Capítulo 12 PILOTO NARRANDO Cheguei em casa ainda chapadão da madrugada, o corpo pesado, a mente uma bagunça. A moto mäl tinha parado direito quando joguei ela na garagem e desci. Empurrei a porta pesada de madeira maciça, que rangeu levemente ao abrir. Não precisava de tranca ou vigia constante — quem se atreveria a invadir a casa do dono do morro? O sol da manhã já entrava pelas enormes janelas de vidro que davam vista para a cidade lá embaixo, um contraste absurdo com a realidade do morro ao redor. O brilho do dia novo iluminava tudo, mas na minha cabeça, tudo continuava escuro e caótico. A casa tava como sempre: organizada, brilhante, com cada detalhe gritando poder e controle. Mas pra mim, era fria e vazia. Joguei as chaves em cima do balcão da cozinha e fui direto até a geladeira

