Tudo o que é meu é seu

1146 Words
  Quando acordou de manhã o cheiro de waffles impregnava o quarto. Estava dolorida e ardida, suas costas pareciam terem sido moídas e seu pescoço picado por duas abelhas e os ferrões de ambos enfiados na sua artéria. Ela sentou-se de imediato na cama king size, trôpega e zonza pela perda de sangue, sem ter tido o sangue dele em troca como ele prometeu. O odiou por ter invadido a única parte que gostaria de ter deixado intacta para Kai e ainda deixado aquela marca no seu pescoço como prova.  Teve a visão Aldahain sentado, usando um elegante terno preto com sobretudo, atrás dele o janelão de vidro que dava para outro prédio que quase bloqueava a luz do sol.  Arqueou a sobrancelha ainda embasbacada com a figura dele. Demi se sentia inquieta em saber que eles dois partilhavam o quarto e dormiam juntos como ela queria ter feito com Iker antes. Como quis com Kai depois. Mas agora aconteceu com aquele que deveria odiar por ser o mais sombrio ser com quem já havia cruzado caminho. Demetria se odiava por querê-lo, por partilhar a mesma essência sombria que ele e, ao mesmo tempo sentia que havia na relação deles algo que era completamente novo,  que nunca experimentou antes com ninguém, isso a assustava, essa certeza de que ele não iria feri-la apesar de ser capaz de matar sem piedade. E então viu sobre a mesa uma mesa bem posta o pote de sorvete de creme e a cobertura de chocolate. Lambeu os lábios. Demi tirou o lençol de cima de si ignorando sua nudez, pegou a camisa dele que continuava no chão e a vestiu, dando em seus joelhos.  A camisa de cor branca contrastando contra sua pele pálida. Foi até a mesa luxuosa com pés de madeira envernizada e coberta com uma folha de vidro quadrada. Era uma bonita mesa de café da manhã, que moldava um dos quartos que tomaram para si e analisou a comida que desejou na noite anterior.  Aldahain já estava sentado comendo também seus ovos com bacon e copo de suco de laranja habitual. Os olhos de ambos se encontraram. Ele continuava na forma original dele. — Bom dia, mestre. — A moça o cumprimentou ainda focada no sorvete. Aldahain desviou o olhar dela vestida em sua camisa. Ele apenas a mirou muito rapidamente, focou-se em sua comida e a fez um movimento solene com a cabeça. — Sente-se e coma, criança amada. — Solicitou dela ainda sem se permitir contemplá-la. Demi pensou que o jeito que se tratavam mudava de acordo com o humor dele. Antes era só o frio “ serva” agora havia mudado drasticamente para “ criança amada”. Ela o estudou, o sol mínimo que entrava das cortinas abertas e que o outro prédio não bloqueava batia no cabelo azul fazendo parecer ser parte do céu. Ela o estudou atentamente e soltou um profundo suspiro sentindo a marca de mordida em seu pescoço doer já que ele não a curou. E soube só agora que ele tinha presas também, talvez tão afiadas quantas as garras brancas  que eram suas unhas. Demetria sentou-se à mesa, e começou a se servir animada, pegando uma tigela colocando um waffle dentro, servindo-se também de uma bola do pote de sorvete com a colher especialmente para sorvete, então viu os morangos e o chantilly, pegou-os colocando na tigela e para finalizar  a calda de chocolate. Então pegou uma colher e começou a comer.  Aldahain cessou sua refeição, mas continuou junto a ela, ele a assistiu parando com os próprios talheres enquanto Demetria devorava a comida, sonhadora. E ela fechou os olhos em apreciação. “ Você é fofa quando quer, pequena rainha” Ele pensou isso inevitavelmente. “ Parece uma criança agora. E não uma defensora voraz e uma rainha solitária. Queria te ver sorrir mais.” — Em Tretagon não temos sorvete. — Ela comentou puxando um assunto com ele, apesar de parecer mais conversar consigo mesma.  Os modos elegantes de rainha perdidos, longínquos quase, e apenas uma adolescente lambendo a colher e falando de boca  cheia, se lambuzando e agindo conforme a idade que aparentava numa juventude despreocupada qe lhe foi roubada. . — No inverno dá para criar um creme parecido, eu tentei, mas... Não é a porcaria industrializada e gostosa desse mundo. — Ela explicou rápido e de boca cheia.  — Oh Deus! — Ela soltou um suspiro profundo e olhou para ele.— Como eu senti falta disso. As freiras me deixavam comer no meu aniversário, a irmã Inês me levava para uma sorveteria da cidade. Como sabia que eu estava desejando sorvete? Está me tratando como uma grávida, sabia? Ele não ousou dizer que podia ler a mente dela. — Você me puxou em direção a sorveteria ontem. Supus que quisesse sorvete então. — Inventou ele rápido. — Coma agora. — Obrigada por isso, querido. Aldahain se levantou do seu lugar, foi até ela. Com a mão grande segurou o queixo pequeno e delicado da sua menina e limpou a lateral da boca dela e a beijou sentindo o gosto gelado nos lábios dela.  Demetria tremeu e quando ele ia se afastar, o puxou pelo cabelo atrevidamente e deixou a língua encontrar a dele. Salivas. Ele mordeu o lábio inferior dela e o puxou. E Demi tremeu. — Hm... Aldahain olhou o sorvete. Ele pegou uma colher e passou no pescoço dela, lambendo logo em seguida arrancando uma risadinha dela. Então ele parou de lamber e a mordeu por cima da marca que deixou na pele dela quando sugou o sangue da moça. — Hm, mestre... — Outro gemido sublime dela. — O gosto no seu corpo fica ainda melhor, serva. Beijou o pescoço dela lentamente, chupando a pele sem piedade.   Demetria largou a colher de sorvete e focou-se apenas nele, olhou-o por um bom tempo. E então acariciou o cabelo dele e roçou o nariz no dele. Aldahain a pegou no colo. — Eu posso criar funcionários para trabalharem aqui para evitarmos ter que entrevistar pessoas. — Comentou com ela. — Não, isso seria assustador. — Demi não permitiu, negando com a cabeça agora com as pernas ao redor da cintura dele enquanto ele a carregava pelo quarto.  — Eu vou administrar esse hotel. Eu vou fazer da minha vida aqui, uma boa vida. Quero dizer, nossa vida aqui. — Ela falou tímida. Aldahain suspirou e analisou a vista horrenda pela janela. — Estive pensando que escolhi m*l nossa vizinhança. Estamos perto do museu das bruxas, mas... ainda sim, não sei se atrairá muitos turistas. — Deixe isso comigo. O hotel é meu afinal, não é? Foi o que disse. — Ela comentou o sondando. — Sim, eu disse. E é seu. — Ele comunicou a ela, dando uma mordida no lóbulo da orelha da menina. — Tudo que é meu é seu. 
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