um passo mais perto. — Talvez porque você fica mais leve assim. Olívia ficou em silêncio por um segundo. Depois desviou o olhar, tentando ignorar o comentário. — Para de falar essas coisas. — Que coisas? — Essas coisas… que me fazem rir. Ele sorriu de lado. — Problema seu. Ela jogou uma camisa nele. — Vai escolher roupa, boiadeiro. Ele pegou a camisa e riu. — Sim, senhora. Enquanto experimentavam peças, a tensão entre eles ia ficando mais leve… mais natural. Em um dos provadores, Olívia saiu com uma camisa xadrez e jeans, olhando para o espelho. — Isso aqui tá muito estranho em mim. Felipe se encostou na parede, observando. — Não tá estranho. — Tá sim. — Tá bonito. Ela virou o rosto rapidamente pra ele. — Você fala isso de tudo. — Não. Pausa. — Só do que realmente é. Silêncio curto. Olívia voltou o olhar pro espelho, tentando disfarçar o pequeno impacto da frase. — Você fala demais às vezes, sabia? — E você foge demais. Ela virou pra ele de novo. — Eu não fujo. Ele ergueu uma sobrancelha. — Não? Ela abriu a boca pra responder… mas desistiu. — Tá… talvez um pouco. Ele riu. — Evolução. Ela revirou os olhos, mas estava sorrindo. Mais tarde, já com várias sacolas, os dois saíram da loja. — Isso foi mais cansativo do que meu expediente no restaurante — ela disse. — E mais divertido também — ele respondeu. Ela olhou pra ele de lado. — Você tá ficando muito confortável nesse papel de marido. Ele sorriu. — Você também. Ela ficou em silêncio por um instante. Porque ele tinha razão. E isso era o mais perigoso de tudo.
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