Visita da Morte

4569 Words
POV ALDAHAIN   Quando Morte chegou estava como Hel. Eu admito que não esperava por ele, ele me intimidava mais do que ela. Não é bem a transmutação no corpo de um jovem homem o que me incomoda, ou sua altura intimidante e sua elegância e trejeitos masculinos e fortes como um jovem guerreiro apesar da palidez gritante da pele que me excita talvez tanto quanto sua forma feminina.  O cabelo curto e liso para trás num topete brilhante, os olhos escuros, as sobrancelhas fortes, os olhos semicerrados sempre, o nariz reto, maças do rosto bonitas e um elegante terno de corte clássico eram a marca registrada de Hel. Sua foice fora transmutada em um anel de caveira em seu dedo, um truque que todos temos com algo que estimamos e é difícil de carregar, logo, para ficar mais fácil transformamos em joia. Arfei. Eu queria ele.  Ah, eu ansiava por senti-lo contra minha pele e ser seu. Beijar sua boca, matar a saudade, acalentar nossas essências tão diferentes e feitas do mesmo material pecaminhoso. Demetria estava aqui. E eu também a queria. Nunca a deixaria ir. Certo, estou um pouco inquieto. Eu esperava Hela, não Hel. Hela era mais fácil de lidar apesar de serem a mesma pessoa, é só que Hela era menos intimidante que Hel. Hel meu irmão mais velho se for considerar assim a loucura mortal que era acusatória.  Mas de qualquer forma era meu irmão amado aqui, ele ou ela tanto faz. E eu me contive para não me jogar nos seus braços desesperado por cada migalha de seu afeto frio, morto e sempre distante. Contudo estava com aquela expressão calculista que parecia emanar “se mantenha afastado, não estou de bom humor” e eu sabia que quando Morte usava sua forma masculina era porque se sentia ameaçada, desconfortável e impiedosa. Eu sabia que Hel era Morte me dizendo que não veio ser dócil ou para uma visita amigável e sim para discutirmos algo. Eu sabia que hoje ele era o irmão mais velho e não a irmãzinha adorável que eu tinha vontade de proteger. Eu queria Demetria aqui para ver se os dois se conheciam mesmo. Demetria estava limpando algumas coisas ao meu redor na sala de visitas e arrumando o conjunto de chá com eficácia segurando um bule de porcelana de água quente com elegância e arrumando a tigela de cookies de chocolate que eram coisas que Hel gostava de comer quando saia de sua autoflagelação por ser Morte e ia visitar os reinos.  E quando os olhos de Demetria se encontraram com os de Hel, ela largou o bule. Cacos brancos no chão.  Os olhos apáticos dele saíram de sua habitual indiferença, se estreitando e me fitando com horror e, ele foi até ela em passos rápidos a fazendo erguer o delicado queixo e encarando as correntes no pescoço dela de imediato, então nos pulsos. — Hel. — Ela disse quase como se pedisse socorro. Eu vi as lágrimas descendo dos olhos de Demetria e me senti horrível, mas eu precisava dela mais do que ela podia imaginar. Não era só maldade que fez com que eu a prendesse a mim, eu precisava dela porque mesmo conseguindo acorrentá-la a mim, ela é uma humana que não sofre com a calamidade que sou. Ela é alguém que posso ter ao meu lado sem precisar me preocupar em ser odiado por ser o que sou. Ela me odeia porque a prendi.   Demetria manteve-se cabisbaixa evitando Hel. Como se envergonhada em ser vista assim. Não era orgulho. Era só fragilidade? — O que você fez a ela seu maldito? — Morte saiu de sua indiferença, sua voz um rosnado, suas mãos fechadas em punho e seu maxilar bonito e quadrado travado. Eu nunca o vi assim antes. Nunca.  — Como pode Aldahain? Com pode a prender? Como pode fazer isso com uma das humanas escolhidas do Pai para lutar contra a escuridão literal causada pelo anjo rebelde. — Comentou Morte. — Você não tem ideia do que fez, irmão. Ela é alguém que precisa ser livre. Nem eu a tive, ela não sentiu meu toque mortal, o Pai não a deu a mim, ela vive eterna sem tirar dos outros. Mas suas correntes, suas correntes malditas em algo como ela... As correntes são eternas, seu filho da p**a. Como ousa ser prepotente dessa forma? Há profunda mágoa na voz de Hel, não era nem de  longe ciúme por ter feito ela minha cativa, era indignação e repreensão, o odiei por ser o mais velho. Isso me desestruturou. Eu queria testar se ele sentiria algo em ver que tenho outro alguém que me suporta, se correria para mim e me diria que ama.  Ele parecia ignorar que ele e eu fomos amantes como se fosse uma mancha a sua honra. Era porque ele amava aquela ali que não era consumida ou afetada pelo toque dele? E então Hel virou Hela e maternalmente abraçou Demetria. Meus olhos arderam quando entendi a transformação de Hel em Hela apenas para Demetria. Me senti estranho. Desviei o olhar delas. Hela apenas abraçou e abraçou Demetria como se tivesse recuperado algo perdido por anos. Hela beijou Demetria nos lábios e, Demetria permitiu sem o asco que tinha por mim depois que eu saciava seu impetuoso desejo juvenil e ela me tratava como lixo descartável. Ela tocou Hela no rosto com respeito, aceitação e isso vindo de um humano era surpreendente. Hela apenas sorriu. Minha irmã nunca sorria para aqueles que a enganavam. — Escapou de mim.— Hela começou calma, ronronante, a voz dócil e roçou o nariz no Demetria. — Soube que o Espelho se quebrou. Relian virou um caos por causa disso. Mas mesmo irritada, não te odiei que não veio para mim. Queria que fosse feliz com os seus e na sua nova chance. Mas o que aconteceu, criança? Por que não está em Tretagon? Como virou serva de um de nós e logo dele? — Uma mãe impetuosa, uma amante ansiosa e uma jovem com seu primeiro amor. Foi assim que vi minha irmã lidar com Demetria. Sim, ela exercia essa coisa estranha em todos nós. Uma das poucas humanas que podem nos aceitar como somos. Eu ia falar. Mas Hela apenas arqueou a sobrancelha para mim como se sem palavras, no olhar cortante e pose imponente  dissesse “ calado, até que sua hora chegue.” — Querida, Serper era o selo de Aldahain... o que foi que você fez? — Hela beijou a testa dela. Demetria tremia violentamente desabando. — Eu fiz uma enorme besteira, Hela. Eu fiz um pacto com Serper, para evitar aquele futuro desolador onde eu perdi tudo que amava, eu o transportei para Terra. A Terra que eu vivi até os meus dezoito anos. O nono mundo. — Demi confessou-se a Morte. Morte a ouviu como se fossem amigas e sem julgamentos.  — Me ajuda, por favor. Por favor. Ele te ama, convença-o a me deixar voltar para os meus. Abro mão de tudo por eles. Você sabe. Eu nunca vi Hela tão frágil.  Tão desamparada. Ela realmente parecia outra pessoa. Alguém mais forte e ao mesmo tempo alguém que se perderia em dor. Ela abraçou Demetria, conjurou sua foice e a trouxe a minha garganta.   — Deixe ela ir. Ela não pertence a qualquer um de nós... Droga, seu maldito i****a. Por que você sempre causa problemas? Eu ri. Eu gargalhei. Eu sentia tanto ódio agora. Fechei a mão em punho. Num impulso eu puxei Demetria até mim fazendo as correntes queimarem e ela silvou de dor. — Como pode ver, ela é minha agora. — Comentei calmo, esse gosto bom na boca. O gosto de tomar algo que Hela estimava e machucá-la como ela me machucou. Hela apenas encarou Demetria, angustiada, sabendo que era incapaz de me ferir.  — Você mesma sabe... que as correntes são eternas. Me machuque e machucará sua amada. Então Demetria apenas tocou o cabelo escuro de Morte. E beijou o rosto dela. Puxando a foice dela lentamente e a tirando do meu pescoço. — Desculpe por te pedir isso, querida. Para brigar com o seu irmão. Sei que deve ter sentido falta dele. Desculpe, amada.  — Demetria pediu a Hela mais contida e determinada, como a rainha linda que era, com a força que conheci. — Esqueça isso. Choramingar como uma criança não vai resolver e nem correr para você, não quero que briguem. Eu me coloquei nesse problema, devo resolver sozinha. E você deve ter vindo aqui por outro motivo. — Demetria percebeu rápido demais. Mais até do que eu. —  Está preocupada. O que a aflige, meu amor? Hela apenas beijou Demetria no rosto. Eu senti certa inquietação em vê-las. Em ver como Demetria era atenta aos sentimentos de Hela. Em como Hela mesmo não transparecendo nada urgente na face, a maldita serva que arranjei tinha a total compreensão dela. — Eu sou a Morte, não preciso da preocupação de uma mortal. — Comentou minha irmã um tanto orgulhosa, cheia de si.  Mas havia um rastro de sorriso em seus lábios em ser tão querida por alguém. Alguém que a compreendia como uma transformação e não como o horrível fim. — Mas sim, está certa minha criança. — Ela respondeu Demetria com um suspiro. E me estudou. — Há um assunto que exigiu que viesse até você, irmão. — Fale. — Pedi.  Apontei a poltrona da sala para ela. Ela sentou-se graciosamente ainda com a foice em mãos como um apoio, ameaça e bengala. Demetria apenas ia nos servir do chá, mas Morte negou com a cabeça. E quando ela ia servir para mim, eu a puxei e fiz Demetria sentar no meu colo. Ela tentou se levantar, eu neguei com a cabeça e beijei o rosto dela. Então o pescoço que descobri ser seu ponto sensível, os olhos  escuros de Demetria me estudaram sombriamente. E sem que eu precisasse fazer as correntes arderem, ela se aquietou em meu colo e mexeu distraidamente em meu cabelo. Morte nos observou. Ela analisou-me sombriamente. — Lucifer está planejando algo. — Ela começou calma. Ah, esse nome. É Eva pecou, eu odiava a maldita, odiava. Mas o Lucifer, ele tinha a destruição que eu sou fácil fácil. E Hela sabe que eu o odeio profundamente. Ele é a causa de eu ter nascido para ser essa coisa que todos os humanos desprezam.  — Algo que envolve os nove mundos. E a v***a dele está exigindo uma sacerdotisa como receptáculo na Terra, uma bruxa com a marca de Caim que abdicou dos poderes e da marca para seguir a Deus. Eu quero te pedir que vá para a Terra, encontre nosso irmão Prometeu,  e junto a ele ensine ao maldito do Lucifer que é nós quem somos a ordem e o caos. E apenas nós. Discipline-o. Ensine-os que os cavaleiros do apocalipse dele são uma mera sombra nossa, Morte, Fome, Guerra e Praga. Ele quer brincar de ser Deus, irmão. Lembre-o de que o sacrifício do Pai nos dar o filho amado foi feito para nós e não para uma mera criança rebelde que machucou uma criação indefesa para se vingar da Divindade. Puna-o. Acaso e Tempo, você sabe que são egoístas, eu não posso intervir, ainda estou apenas como a passagem. Mas você e Prometeu são os mais rebeldes de nós e sempre foram. Enfrentem a Serpente maldita e pisem em sua cabeça. — Lucifer está sendo i****a assim? — Perguntei realmente indignado com tamanha burrice. Quer dizer, eu querer ser Deus, era justo por ter nascido do pior da humanidade que o Pai criou, Papai