Vanessa narrando O ódio fervia dentro de mim. Meu pai me tratou como se eu fosse qualquer uma. Como se eu não fosse filha dele, como se eu não tivesse direito de fazer o que bem entendesse. Aquele sermão na frente de todo mundo, me humilhando, apontando o dedo na minha cara? Ele acha que pode me controlar? Ele acha que vai me manter presa nesse papel de boa filha? Não mesmo. Assim que ele se trancou no escritório, eu fui direto pra outra sala, aquela que ele quase não usa mais. Se tinha alguma informação sobre o Márcio, era ali que estaria. Meus olhos varreram o espaço com pressa. Abri gavetas, chequei arquivos, revirando papéis em busca de qualquer coisa útil. Mas nada. Merda. Meu coração acelerava a cada segundo que passava ali, o medo de ser pega me fazendo trabalhar rápido.

