Terra, 2019
POV SERPER
O sol deu seu último adeus e a noite já havia chegado. A v***a de Lucifer me encarou horrorizada enquanto tentava me dominar na mente. Ela achava o quê? Que eu era um do nono, oitavo ou sétimo escalão? Quanta prepotência. Eu era do primeiro e só ficava atrás de Lucifer um pouquinho. Mas isso porque esse mundo também o fortalecia.
Quando não conseguiu dominar minha mente com seus ataques psíquicos , seus ataques passaram a ser mais físicos com a magia vermelha faiscando de suas mãos e vindo com tudo para cima de mim. Admito que a Meretriz do Luci até que tem certo talento e me deu um esforcinho. E eu tomei a frente da menina ainda presa no carro quando vi que ela não acordaria tão cedo. Saquei minha minha flauta, a trouxe a minha boca e deixei meus dedos ecoarem na minha melodia sombria para o Pai. Consegui empurrar a v***a de Lucifer para longe e então fiz um campo de energia ao redor do carro para proteger a sacerdortisa. Sabendo que mesmo que estivesse mais forte pela incredulidade da Terra, eu ainda não estava no meu potencial total e talvez nunca o conseguisse depois que Demetria me venceu no nosso primeiro confronto.
O cheiro do sangue de Anne era fortíssimo. Emanava como uma fumaça doce de incenso no espiritual e tinha algo nele, algo de chamativo, uma pulsação quase espiritual para qualquer vampiro ou deus da carnificina que se preze. Era como o sangue mágico de Sarah e, logo eu soube que não estava só.
Desfiz o campo de energia parando com a flauta quando notei que havia um rapaz de cabelos escuros e olhos azuis chegando. Quando o fiz, eu o vi arrebentando a porta e tirando Anne do carro, os olhos dele cheios de ódio contra a estátua a nossa frente que se movia como humana.
— Demétrius, o filho rebelde. — A estátua disse impiedosa. — O que acha dessa casca que escolhi com o rosto daquela que um dia chamou de filha? — Lilith o provocou. — Soube que seu irmãozinho pereceu pelas mãos de Caim... Uma pena que Nik não me obedeceu até o fim. Tinha grandes planos para ele.
— Cale-se maldita. — O vampiro rosnou corajoso. — Você é apenas um demônio maldito que...
Antes que ele continuasse...
O belo ser de pele n***a e terno elegante e a vampira branca como a neve e de cabelos cor de ouro tomando a minha frente ao notarem que eu confrontava Lilith. Eu ainda não sabia seus nomes. Mas eles pareciam aliados de Anne. E notaram que eu estava com eles.
“ Quem é você?”
Ouvi algum deles penetrar na minha mente. Me senti inquieto por essa invasão. Esse poder era irritante e ele era um telepata mais poderoso que Kai. Soube que a voz penetrante era do moreno de terno e elegantes trejeitos. Sua pele n***a parecia reluzir dourada pela transformação, ainda parecia jovem, seu cabelo preto em cachos bonitos e viçosos. Era muito belo e solene aquele ali.
“ Eu sou um caído que não foi aprisionado no lago de fogo com Lucifer, meu nome é Ariel. E eu tenho pendências com Lucifer. ” Expliquei.
O respondi o mais simploriamente que consegui. Não era mentira era? Eu só não disse que eu brincava de serpente malévola em outro mundo. O maldito do Luci era mesmo péssima companhia. Claro que eu tinha que ter avaliado com quem estava andando. Mas eu era um cego e a ideologia do Luci sempre foi boa.
“ Eu sou Judas Iscariotes” O nome veio como um sussurro. “ Essa mulher ao seu lado é Pandora. E o vampiro ajudando Anne é Demetrius.”
Fiz um meneio de cabeça para Judas, grato pela apresentação, eu sabia seu grande pecado contra o Filho.
“ Anne nos avisou sobre você por telepatia. É só por isso que não vou mais fundo sobre quem é e suas intenções. Pandora é mais velha que eu, mas ela não tem o mesmo poder mental que o meu. Contudo, não a subestime. Ela é capaz de congelar corações sem precisar tocá-los.”
Formidável sua ameaça. Me virei para a loira ao meu lado. Sim, eu sentia a vibração fria que emanava dela como se o próprio inverno fosse ela.
E então surgiu ele, atrás da mãe. O homem dualista de cabelo preto e branco. Lilith se virou rápido pela potência que ele era, como se ao pisar no chão o mesmo vibrasse num nível espiritual, era impossível não sentir ele e sua vibração poderosíssima. Seus olhos saindo de nós para o homem de terno que eu reconheci como Prometeu. Prometeu... O Prometeu! Deus! Um dos cinco irmãos está mesmo aqui... O mediador. Ele agarrou o pescoço dela sem cerimônias, sem empatia, sem misericórdia.
