Lara narrando A porta abriu e meu coração quase pulou pra fora quando vi a médica entrando com a prancheta na mão. Eu parei de respirar por um segundo. Tatinha apertou minha mão, forte, como se dissesse tô aqui, não solta. - Patroa … a essa altura eu já nem tava ligando por me chamar assim, a médica falou com um sorriso calmo, profissional demais pra quem tinha acabado de bagunçar minha vida inteira. - Seus exames de sangue confirmaram. Eu senti o ar sumir. - Confirmaram…? minha voz saiu num fio, um sussurro. Ela assentiu. -Gravidez. Bem no comecinho ainda, recente. Por isso o m*l-estar, a queda de pressão, o desmaio. Eu não consegui responder. Eu não tenho nem lagrimas mas pra chorar. Não era só medo. Era tudo misturado susto, culpa, esperança, pânico, amor nascendo sem pedir licença.

