A manhã chegou suave na pousada.
A luz atravessava a cortina fina, espalhando um tom quente pelo quarto.
E, como já estava se tornando um problema silencioso entre eles… Olívia acordou grudada nele.
De novo.
A cabeça dela estava apoiada no peito de Felipe, ouvindo a respiração calma dele como se fosse algo natural.
Um dos braços dele envolvia as costas dela com cuidado, como se tivesse se acostumado a protegê-la até dormindo.
A outra mão dela estava por baixo da camisa dele, encostada nas costas, em um gesto inconsciente de proximidade.
As pernas estavam levemente entrelaçadas.
E o silêncio ali não era desconfortável.
Era… estranho.
Demasiado confortável.
Olívia se mexeu devagar, sentindo o perfume dele mais forte naquela proximidade.
Abriu os olhos aos poucos.
E percebeu.
Estavam muito perto.
Perto demais.
Mas, diferente da primeira vez, ela não se afastou de imediato.
Ficou um segundo a mais.
Só sentindo.
Até que fechou os olhos de novo, como se pudesse prolongar aquilo por mais alguns instantes sem ninguém perceber.
Felipe já estava acordado.
Ele sentiu o movimento leve dela, mas não se mexeu.
Só observou.
Até que ela finalmente abriu os olhos de novo e, com calma, se afastou um pouco.
— Bom dia — ele disse, a voz baixa e rouca de sono.
— Bom dia — ela respondeu, ainda meio aérea.
Olhou pra ele e soltou um sorriso pequeno.
— Eu fiz você de ursinho de pelúcia de novo, né?
Ele riu, ainda com o braço relaxado onde ela estava antes.
— Eu tô até me acostumando com isso.
Ela riu.
— Você é bobo… desculpa.
— Nada — ele respondeu, simples. — Eu gosto disso.
Olívia parou por um segundo.
Mas não respondeu.
Porque a verdade era simples demais para ser dita em voz alta.
Ela também gostava.
Só não queria admitir.
— Vou tomar banho pra gente pegar a estrada — ela disse, tentando voltar ao normal.
— Tá. Eu vou pedir café da manhã antes.
— Tudo bem.
Minutos depois, o café chegou no quarto.
Enquanto isso, Olívia tomou banho, tentando organizar os pensamentos.
Quando saiu, já estava com um vestido leve e simples, o cabelo preso em um r**o de cavalo despretensioso.
Natural.
Sem esforço.
E ainda assim… impossível de não notar.
Felipe estava sentado à mesa, mexendo no celular, mas levantou o olhar assim que ela entrou.
E por um segundo, ele ficou em silêncio.
— O quê? — ela perguntou, desconfiada.
— Nada — ele respondeu, rápido demais.
Ela estreitou os olhos.
— Você sempre fala “nada” quando é alguma coisa.
Ele sorriu de leve.
— Vamos comer.
O café da manhã foi leve.
Sem pressa.
Sem tensão.
Só conversas pequenas, risadas curtas, e aquele tipo de silêncio que não incomoda.
Depois, Felipe tomou banho, se arrumou com roupa casual — camiseta esportiva e jeans — deixando o lado “executivo” dele completamente de lado pela primeira vez.
Quando saíram da pousada, o sol já estava mais forte.
E a estrada os esperava de novo.
Agora… rumo à fazenda.
Olívia olhou pela janela enquanto o carro começava a se mover.
Respirou fundo.
— Agora não tem mais volta… — murmurou.
Felipe, sem tirar os olhos da estrada, respondeu com calma:
— Tem sim.
Ela olhou pra ele.
— Tem?
Ele assentiu levemente.
— Mas você não vai querer.
E seguiu dirigindo.
Deixando aquela frase no ar… mais pesada do que deveria ser.