E ela gritou.
— Me mate e matará todos os vampiros do mundo, sabia?
Era verdade. Eu sentia esse vínculo materno. Sim, materno, é essa a palavra, uma maternidade sádica que não podia existir sem ela estar viva seja aqui ou no inferno. Prometeu suspirou, ele sabia que o sangue dela era o núcleo primordial. Então me analisou. E deu um sorrisinho para mim negando com a cabeça.
— Por hoje você está liberada, prostituta do milênio. Mas se machucar Anne de novo, eu não respondo por mim. Nem que para isso eu tenha que me tornar o próprio pai e mãe dos vampiros comendo seu maldito coração oco e cérebro.
Ele disse calmo. Insondável. Sombrio.
Lilith apenas o mirou furiosa quando ele a soltou. Ela tremeu apesar de evitar demonstrar isso com sua máscara fria.
— Mas quando nos encontrarmos novamente, não serei tão misericordioso. — Avisou-a Prometeu. — Reuna sua escória, mas saiba que estaremos preparados.
Então ela fez um portal com as mãos e sumiu.
Prometeu veio até mim. Ele parou, me estudou e apenas me repreendeu:
— Não está onde deveria, Serper. Mas meu irmão está vindo até mim. Eu o sinto. E ele está livre como eu. Aldahain despertou porque você não está cumprindo seu papel. E é só por isso eu não te mato aqui e agora. — Ele comentou calmo.
Acabou me deixando como se eu fosse mera poeira no ar, indo até Demetrius e Anne. Me senti humilhado. Que maldito. Guardei a flauta me sentindo um tanto sem graça pelo olhar que todos me lançaram.
Engoli em seco. Prometeu podia mesmo me matar. Eu sabia disso. Eu assenti com a cabeça, tomando um suspiro e sentindo a brisa fria soprar no meu rosto e no meu cabelo. O ar cheirava bem aqui. Corrupção. Era esse o cheiro.
Então Prometeu, ele foi até Anne. A tomou dos braços do vampiro de olhos azuis bonitos que agora eu sabia ser Demetrius, que apenas o fuzilou com o olhar, mas era esperto o suficiente para nada dizer.
Os olhos indiferentes de Prometeu, de diferentes cores, tomando certa calmaria e bondade.
— Estão todos bem? — Perguntou-nos empático.
Todos nós assentimos.
Quando Anne abriu os olhos, Prometeu respirou aliviado.
— Ariel... — Ela perguntou por mim, me procurando com os olhos toda atordoada de um jeito que era bonitinho, quando me encontrou, ela respirou alivada e sorri para acalmá-la. — Ele tava comigo no carro... Nos vimos ela, a cara de Andreia, meu rosto... e eu... eu bati o carro que foi herança do Nik. — Explicou ainda desesperada e angustiada.
— Tudo bem. — Prometeu acalentou-a tocando-a no rosto e roçando o nariz no dela. — Está tudo bem com Ariel e agora com você. Acalme-se. Nenhum dos dois se machucou.
— Mas o carro do Nik... — Ela choramingou. — Ele deixou para mim e eu...
— É só um maldito carro. — Prometeu a repreendeu. — O que importa é você... você está bem, querida?
Ela assentiu. E só assim vi Prometeu respirar aliviado. Ele beijou a testa dela inúmeras vezes e lambeu o sangue fazendo o ferimento e o corte na testa sumirem. E todos nós pararmos de ansiar por aquele sangue. Eu não era vampiro, mas o gosto de sangue me era atraente. Era por isso que alguns faziam oferendas humanas a demônios com sangue, conseguiam nossa atenção.
— Pode me colocar no chão, sabe... Prometeu me coloque no chão, por favor. Temos um convidado.— Anne comentou, as bochechas rosadas, Pandora e Judas apenas desviaram o olhar com um sorriso cúmplice um para o outro. Já o tal de Demétrius, ele parecia homicida. m*l cheguei e já tem um triângulo amoroso — Eu posso andar sozinha...
Anne tinha conquistado o Prometeu, o mediador, um dos irmãos cósmicos. Isso era tão óbvio, ele era louco por ela. Era meio que desconcertante os assistir. O vampiro bonito de olhos azuis e cabelos pretos parecia realmente irritado pelo jeito que suas mãos se fecharam em punho os estudando, mas ele não tinha chance com a ligação desses dois, não mesmo. Prometeu começou a andar com Anne no colo ignorando o que ela disse. Eu meio que achei graça.
