O shopping estava cheio, barulhento, cheio de gente indo e vindo com sacolas nas mãos.
Olívia já estava cansada antes mesmo de começar.
— Eu odeio comprar roupa — ela resmungou, olhando as vitrines.
Felipe caminhava ao lado dela com uma calma irritante.
— Você disse isso como se fosse uma missão impossível.
— Porque é — ela respondeu, séria. — Principalmente quando eu não tenho ideia do que comprar.
Ele riu baixo.
— Relaxa. É só uma viagem pra fazenda, não um evento de gala.
— Na minha família tudo vira evento de gala — ela retrucou.
Eles entraram em uma loja de roupas mais simples, voltada para estilo rural e confortável.
Assim que a vendedora se aproximou, Olívia já foi direta:
— Eu preciso de roupas de fazenda.
A mulher sorriu.
— Claro, temos botas, jeans, camisas…
Felipe cruzou os braços, observando.
— Você nunca veio pra um lugar assim?
Olívia olhou ao redor.
— Não com intenção de comprar.
— Interessante — ele comentou.
Ela pegou uma calça jeans e olhou.
— Isso aqui já vai ser um choque pra mim.
Felipe segurou uma bota de couro e levantou.
— Isso aqui é obrigatório.
— Não combina comigo.
— Combina sim — ele disse, natural.
Olívia estreitou os olhos.
— Desde quando você virou especialista em moda de fazenda?
— Desde agora.
Ela riu.
— Você tá muito confiante pra quem vai ter que abandonar ternos caros.
— Eu já estou sofrendo por dentro — ele respondeu dramático.
Ela riu mais ainda.
— Mentiroso.
A vendedora saiu por um momento, deixando os dois sozinhos entre as araras de roupa.
Olívia suspirou.
— Eu não acredito que tô fazendo isso.
— Tá ficando mais divertido do que você admite — ele comentou.
— Não tá não.
— Tá sim.
Ela olhou pra ele, cruzando os braços.
— Você tá se divertindo demais com isso.
Felipe deu um passo mais perto.
— Talvez porque você fica mais leve assim.
Olívia ficou em silêncio por um segundo.
Depois desviou o olhar, tentando ignorar o comentário.
— Para de falar essas coisas.
— Que coisas?
— Essas coisas… que me fazem rir.
Ele sorriu de lado.
— Problema seu.
Ela jogou uma camisa nele.
— Vai escolher roupa, boiadeiro.
Ele pegou a camisa e riu.
— Sim, senhora.
Enquanto experimentavam peças, a tensão entre eles ia ficando mais leve… mais natural.
Em um dos provadores, Olívia saiu com uma camisa xadrez e jeans, olhando para o espelho.
— Isso aqui tá muito estranho em mim.
Felipe se encostou na parede, observando.
— Não tá estranho.
— Tá sim.
— Tá bonito.
Ela virou o rosto rapidamente pra ele.
— Você fala isso de tudo.
— Não.
Pausa.
— Só do que realmente é.
Silêncio curto.
Olívia voltou o olhar pro espelho, tentando disfarçar o pequeno impacto da frase.
— Você fala demais às vezes, sabia?
— E você foge demais.
Ela virou pra ele de novo.
— Eu não fujo.
Ele ergueu uma sobrancelha.
— Não?
Ela abriu a boca pra responder… mas desistiu.
— Tá… talvez um pouco.
Ele riu.
— Evolução.
Ela revirou os olhos, mas estava sorrindo.
Mais tarde, já com várias sacolas, os dois saíram da loja.
— Isso foi mais cansativo do que meu expediente no restaurante — ela disse.
— E mais divertido também — ele respondeu.
Ela olhou pra ele de lado.
— Você tá ficando muito confortável nesse papel de marido.
Ele sorriu.
— Você também.
Ela ficou em silêncio por um instante.
Porque ele tinha razão.
E isso era o mais perigoso de tudo.