devia esperar revolta da minha parte, oras. Agora Lucifer, um filho mimado que queria ser mais que o Pai? A expulsão foi pouco para o que ele merecia. E tem Prometeu, Prometeu está livre como eu. Quero ir vê-lo e abraçá-lo. Eu sinto falta dele. Nós dois sempre fomos hostilizados. Beijei Demetria no pescoço. Morte desviou o olhar. — Eu já ia para a Terra mesmo. Vou fazer o que me pede, querida. — Garanti. Lucifer precisava mesmo aprender uma lição. Hela sorriu para mim. Eu me inquietei um pouco. Meu coração  bateu rápido. — Obrigada, querido. — Ela disse isso somente como um velho gosto dos velhos tempos. Demetria ia sair, mas a mantive no meu colo. E rocei o nariz no dela. — Eu vou indo então. — Morte analisou. Demetria novamente fez menção de se levantar e eu a puxei. — Acho que sabe onde fica a porta. — Eu comentei com Hela friamente. Ela riu um pouco. — Sou sua irmã mais velha, a irmã mais velha de todos vocês. Deveria ter respeito. Mas irei relevar. Demetria, tente agora se manter livre de problemas e meu irmão não vai te matar. Ele não poderia nem se quisesse. — A voz de Morte era repreensiva. — Sim. Eu te agradeço por tudo, Hela. — Demetria foi cortês mesmo na posição em que estava quase como escrava de minhas vontades. Havia uma dignidade marcante nos olhos escuros dela que não se apagava. Hela sorriu. Eu sei que ela pensou que era engraçado alguém agradecê-la.  E sumiu batendo a foice no chão, um portal se abriu e, ela desapareceu na luz ofuscante.  De novo, a sós, com a inquietante Demetria. Eu tive seus olhos escuros nos meus. E ela ia se levantar, mas a mantive no meu colo. — O que quer afinal? Já não me usou o suficiente como objeto de ciúme? — Ela questionou cansada. — Seu Kai... Tem três apaixonados por você, porque escolheria o Kai? — Tentei entender a mente dela. — A garota, ela tem sua estima profunda... você a deseja, a alma dela te conforta, quer cuidar dela... o príncipe, você também o deseja, os tons sombrios da alma dele te excitam. Mas se fosse para ter um parceiro eterno seria o deus da carnificina... Por que? — Porque o amo. — Murmurou ela.  — Os três estão no meu coração, mas ele é o que mais amo. É a ele  que me entrego completamente. Ele sempre sabe tudo o que eu penso e sempre tenta me ajudar da melhor forma e faz eu sentir que posso tudo, mesmo eu não podendo nada. Ele me faz acreditar que tenho mundo e sou importante. Isso ninguém nunca fez. Ele me vê. — É injusto. Ele é telepata. E se ele só jogar com o que você quer?  — Eu sussurrei evitando dizer que eu também sabia o que ela pensava. — Quando pede para eu te tomar é nele que pensa? O que pensa? Não se sente envergonhada? — Mesmo que ele saiba o que eu penso e seja mais fácil me agradar assim, ele ainda se esforça para me agradar. Ele é comprometido, bom amigo, esforçado... é ganancioso, mas isso é só porque é frágil e sente que só sendo temido consegue respeito pelo qual lutou uma vida inteira — Ela explicou calma. De novo, meu cabelo em seus dedos agora calejados pelo serviços. — Mas não penso nele quando me toma. Seria errado comigo e com você.  — Ela respondeu me inquietando. — Penso em você, que te odeio, que te odeio por me prender a você e... ao mesmo tempo que é bonito e me deixa quente... Mas meu coração nunca poderia ser seu. O corpo sim. Então eu penso que eu gosto quando me toca... Eu gosto de jogar com você. Esse tipo de coisa. Mas é sem amor. Eu suspirei.  