— Alguém trouxe um carro? — Ele perguntou.
Todos negaram com a cabeça. Deviam ter vindo tão rápido que se esqueceram que Anne era humana, quer dizer, não conseguia correr tão rápido ou se teletransportar. Prometeu deu um sorriso.
— Encontro vocês em casa.
E com Anne no colo, ele abriu um portal sem dificuldade com a mente e sumiu com ela no ar. Exibido. Mas ele acha que é só ele que conhece esse truque? Eu peguei a flauta, a toquei, a energia rubra a minha volta, segui a assinatura mágica dele e com minha flauta ecoando fiz o mesmo. E quando cheguei a propriedade, havia uma barreira. Eu deveria ter esperado pelos outros. Então havia na barreira uma menina com o cabelo loiro quase prateado alguns tons mais escuros que o meu e os olhos violetas, esperando. Formidável. Ela era linda. Seu rosto era como a de uma das divindades gregas que Sarah lia os livros no convento escondida.
— Prometeu disse para eu vir recebê-lo. Sou Artêmis. — Ela se apresentou.
Eu estava meio que perdido agora.
Ela tinha os olhos violetas de Kai. Tinha a postura de uma princesa. E então o garoto vindo pela estrada e com o mesmo cabelo e aparência da dela, apesar de num corpo masculino. Gêmeos. Ah, que perfeição.
Eu peguei a mão dela. E então consegui passar a barreira mágica da propriedade. Ela soltou a minha mão e segurou na do irmão e os dois me guiaram pela estrada de terra. Então chegamos. A mansão era imensa, era vermelha sangue. Havia um ar rústico e ao mesmo tempo antiquado. No jardim, o chafariz de água envolvido em hera e lodo.
Mas a mansão com luzes acesas e magnificamente ornada era convidativa. Eles olharam um para o outro e para mim.
— Bem-vindo a mansão dos Bulstrode. Somos seus anfitriões. — Os dois disseram ao mesmo tempo e sorriram um para o outro.
Eu meio que me inquietei com esses dois. Bonitos. Lindos. Atraentes. Sedutores. E a magia pulsava de cada poro de seus corpos e a marca de Caim que os fazia controlarem entidades como eu. Eram poderosos. Eram muito poderosos. A essência era do próprio Luci.
O garoto percebeu meu olhar. Ele jogou o cabelo loiro prateado para trás charmoso com a mão e olhou para mim sugestivo, com um olhar atrevido e lambeu os lábios. Eu realmente não estava buscando uma aventura ou outra... Mas ele e a irmã dele eram realmente uma coisa difícil de explicar. A menina limpou a garganta, parecia ciumenta pelo modo que o fitou e então a mim me analisando de cima abaixo e dando um suspiro. E tomou a mão do irmão dela o puxando para dentro. E eu os segui ainda hipnotizado pelo modo que o preto de suas vestes os fazia ainda mais fascinantes. Ela usava um lindo vestido preto, colado ao corpo e curto que valorizava seus quadris e ele uma calça social, camisa preta de gola v e jaqueta de couro.
E então, antes de entrarmos o garoto dispensou a irmã soltando a mão dela. Ela parou ao sentir que ele soltou a mão dela. O estudou profundamente magoada. A menina apenas bateu o pé emburrada, mas seguiu em frente e nos deixou a sós.
— Você definitivamente não vem sempre aqui. — Ele comentou. Ele caminhou a minha volta me estudando, me avaliando, nós dois sentindo o campo mágico um do outro.
Eu sabia que esse era um flerte desse mundo.
— Não, não venho. — Confirmei o estudando.
— Hm... — Foi só o que ele disse sorrindo, como se saboreasse minha voz e a resposta. Ele era sem dúvida um dos bruxos mais interessantes que já conheci, porque a outra era a irmã dele. O que era Magda perto desses dois? Uma mera mosca. — Gosto do seu cabelo. — Ele comentou por alto. — É como se fosse feito da própria lua. Fascinante. Artêmis também achou, ela ficou vislumbrada quando te viu na barreira, eu senti, fiquei com ciúmes admito, mas quando cheguei e vi o que a despertou para homens novamente... Tive que te dar créditos. Mas mesmo fascinada por você, ela não admitiria isso em voz alta. Ela é mais velha que eu treze minutos e leva isso bem a sério.
