Louisa
Os dias foram passando, eu não recebi mais nenhuma mensagem do desconhecido, mas em compensação todas as noites eu tinha um pesadelo horrível e acordava suando e ofegante, tirando as dores de cabeça quase que constantes. Mesmo com tudo isso acontecendo eu não contei nada para os meus pais ou para qualquer outra pessoa, a única coisa que meus pais sabiam era que eu tinha dores de cabeça as vezes.
_Bom dia princesa. -Disse meu pai entrando no quarto segurando uma caixa parecendo ser de alguma joalheria.
_Bom dia pai... -Me sentei na cama bocejando e me espreguiçando.
_Eu comprei uma coisa pra você... -Ele se aproximou e sentou na cama de frente pra mim.
_O que é? E por que está me dando? Meu aniversário é daqui a uma semana...
_Considere um presente adiantado. -Sorriu e me entregou a caixinha.
Quando a abri havia um colar feito de prata com um pingente em formato de coração com asas na frente, ele era realmente muito lindo, o peguei e tenho certeza que meus olhos até brilharam.
_Obrigado... Ele é lindo pai... -Disse me virando para que ele colocasse em mim. -Não tem uma câmera ou rastreador aqui não né?
_Olha, até que é uma boa ideia, acho que vou precisar pegar emprestado rapidinho e depois te devolvo.
_Pai... -Ri e o abracei.
_Agora se arruma princesa, saímos daqui a 2hr... -Ele saiu do carro para que eu pudesse me arrumar.
Praticamente todas as manhãs de sábado nós viajavamos para o norte do país até o complexo dos Vingadores visitar meus avôs e meu tio Haz, é bem estranho ter um tio pouca coisa mais velho que você, mas ele é bem legal e inteligente e o melhor de tudo, sabia a senha da oficina do meu avô.
Fui o caminha inteiro apenas ollhando a paisagem pela janela em silêncio total.
_Como está a cabeça querida? -Perguntou minha mãe olhando para mim no banco de trás.
_Ainda doendo um pouco... Por que tanta preocupação com uma simples dor de cabeça?
_E-eu me preocupo com a sua saúde filha, só isso... -Ela olhava para o meu pai um pouco nervosa.
_Tem certeza que é só por isso? Você está estranha mãe...
_Sua mãe só está um pouco cansada, não é querida? -Ele colocou a mão na coxa da minha mãe como se tentasse acalma-la.
Ela olhou para ele e deu um sorriso gentil pegando em sua mão, eu admirava o modo que eles olhavam um para o outro, dava pra ver que eles se amavam muito mesmo depois de tanto tempo juntos. Uma vez minha mãe me mostrou um álbum de fotos do casamento deles, foi no complexo e tudo estava tão bonito, eu posso jurar que o meu pai ainda olhava para ela como naquelas fotos...
Assim que chegamos ao complexo fui direto para o meu lugar favorito, a sala de treinamento. Minha tia Nathy estava lá treinando com Clint, eu adorava ver eles treinando.
_Lo! -Nathy estava ofegante por causa do treino, mas veio em minha direção e me abraçou.
_Tia Nathy... Eu também senti saudade, mas você está suada.
_Desculpe querida. -Disse rindo me soltando
_Então, quem está ganhando?
_Quem você acha? -Clint estava deitado no chão ofegante.
_Quer brincar Lo? -Nathy me olhava com um sorriso no rosto que eu conhecia muito bem.
_Com certeza!
Tirei o meu tênis, prendi meu cabelo em um coque e levantei meus punhos ficando em posição de defesa, tentei acertar um soco em seu rosto, mas ela desviou me dando uma rasteira me fazendo cair de costas no chão.
_Ai... -Grunhi ao cair
_Vamos Louisa, você faz melhor que isso!
Me levantei com um impulso, Nathy tentou acertar um soco no meu rosto, mas eu desviei e segurei o seu braço, me virando torcendo seu braço nas costas.
_Tá melhorando, mas da pra melhorar mais! -Ela me deu uma cabeçada me fazendo tontear para trás.