Ela foi honesta. Na mente dela não havia mesmo outro quando eu a tomava, só havia eu e sua raiva por mim machucá-la e incitar seu desejo. Por mostrar um lado dela que ela desconhecia. Um lado que uma rainha que domina os outros não deve ter. — E eu preferiria voltar para eles. — Comentou ela cheirando meu cabelo. — Mas como só vai me libertar depois do nosso acordo, farei meu possível para ser uma boa guia na Terra e até te ajudar contra Lúcifer se eu tiver alguma serventia. Peguei a mão dela, os pulsos acorrentados, os beijei. Então ouvi seu suspiro entregue quando mordi seu pescoço. Os olhos dela se encontram com os meus, o ódio, o rancor, a raiva e a luxúria desnorteante. A empurrei de cima de mim para conseguir pensar. — No mundo humano... o que vamos precisar para nos passarmos como um deles? — Documentos, dinheiro e... — Isso é fácil. Posso criar isso. Posso criar toda uma ilusão para nós lá. Algo além disso? — Questionei impaciente que ela fosse tão bonita e me desconcentrasse. — Você sabe falar a língua deles? — Ela comentou. — Vi os livros na sua biblioteca. A maioria é de lá. — Sim, Demetria. — Concordei. Ela suspirou. — Por agora só consigo pensar nisso, querido. — Respondeu simplória. — Nada mais me passa a mente. De novo, ela agindo como fez com Hela. Mas ela tratava a todos assim ao que parecia. Como se todos fossem queridos e amados por ela, mesmo eu  E alguém assim cujo coração não pertence a ninguém é sempre alguém que machuca muitas pessoas sem querer. — Deveria parar de ser tão carinhosa com todo mundo. — Eu me vi comentando por alto. — Pode machucar as pessoas sem querer e deixá-las bem confusas. Ela riu. — O que? Por acaso está com ciúme, querido? Eu deixei que ela me estudasse. Não neguei. A expressão dela mudou enquanto me analisava. — Meu amado, meu querido, meu amor, meu bem... — Comentei frustrado. — São flertes e você os usa com todo mundo basicamente. Eu senti o ódio na minha voz. Ela ainda parecia vislumbrada com algo em mim. — Quero beijar você. — Comentou ela bem pensativa e baixinho como se fosse uma confissão a si mesma. — Um, dois, três... Aproximou a boca da minha e me deu um selinho casto e se afastou bonitinha. Eu analisei ela, como se estivesse lidando com um primeiro namorado. Apertamo-nos um contra o outro buscando alívio em nossos corpos. E eu perdido em seu cheiro e abraço, minha mente distraída de tudo e da vingança e por um descuido desfiz o feitiço que escondia minhas próprias correntes mágicas que exigia concentração extrema, não queria que ela soubesse. Os olhos dela encararam com horror as correntes em mim. As mesmas correntes nela. — Por que ainda as têm? Você está livre, não é? — Me perguntou tocando meu pescoço avaliando a corrente horrenda, a voz trêmula. Eu só entendi o quanto a liberdade era importante para ela agora, vendo-a horrorizada por aquele que a prendeu também estar preso. — São só espirituais agora, não mais físicas. Meras sombras. — Comentei angustiado com os seus olhos assustados. Então ela pareceu perceber que estava sendo um tanto reativa. — Tão complicado.  — Ela ia protestar e me deu soquinhos. Havia raiva em sua voz e preocupação. As correntes esquentaram em nós dois. Ela não sabia que quando ela se rebelava e pensava em fugir, como seu mestre, eu também sentia sua dor. Deus também sentia a dor de sua criação. Acariciei seu cabelo. Ela se derreteu rápido com o toque mesmo com minha garras. — Um ano pelos dois de paz em que volta para Tretagon e vive com o seu Kai. Mas por agora, seja minha esposa por um ano.  