Maurício narrando A luz fraca da lâmpada pendurada no teto balançava com o vento, jogando sombras estranhas nas paredes mofadas da casa onde eu tava me escondendo. Era uma casa de um amigo meu, o Zé, no meio de uma quebrada afastada. A gente vivia ali de qualquer jeito: mulher, droga e quentinha. Todo dia a mesma coisa. As putas vinham e iam, a bebida corria solta, e o pó tava sempre na mesa. Uma fuga barata da merda que minha vida tinha virado. Eu ainda tava todo fodido da surra que o Braddock me deu. Meu corpo doía cada vez que eu me mexia. O rosto ainda inchado, os hematomas roxos pelo corpo, e uma costela que parecia nunca sarar. Mas, mesmo assim, eu me virava. Quando tinha mulher, eu dava meu jeito. Não importava a dor, eu precisava sentir que ainda tinha algum controle, alguma dig