Fiquei tonta por alguns minutos, respirei fundo, por alguns segundos parecia que o mundo havia ficado mais lento, eu podia sentir tudo ao meu redor, podia sentir até o meu sangue pulsar em minhas veias. Quando levantei o rosto Nathy tentou me atingir com uma joelhada nas costelas, mas rapidamente empurrei seu joelho para o chão, ela tentou me dar uma cotovelada no rosto, mas eu consegui me esquivar, dei um impulso e pulei colocando minhas pernas ao redor do seu pescoço, joguei meu corpo para o chão a obrigando a cair no chão, caimos no chão onde eu estava precionando seu pescoço com as coxas até ela bater na minha perna pedindo para eu solta-la.
_Nossa... Sua mãe que te ensinou esse golpe? -Perguntou tossindo um pouco por ter ficado um tempo sem ar.
_Minha mãe sabe lutar? -Estava com as mãos no joelho recuperando o fôlego.
_Claro que sabe! Nós treinavamos juntas, o Steve ensinou muitas coisas pra ela também, quando ela tinha sua idade ela treinava com o seu pai na sala de treinamento na antiga torre dos vingadores.
_Que? Meu pai também sabe lutar? -Estou totalmente confusa com tudo isso, meus pais nunca me disseram que sabiam lutar.
_Acho que não devia ter te falado isso... Clint, você tá vivo?
Ele apenas levantou o polegar indicando que ainda estava vivo nos fazendo rir. De repente Nathy parou de rir e me ohou um pouco assustada.
_Que foi? -Perguntei com a sobrancelha arqueada
_N-nada... Eu vou no laboratório ver se o Bruce está bem... Já volto querida...
Nathy saiu da sala me deixando totalmente confusa e Clint ainda jogado no chão, fui até ele e me deitei no chão ao seu lado.
_Tudo bem? -Perguntou sem olhar pra mim
_Tudo... Ela acabou com você não foi? -Disse rindo
_Foi... To todo dolorido. -Respondeu rindo com alguns gemidos de dor.
Depois de um tempo ali deitada me levantei e fui em direção ao meu quarto, mas quando entrei na sala todos olharam pra mim, minha mãe estava com os olhos marejados enquanto meu pai a abraçava.
_O que foi? -Perguntei me aproximando
_Lo, você pode vim até o laboratório comigo por favor? -Banner parecia receoso.
_Por que?
_Eu preciso fazer alguns exames em você, alguma coisa errada pode estar acontecendo e...
_Alguma coisa errada? Como assim?
_Filha... Não faça perguntas apenas vá com o Banner... -A voz da minha mãe saia trêmula.
_Eu não vou com o Banner até o laboratório pra ele me espetar de todas as formas possiveis sem ao menos me dizer o que merda está acontecendo! Isso tem a ver com as dores de cabeça não é? O que vocês estão escondendo de mim? Eu quero saber a verdade agora!
Todos apenas se entreolhavam e depois me olhavam assustados, até meu avô que era conhecido por seus comentários sarcásticos estava apenas me observando.
_Filha, está tudo bem, eu só quero ter certeza que não tem nada de errado com você e...
_Se não pode me dizer o que está acontecendo, apenas não minta pra mim! -Virei as costas para todos e fui para o meu quarto.
Milhões de perguntas pairavam sobre a minha cabeça, eu sentia uma raiva muito grande por eles mentirem pra mim, a única coisa que eu queria era a verdade e parecia que eles não poderiam me dar isso... Me joguei na cama e em pouco tempo acabei pegando no sono.
Quando acordei já era noite, me levantei da cama e fui até o banheiro tomar um banho, eu só queria entender o que estava acontecendo, nada fazia o menor sentido pra mim, eu estava com raiva, com raiva por estarem escondendo algo de mim e pior ainda estarem mentindo sobre algo que aparentemente me envolve diretamente... Enquanto a água do chuveiro caia sobre meu corpo parecia que eu podia sentir cada gota caindo e atingindo a minha pele, estava totalmente sensível. Desliguei o chuveiro e me enrolei em uma toalha, olhei para o espelho que estava embaçado, quando passei a mão sobre ele eu levei um enorme susto, tive que cobrir a minha boca com as mãos para abafar um grito, os meus olhos estavam vermelhos! Não um vermelho conjuntivite, mas um vermelho sangue que banhava as minhas íris.
