Aldahain

1638 Words
NARRADOR ALÉM DO MAR CONGELADO DEPOIS DAS MONTANHAS DO INVERNO ETERNO ALDAHAIN Divindade era como gostava de ser chamado o maldito Todo Poderoso. Havia nomes mais pessoais usados por seu rebanho que o comoviam, mas gostava que o usassem na mais íntima oração. Criou tudo, e com isso, digo tudo. Podia ser rancoroso ou misericordioso. Amaldiçoar ou abençoar. Mas acima de qualquer coisa estava o amor por sua criação. Afinal todos somos como um filho que disciplina para ensinar e que dá presentes para ver a criança contente. Só que até amor pode virar ódio porque essa é uma face do amor. E a punição mais dolorosa é ensino. Nós humanos temos pai e mãe. O pai Celeste e a mãe natureza. O filho que sangra e o que faz a colheita do trigo que é bom e o separa depois da ceifa dos abrolhos que irão para o fogo. Só que Deus criou o Mediador, o Acaso, a Morte, a Desgraça e o Tempo ao formar a inteligência da árvore do conhecimento. Contudo, estes irmãos não eram parte do plano original, mas consequências. O plano original era perfeito. Contudo a árvore do bem e do m*l era a chave de acesso a inteligência e a inteligência era uma conquista não de fato uma entidade. Apesar dela trazer discernimento, a sabedoria em toda lenda sempre pede algo em troca. Odin com seu olho. Deuses do oriente com seu olho e perna. Pequenas divindades que ao abdicar de si tem contato com o saber supremo. A expulsão do Éden. Deus não queria que a humanidade pagasse esse preço em troca do saber. Quando o pecado veio Deus interviu mandando sacríficos para não sermos o sacrifício. E há nove mundos que vibram em diferentes frequências de evolução mágica e toque divino. Era como se Deus ao criar a árvore do conhecimento criasse a caixa de Pandora. E nós homens a abrimos com o “pecado” e mesmo a esperança nela apesar de bela pode ser traiçoeira. Mas o próprio Deus se se fez carne na figura do filho num dos mundos. O nono mundo. O mundo dos Incrédulos: A Terra. Contudo, por mais que um pai não queira, quando uma criança mexe com uma tesoura ainda se corta e o machucado dói e quem sabe até fica cicatriz. E um pecado dessa magnitude de comer a inteligência e perder a inocência e se afastar do criador pelo ego da descoberta era cósmico. Cinco irmãos nasceram da desobediência do primeiro casal. Nove mundos surgiram. Um irmão conhecido como Malakai ou Prometeu como preferia. O detentor da luz e das Trevas. Preso por Deus e o d***o a correntes infernais e divinas por ser necessário e ao mesmo tempo poderoso e ameaçador se escolhesse um dos lados. Este estava preso a Terra. O Acaso que amava a alcunha de Destino, benevolente à sua forma e a maioria do tempo. Sádico em alguns momentos. Mas sempre cheio de coincidências. Amava tanto Yeshua que mesmo lamentando ajudou no curso dele para a cruz por respeito a ele e ao criador. Ele podia transitar entre os nove mundos. Morte era a irmã mais sombria. Cuja fome descomunal fazia com tudo que antes era vida, por mais que ela lutasse contra sua natureza, apenas desfalecesse em suas mãos. Cresceu odiando o que era. Com o tempo ela aprendeu a lidar com o seu horrendo dom e ver que a morte de algo era o princípio do novo depois que Deus a provou que a amava com os sacrifícios que a fez. E amada por ele, ela quis se tornar apenas a porta para uma nova existência. Ela amou Deus porque ele a amou primeiro. Sua morada era o Inferno. Estava acorrentada a ele. Tempo era impessoal, impaciente com atrasos, professor dos precoces, um tanto sádico com os sonhadores e amoroso com os que o respeitavam. E sempre fascinado pelos que lutavam por ele até o fim. Inimigo de quem o burlasse e ludibriasse. Podia transitar entre os mundos mesmo que em diferentes jeitos de contá-lo. E tinha o quinto irmão. O irmão que todos queriam esquecer que existia. O irmão que era a pior das consequências e desde a aurora dos tempos estava preso se fortalecendo. Seu nome era Desgraça. E ele estava em Tretagon . Serper brincando de rei de Relian era o seu selo. A flauta dele sua calmaria, canção de ninar e consolo. Mas a melodia parou e o sono desde o início dos tempos acabou. As correntes mágicas que de tão aquecidas tinham cor de metal em brasa se quebraram. Pesadas correntes de Maride, aquecidas por fogo santo colocadas nas geleiras de Eversnow, a terra além de tudo conhecido. Abriu os olhos que eram com rubi, a ponta de seus cabelos azuis. Quando o flautista que brincava de ser a corrupção deixou Tretagon, a Desgraça foi desperta. Era noite e os picos das montanhas geladas estremeceram e o gelo fino se rachou pelo impacto do poder quando ele