Bradock narrando
Ela tinha levado o menor lá pra cima e eu fiquei ali querendo conversar e saber mais dela, de tudo o que ela passou todo esse tempo, eu só precisava ouvir mais da mel, relembrar e matar a saudade de quando éramos novos. Na verdade eu só queria estar perto dela…
Eu lembrei que eu já tinha visto ela e a mulher do russo tomando vinho, e foi a única coisa que pensei pra ver ela mais relaxada e tinha em mãos
Peguei rápido servi em duas taças e levei as parada tudo pra sala
A taça de vinho tava na minha mão, mas eu nem tinha dado um gole. Só ficava olhando pra Melissa, que tava ali do outro lado do sofá, comendo pizza e tentando disfarçar o cansaço. A expressão dela tava mais leve do que antes, mas eu sabia que por dentro ainda tinha muita coisa pesando. Não dava pra esquecer tudo de uma hora pra outra.
Enquanto ela mastigava devagar, fechando os olhos, relaxando, toda a vontade, eu tentava me concentrar no vinho. Mas não rolava. Minha cabeça tava a mil. Ver ela ali, na minha casa, tão perto, tão… vulnerável, mexia comigo de um jeito que eu não sabia explicar.
Melissa sempre foi diferente. Desde moleque, quando a gente brincava na rua, eu já olhava pra ela com outros olhos. Só que ela nunca percebeu, ou fingiu que não. E eu também nunca quis estragar as coisas entre a gente. Ela sempre foi o tipo de mulher que merece tudo, e eu sabia que minha vida era cheia demais de bagunça pra oferecer alguma coisa boa pra ela.
— Tu tá pensando em quê, Bradock? — a voz dela quebrou o silêncio.
Levantei o olhar, pego de surpresa. Ela tava me encarando com aqueles olhos grandes, curiosos, enquanto dava um gole no vinho.
— Nada não… só pensando na vida — falei, dando de ombros, tentando disfarçar.
— Na vida, é? — ela arqueou a sobrancelha, com um meio sorriso. — Tu tem cara de quem pensa pouco e age muito.
Eu ri baixo, porque ela não tava errada. Mas com ela era diferente. Com ela, eu sempre pensava demais. Pensava no que podia ter sido, no que eu queria que fosse. E agora, com ela tão perto, parecia que todos esses pensamentos antigos tinham voltado com força.
— E tu? Tá conseguindo relaxar? — perguntei, mudando de assunto.
— Tô tentando… — ela suspirou, ajeitando Noah no colo. — Mas é difícil desligar, sabe? Minha cabeça não para.
— Eu sei como é. Mas, pelo menos por hoje, tenta esquecer o resto. Aqui, tu tá segura. O moleque tá bem. Aproveita um pouco — falei, tentando deixar ela mais tranquila.
Ela deu um sorriso pequeno, mas verdadeiro, e isso já foi suficiente pra me deixar satisfeito.
Enquanto a gente comia, minha mente voltava no tempo. Lembrei da primeira vez que eu vi ela com o Maurício, de como meu peito apertou, mas eu fingi que tava tudo bem. Lembrei do dia que ela contou pra todo mundo que tava grávida. Naquela noite, eu bebi e me droguei até apagar. Acordei no chão da boca, com Russo me sacudindo e rindo da minha cara.
— Vai morrer por causa de mulher que nem sabe que tu existe assim, Bradock? — ele tinha zoado, mas ele sabia que não era só uma paixão de moleque.- bora que eu vou te levar embora enquanto a única que tu quer tá sentando em outro - ele tirou com a minha cara e eu chorei pra carwlho naquele dia
Eu vim pra cá e quebrei tudo porque eu não aceitava que ela estava feliz, não queria interferir, não queria e não tinha direito de estragar a vida dela, por ela, pelo o que eu sinto por ela. Mas não n**o que era essa a minha vontade
Mas eu enterrei tudo isso. Tentei seguir minha vida. Tive outras mulheres, claro. Algumas ficaram mais tempo, mas nenhuma teve importância de verdade. Nenhuma era ela. E agora, depois de anos, ela tava ali, na minha frente, na minha casa. Como se o universo tivesse decidido bagunçar minha cabeça de vez.
Ela foi dormir e eu fiquei ali pensando em como seria agora, o que eu ia fazer, parece que eu tinha tudo o que sempre quis em mãos, e agora eu estava surtando, porque estava ali, tudo o que eu sempre quis, ali, debaixo do meu teto, e isso me deixava nervoso
Ela subiu as escadas, e eu fiquei ali, sozinho na sala. Peguei um baseado que tava guardado no bolso e fui pra varanda. Acendi e dei a primeira tragada, sentindo a fumaça preencher meus pulmões e aliviar um pouco a tensão. A vista da minha favela era sempre a mesma, mas hoje parecia diferente. A presença dela tinha mudado alguma coisa no ar.
Eu não sabia que ela ia mexer tanto comigo só de estar perto. Achei que eu já tinha superado, que essa coisa de sentir algo por ela era coisa do passado. Mas era óbvio que não. Cada sorriso, cada palavra, cada olhar dela fazia tudo voltar com força.
— Que merda, Bradock… Tu tá fodido, irmão — murmurei pra mim mesmo, soltando a fumaça.
Fiquei ali por um tempo, olhando pro horizonte, tentando colocar os pensamentos em ordem. Mas quanto mais eu pensava, mais bagunçado tudo ficava.
Quando ela desceu, e eu a vi só pela silhueta com a minha camisa, a vontade era de entrar e tomá-la nos meus braços, mas eu não poderia fazer isso ainda, ela tá toda machucada, foi uma noite e tanta pra ela, eu não posso fazer merda se eu tenho a minha chance agora, pira que pariu, eu tenho a minha chance!
O cheiro dela ainda tava na sala, misturado com o aroma do vinho. E a imagem dela, vestida com uma das minhas camisas, era algo que eu sabia que não ia esquecer tão cedo.
Depois de um tempo, apaguei o baseado e voltei pra dentro. A casa tava silenciosa, e isso só fazia minha mente trabalhar mais. Subi as escadas devagar, passando pela porta do quarto onde ela tava. Não resisti. Abri devagar, sem fazer barulho, e olhei lá pra dentro.
Melissa tava deitada na cama, com Noah abraçado nela. Os dois dormiam tranquilos, como se o mundo lá fora não existisse. A luz da lua entrava pela janela, iluminando o rosto dela. Ela parecia tão serena, tão bonita… Meu coração acelerou, e eu tive que me segurar pra não entrar ali e ficar mais perto.
Fechei a porta devagar e fui pro meu quarto. Me joguei na cama, mas sabia que o sono não ia vir. Minha mente tava cheia demais de imagens dela, de lembranças, de desejos. Eu tava tentando ser racional, ser frio como sempre fui. Mas com ela, era impossível.
Melissa não fazia ideia do quanto ela mexia comigo. E agora, com ela aqui, era como se todas as barreiras que eu tinha construído ao longo dos anos tivessem começado a desmoronar.
Eu sabia que tava jogando com fogo. Mas, pela primeira vez na vida, eu tava disposto a me queimar.
Essa noite seria impossível, como eu ia dormir sabendo que a mulher da minha vida estava na porta ao lado?