_Que p***a é essa... -Sussurrei quase que totalmente em pânico
Sai do banheiro praticamente correndo, fui em direção a porta, mas antes que eu pudesse girar a maçaneta o meu celular que estava em cima da cômoda começou a vibrar com uma ligação. Me aproximei lentamente da mesma, na tela estava escrito "Desconhecido".
_Alô? -Disse ao atender com a voz levemente trêmula
_Olá querida... Não vá até eles, eles só vão mentir pra você de novo e de novo e de novo...
_V-você sabe o que está acontecendo comigo?
_Sim... E posso te ajudar a entender, posso te contar a verdade...
_Por que devo confiar em você?
_Porque eu sou a única que não mentiu pra você até agora... Olhe pela janela querida...
Lentamente me aproximei da janela, pude ver que havia alguém parado no jardim olhando diretamente para mim.
_Hora de nos conhecermos...
Rapidamente desliguei o celular, vesti uma calça jeans de lavagem escura, uma regata preta e um tênis, prendi o meu cabelo em um coque e coloquei o colar que meu pai havia me dado mais cedo. Abri a janela e olhei para baixo, era bem alto, mas acho que consigo descer sem virar panqueca lá embaixo, com uma certa dificuldade consegui chegar ao chão do jardim apenas com os dedos da mãos doendo por ter escalado as paredes. Quando olhei em volta vi alguém escondido atrás de algumas árvores.
_Ei! -Corri na direção da pessoa que também correu ao me ver.
Segui a pessoa entre as árvores, estava escuro e difícil de enxergar, acabei parando no meio da floresta olhando para todos os lados atrás daquela pessoa.
_Procurando por mim querida? -Quando olhei para trás a voz veio de uma mulher um pouco alta, de cabelos longos e castanhos, ela se parecia com a minha mãe.
_Quem é você? Por que tem me mandado mensagens?
_Eu queria conhecer você, você não faz ideia do quanto é especial minha menina... -Aproximou-se e segurou minhas mãos.
_Quem é você..?
_Meu nome é Maya Hansen e eu sou a sua avó materna...
_Avó materna? Achei que você estava morta a anos e parece mais nova do que eu esperava.
_Os milagres da genética querida... E sobre eu estar morta, é mais uma das mentiras que eles te contaram... Venha comigo, vou te dizer a verdade sobre tudo, esclarecer todas as suas dúvidas...
_Não acho que isso seja uma boa ideia... -Soltei minhas mãos das dela e dei um passo para trás.
_Não torne as coisas mais difíceis. Você vai vir comigo por bem, ou por mal..
Tudo bem, acho que estou bem na merda, no meio do mato com uma louca que quer me levar para algum lugar, a única coisa que me resta é correr! Assim que dei as costas para ela dei apenas alguns passos antes de começar a sentir a minha cabeça doer como se fosse explodir.
_Eu disse que você viria comigo por bem ou por mal... -Olhei para ela, ela segurava uma espécie de controle na mão.
_O-o que está acontecendo comigo? -Disse com dificuldade devido à dor, eu já estava ajoelhada no chão com as mãos na cabeça.
_Você se lembra daquela injeção que aplicaram em você a alguns dias atrás? Dentro dela havia uma nanotecnologia e umas coisinhas mais, essa dor que está sentindo agora pode piorar... -Ela apertou um botão do controle o que fez a dor ficar mais forte me fazendo gritar de dor com as mãos na cabeça. -Ou aliviar, como eu quiser...
_Por favor... -Implorei com lágrimas nos olhos.
_Soldado! -Gritou ela, em seguida apareceu um homem com cabelos um pouco compridos, a barba por fazer, o mesmo que havia aplicado aquela injeção em mim. -Pegue ela, vamos para a base.
Ele se aproximou e me pegou no colo, eu estava muito fraca então não consegui ao menos reclamar, meu corpo estava mole e minha cabeça latejando.
_Não se preocupe minha menina... -Ela se aproximou e passou a mão em meus cabelos. -Você não vai se lembrar de nada...
_O-o que quer d-dizer c-com isso? -Tive uma grande dificuldade para pronunciar essa frase.
Ela apenas sorriu e apertou um botão daquele controle, de repente tudo foi ficando escuro até que eu finalmente perdi totalmente a consciência...