Você é imortal, um ano passa num piscar de olhos... E você e Kai, os dois têm todo o tempo do mundo para se amarem se me vencerem na guerra que virá. Demetria parecia sem palavras. Eu rocei a boca na dela. Sabia que quando nós fazíamos isso, era mais fácil conversar e persuadir um ao outro. Ela não tinha escapatória, mas era teimosa como uma mula empacada. Então só me restava usar o meu charme. E eu mesmo desajeitado com mulheres, o fiz, não achando que teria o mesmo efeito que o dela tinha em mim de me fazer tomá-la numa mesa e quebrar toda a porcelana cara. — Vamos... só um ano. Um ano como minha mulher. Então lidamos com o problema de Lucifer e seremos inimigos de novo. Puxei o lábio inferior dela. Ergui a saia do vestido dela apertando as coxas pequenas e finas dela e a coloquei na poltrona onde Hela se sentou. Então a mordi com força e deixei a marca avermelhada na pele dela. Demetria gemeu quando deixei minhas garras passarem por sua pele macia das coxas. Ela era tão sensível e entregue. Era fácil influenciá-la na carne. Mas a mente dela era uma fortaleza perigosa. Então eu mordi seu seio longamente por cima do tecido. — Quero você agora. — Ela disse impetuosa. — Aqui. Neguei. — Diga que será minha esposa... Deixei meus dedos deslizarem sobre sua calcinha, colocarem-na de lado e então o polegar acariciar o meio latente das pernas dela. Ela mordeu o lábio inferior dengosa e bagunçada quando comecei. — Esposa...Esposa...Esposa... — Insisti em seu ouvido fazendo carícias em seu lóbulo com a língua. A assistindo sentindo minha própria angustia aumentar. — Esposa. — Repeti. Ela negou. Então tirei os dedos dela e fingi que me afastaria. Ela me puxou angustiada. — Hm, que seja... tanto faz...Sim, serei sua esposa por um ano. — Concordou ela nublada pelos sentidos. — Agora vem. Anda, antes que eu me arrependa de trair todos  os que eu amo com você... Anda... — Seu Kai... Devo seduzir ele também? — A perguntei impaciente roçando o nariz no dela. Senti o gosto amargo me preencher.  — Devo o seduzir e ter uma algema em você no coração para sempre? Se ele me amar, você o impediria de se aproximar de mim? Nós três juntos... isso te deixaria feliz? Ficaria então comigo até o fim? — Não. E Kai não é uma moeda de troca para usá-lo assim. Eu prefiro ver ele livre do que preso a algo como isso. — Ela falou repreensiva. — Eu não sou assim. — Rosnei quase e ri da ingenuidade dela em achar que o amor era amar e deixar ir. — Eu não sou burro como você. Nada do que vai volta para mim. Então eu mantenho ao meu lado pela força. Ela me odiava a um ponto que era desconcertante, mas o corpo dela me queria da mesma forma, abriu suas pernas para mim, rasguei sua calcinha, enquanto meus dedos ficavam mais e mais melados com seu líquido e eu a assistia se mexendo no sofá. Nós dois éramos algo quebrado, ela tinha trevas dentro dela também e essas trevas eram a parte que eu queria que fossem minhas assim não me sentia tão sozinho, porque as trevas dela são do tamanho de sua luz e quantas trevas há nela.A assisti se inclinando e o couro do estofado fazendo um barulho estranho. — Você é que o burro aqui. — Ela disse tentando aparentar calma. Eu sou o burro... o burro que te faz gemer alto? Aquele o qual você só usa para domar sua luxúria incontrolável e recém-descoberta. — Hm... hm... ah... doce merda.  — Ela murmurou audaciosa, sua mão veio ao meu rosto e ela beijou-me amorosamente quando teve espasmos que indicavam certo prazer. Foi algo tão sublime. Apoiei o rosto no peito dela que subia e descia e sorri. Tudo bem, podíamos só ser amantes de carne. Não precisava dos seus sentimentos. Só da companhia.  — Mas agora venha... esqueça isso. Quero você, mestre... Quero que me tome como antes, venha...   