Russo narrando A madrugada caiu pesada, sufocante. O vento cortava as vielas do morro, mas dentro da boca o ar era denso, carregado de fumaça, cheiro de bebida e aquele barulho constante de vozes e risadas forçadas. Eu tava largado no canto, sentado numa cadeira torta, com uma garrafa de uísque barato pendurada na mão. O líquido descia queimando, mas não queimava o suficiente pra apagar o fogo que tava dentro de mim. “Ela me pegou de papo com a Helena…” Fechei os olhos com força, tentando afastar a imagem da Raquel me olhando com aquele desprezo, aquela decepção nos olhos. Eu não aguentei o olhar dela. Não aguentei ouvir a voz dela falhando, perguntando “É isso mesmo, Russo? É isso que tu quer pra gente?” Levantei a garrafa e virei mais um gole. Mas não adiantava. A raiva tava ali,

