Capítulo 14

573 Words
A manhã chegou suave na pousada. A luz atravessava a cortina fina, espalhando um tom quente pelo quarto. E, como já estava se tornando um problema silencioso entre eles… Olívia acordou grudada nele. De novo. A cabeça dela estava apoiada no peito de Felipe, ouvindo a respiração calma dele como se fosse algo natural. Um dos braços dele envolvia as costas dela com cuidado, como se tivesse se acostumado a protegê-la até dormindo. A outra mão dela estava por baixo da camisa dele, encostada nas costas, em um gesto inconsciente de proximidade. As pernas estavam levemente entrelaçadas. E o silêncio ali não era desconfortável. Era… estranho. Demasiado confortável. Olívia se mexeu devagar, sentindo o perfume dele mais forte naquela proximidade. Abriu os olhos aos poucos. E percebeu. Estavam muito perto. Perto demais. Mas, diferente da primeira vez, ela não se afastou de imediato. Ficou um segundo a mais. Só sentindo. Até que fechou os olhos de novo, como se pudesse prolongar aquilo por mais alguns instantes sem ninguém perceber. Felipe já estava acordado. Ele sentiu o movimento leve dela, mas não se mexeu. Só observou. Até que ela finalmente abriu os olhos de novo e, com calma, se afastou um pouco. — Bom dia — ele disse, a voz baixa e rouca de sono. — Bom dia — ela respondeu, ainda meio aérea. Olhou pra ele e soltou um sorriso pequeno. — Eu fiz você de ursinho de pelúcia de novo, né? Ele riu, ainda com o braço relaxado onde ela estava antes. — Eu tô até me acostumando com isso. Ela riu. — Você é bobo… desculpa. — Nada — ele respondeu, simples. — Eu gosto disso. Olívia parou por um segundo. Mas não respondeu. Porque a verdade era simples demais para ser dita em voz alta. Ela também gostava. Só não queria admitir. — Vou tomar banho pra gente pegar a estrada — ela disse, tentando voltar ao normal. — Tá. Eu vou pedir café da manhã antes. — Tudo bem. Minutos depois, o café chegou no quarto. Enquanto isso, Olívia tomou banho, tentando organizar os pensamentos. Quando saiu, já estava com um vestido leve e simples, o cabelo preso em um r**o de cavalo despretensioso. Natural. Sem esforço. E ainda assim… impossível de não notar. Felipe estava sentado à mesa, mexendo no celular, mas levantou o olhar assim que ela entrou. E por um segundo, ele ficou em silêncio. — O quê? — ela perguntou, desconfiada. — Nada — ele respondeu, rápido demais. Ela estreitou os olhos. — Você sempre fala “nada” quando é alguma coisa. Ele sorriu de leve. — Vamos comer. O café da manhã foi leve. Sem pressa. Sem tensão. Só conversas pequenas, risadas curtas, e aquele tipo de silêncio que não incomoda. Depois, Felipe tomou banho, se arrumou com roupa casual — camiseta esportiva e jeans — deixando o lado “executivo” dele completamente de lado pela primeira vez. Quando saíram da pousada, o sol já estava mais forte. E a estrada os esperava de novo. Agora… rumo à fazenda. Olívia olhou pela janela enquanto o carro começava a se mover. Respirou fundo. — Agora não tem mais volta… — murmurou. Felipe, sem tirar os olhos da estrada, respondeu com calma: — Tem sim. Ela olhou pra ele. — Tem? Ele assentiu levemente. — Mas você não vai querer. E seguiu dirigindo. Deixando aquela frase no ar… mais pesada do que deveria ser.
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