Ah ela sabe o que dizer, não é?  Ela não é obscena, mas sabe exatamente o que dizer. Eu desabotoei minha calça com a ajuda dela e finalmente deslizei para dentro dela e estava dentro dela. Ah, isso era tão bom.  Demetria moveu seus quadris para mim me fazendo sentir o prazer desnorteante e beijou meu cabelo azul com satisfação gemendo mais e mais alto. A assisti e a ajudei a se mover mais rápido. E quando eu alcancei a libertação, eu tirei e jorrei minha semente na barriga dela a deixando toda suja. Fiquei envergonhado. Ela nem ligou. Apenas tremeu incerta dando um último urro de prazer e me beijando. — Isso foi tão bom. Como eu vivi sem fazer isso por tanto tempo? — Ela parecia conversar consigo mesma agora. Então seus olhos vieram aos meus. — Gosta de me ter assim? — Me provocou. — Me acha parecida com Hela e por isso me deseja? — Ela perguntou ingênua. — Se é sim, me liberte e conquiste a verdadeira. Eu tinha duas respostas para essa pergunta dela, a verdade e a mentira. Nunca fui bom em contar verdades. A verdade é que meu relacionamento com Hela ou Hel, estava marcado por ressentimento e não tinha como voltarmos e dizer isso em voz alta era humilhante. — Você é bonita e me satisfaz. E te tocar não te prejudica e destrói. Você é útil para mim.— Comentei casual e sendo em parte verdadeiro. Senti os olhos dela nos meus. Peguei um lenço do meu terno e limpei sua barriga plana. Ela estremeceu um pouco com o toque.— Isso te faz a noiva perfeita da Destruição... Eu sou a Destruição que bateu a sua porta. — Você me prendeu... As algemas me  machucam... eu não posso ser sua noiva. Isso é errado. Me liberte e quem sabe tenhamos uma chance quando o jeito que fazemos amor é tão bom. — Mentirosa. Se eu te libertar vai correr pro seu deus da carnificina. — Eu falei isso conformado. Eu não tinha mesmo reais sentimentos ou apego por ela. Só não queria ficar sozinho. Ela suspirou. — Sim, isso é verdade. Eu iria para ele. E para Cinder. E para Iker. — Acrescentou os outros nomes que me irritaram. Mas eu sabia que o meu rival mais forte era Kai.  A analisei na poltrona. O rosto meigo e doce. O corpo pequeno e frágil. Me senti inquieto.  A peguei no colo, comovido, grato, eu não sei, a erguendo do sofá, e ela me abraçou sonolenta. Suas pernas em volta da minha cintura, sua cabeça no meu ombro, seus braços em volta do meu pescoço e ela estava mole. Beijei o pescoço dela. — Minha criança. — Chamei-a assim como gostaria que alguém tivesse feito por mim. Ela tremeu. Os olhos escuros dela encontraram os meus parecendo saídos de um lugar distante na infância e preguiçosos e sensuais, cheios de torpor após prazer.   Ela roçou o nariz no meu entregue. — Bebê lindo. — Continuei. Os olhos dela se encheram de lágrimas e ela sorriu. — Pare. Não me trate assim. — Ela sussurrou com alguma mágoa infinita. — Ninguém nunca me falou isso tão doce assim. — Minha doce bebê linda. — Continuei. Ela se arrepiou inteira. Então seus olhos eram meus, agitados, intensos e cheios de segredos. Senti que alcancei um lugar da sua alma além do seu corpo. Um lugar que ninguém mais alcançou. Ela puxou o meu cabelo. — Meu doce amor. — Provocou de volta. — Meu amado, meu querido... — Ela deixou as palavras escaparem sensuais e dóceis. Inocência e luxúria. Nossos olhos se encontraram. — Tudo bem, eu parei com seu ponto fraco. — Eu falei calmo. A coloquei na minha cama. — Boa noite, esposa. Amanhã iremos a Terra. Tenha uma boa noite de sono.              
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