fortalecido repuxou as correntes e quebrou-as causando o degelo. E quando o fez. Solto. Correu livre, deu um soco no gelo fino que formou uma gigante lagoa pelo impacto e enfiou os pulsos queimados dentro. Ele estava livre depois de 6 milhões de anos. O segredo aqui é que o próprio Serper tinha um papel na ordem de Tretagon, na peça no grande teatro orquestrado pela Divindade. E se era assim, Aldahain (Desgraça) era só o lixo descartável que a plateia despejava nesse grande palco que é a vida. Afinal quem quer a Desgraça batendo a sua porta? Nasceu fruto do pecado do primeiro homem da primeira mulher, era temido, quase rejeitado. Nasceu como foi no princípio, com seus irmãos Morte, Acaso, Mediador e Tempo. Os quatro eram as consequências. Morte o ajudou até virar homem. Até ela mesma começar a temê-lo. Morte foi sua maior paixão. Isso é, se seres cósmicos se amassem como humanos. Ela era o fim a toda mesquinharia humana que o formava afinal, ela era o alívio a sua dor e sua redentora . Acaso, ele era bondoso e fazia o mundo girar para os injustiçados serem exaltados. Para que amores de eras se reencontrassem em cada encarnação. Ele era gentil. Gostava dele. Ele o enfraquecia pois em cada gesto buscava justiça. E quando um injustiçado alcança a justiça, a Desgraça que ele era enfraquece. Já o Tempo exigente, impiedoso, controlador, ambos se detestavam. O Tempo só aumentava o lixo sentimental humano, aumentava a dor da humanidade de forma excruciante e ao mesmo tempo, fortalecia Aldahain com a corrupção inevitável que a longevidade da vida humana trazia sendo um alimento maravilhoso. Precisava dele. E Aldahain não era como seus irmãos que se tornaram parte do plano do supremo. Era só o lixo das emoções que todos se negavam a ter. Tinha quando queria a forma de uma grande raposa de nove Caldas. O lixo sempre é mais poderoso que a limpeza. Foi sua amada irmã Hela que odiava o nome Morte que o chamou de: Aldahain. Foi gentil da parte dela. Tempo queria chamá-lo de Antro. Malakai gostava de ser uma Fênix para que em sua forma humana não enlouquecesse. Já Morte amava aparecer como esqueleto e com uma foice. Tempo tornou forma primeiro com números, depois formas de marcá-lo, mas sempre usava como base a contagem e sua forma era a de um requintado lorde com relógio mágico no bolso. E agora ele Aldahain estava livre das correntes. Estranho. A flauta de Serper não ecoava, seu selo não estava mais nesse mundo, o maldito Ariel fugiu de sua missão. Um sorriso c***l curvou seus lábios rubros e carnudos já que a capa cobria seu rosto. E agora solto, fez um gesto ao céu noturno curvando-se com deboche. E voltou a andar. ... O homem tinha uma túnica preta com capuz cobrindo os olhos de vibrante tom vermelho sangue. A espada em punho, de punho feito de osso de dragão. A lâmina era forjada em escamas de dragão, Maride o metal mais raro de Tretagon, banhada no sangue de mil bebês inocentes e o fogo infernal das Montanhas de fogo. Forjada pelo gigante Bewolf. A espada demoníaca das almas corrompidas. A espada que chamou de Sangre. Caminhou em meios aos dragões partidos ao meio e com vísceras expostas sentindo ligeiro incômodo pelo desperdício de sangue mágico derramado em vão. Se os tolos não tivessem tentado o impedir. Andou em meio aos cavalos alados cujas as asas arrancou, os tigres decapitados e o sangue contra o rubro. De novo, que desperdício, pensou. Serper era um símbolo somente, mas que ainda ansiava por redenção e a agia como um rebelde só para ter a atenção do pai. No fim, só seguia as ordens de um criador como marionete sendo por ordem dele a personificação do que é malévolo. Afinal, o próprio demônio que Serper era, já foi um anjo. Mas Aldahain não conheceu nada. E nada o despertava empatia o suficiente além de sua amada Morte. Tudo merecia o fim. Ele era a escória que o Criador evitou. Os dejetos da criação perfeita dele que escondia seus piores ressentimentos debaixo do tapete e formou-se um monstro. E não houve sangue sacrificial o suficiente para abrandar sua fúria Seu mito começou no pecado como o de Morte e Tempo, seus irmãos. Não foi estimado pelo criador como a Morte e o Tempo com quem criou acordos pela sua criação imperfeita. Foi exilado por ser simplesmente a concepção de crueldade com que os não humanos podiam lidar e nem o próprio criador dessa raça pérfida podia aceitar. Nenhuma das personificações do m*l, nos nove mundos podia se comparar a ele. Nasceu do medo, do desespero, do caos, da guerra, da inveja, do ciúme de todos os nove mundos e isso tinha fim?
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