Ele se aproximou me estudando. E quando não viu que eu me afastei, ele apenas tocou o meu cabelo e eu arfei. Seus dedos tinham certa magia. Ele inteiro era mágico. Mas então ele se aproximou como um sacrífico delicioso a mim. Como se eu pudesse fazer dele o que quisesse. Eu queria tocar sua pele pálida, seu cabelo, ouvir seus gemidos e sentir o seu abraço e calor. Eu queria tê-lo.
— Garoto, por acaso tem noção de com quem está lidando? — Eu resolvi tomar uma postura. Tentei ignorar essa necessidade latente que senti por esses dois bruxos, primeiro pela mão da irmã dele tocando a minha e então ele flertando comigo. Esse conhecimento da carne que os caídos têm. Eu tinha um objetivo afinal.
— Sinto seu enorme poder corrompido, meu caro. — Ele comentou por alto. Era reverenciador seu tom. Era respeitoso, elegante e sedutor. — Sou Dionísio. E aquela lá que você viu toda ciumenta é Artêmis. Não se preocupe, ela é um pouco ciumenta, mas logo se acalma... — Ele contou com os lábios perto dos meus. — Ela está assim porque te achou bonito e eu cheguei primeiro. Ela pode até não parecer, mas é tímida...
— Ambos não deveriam brincar com o perigo que sentem emanar de mim. — Comecei calmo. Eu realmente não queria novos amores. Mas esses dois eram só graciosos a um extremo que me perturbava e eram conjuradores de trevas e luz como Anne e Sarah. Apesar de estarem mais nas trevas e não negarem isso, eram bruxos orgulhosos de serem o que eram. — Garoto, eu sou a própria corrupção...
— Então eu sou alguém perfeito para você aplicar toda essa corrupção, ao contrário da minha priminha querida que você já conheceu, a Anne, eu não sigo o nazareno redentor e sou bem feliz como sou, apesar de sempre protegê-la por ela ser minha família. — Havia algo de honroso nele, que mesmo que os dons dele fossem das mais profanas profundezas do inferno, ele defenderia com afinco a prima dele. — Com Artêmis, ela é mais ... digamos que difícil... sugiro que aplique o seu charme. — Ele se ofertou sem cerimônias, me cedendo uma piscadela charmosa. Sem a dúvida de Kai, sem medo de mim ou do poder que deve ter sentido. E a irmã dele já era poderosa por si só, ela sentiu meu poder, mas não foi por isso que me quis perto. Ela já tinha um familiar e era bem mais forte do que eu.
Eu me contive para não beijá-lo.
Sorri. Mas me detive de tocá-lo. Então ele apenas colocou a mão no meu ombro e aproximou o rosto do meu, roçando a boca na minha.
— O que? Não curte homens? Prefere Artêmis? — A voz dele estava um tanto decepcionada.
— Os dois me agradam. — Comentei calmo.
Ele mordeu o lábio inferior ganhando ânimo pelo modo que os olhos se iluminaram.
— Certo. Isso é perfeito. — Ele comentou. — Artêmis não fica com raiva de mim e você pode satisfazer nós dois. Mas aviso logo, minha amada Artêmis não gosta muito de homens esses tempos. Isso está relacionado com um babaca da nossa faculdade, que eu matei com meu dragão de fogo por ter a magoado. Eu amei ver o garoto queimando. — Ele avisou-me frio e sombrio. — Ninguém pode magoar a minha irmã. Mas ela faz raras exceções com nossa raça vil como ela diz. E ela te achou bonito e lindo, tanto que eu quis te ver com meus próprios olhos. Mas ficou irritada comigo e com você agora. A quer também então?
— Como eu disse, os dois me agradam. — Eu repeti. Novamente, ele sorriu.
— Certo. Assim fica tudo menos complicado. Odiaria brigar com minha amada por um homem, ou demônio... o que quer que você seja. — Ele constatou feliz. — Melhor ainda. Vou falar com ela sobre você. Mas esteja ciente de que se quer ter os dois, não pode ter mais ninguém. E se magoá-la, eu posso não ter seu poder, mas eu vou lutar com você. — Ele falou calmo, sem raiva ou ciúme. — Mas por enquanto, até ela ceder, e para pagar sua hospedagem, se divirta um pouco comigo... Garanto que não vai se arrepender.
Então a mão dele deixou meu ombro.
— Você é bem intenso, não é? — Questionei. Eu quis dizer promíscuo. Mas me detive a tempo.
— Não gosto de perder tempo com jogos de interesse. São excitantes. Mas você me fodendo é mais excitante que ficarmos jogando charme um com outro, não acha? — Me indagou se divertindo.
— Sim. — Confessei.
Ele apenas sorriu. Com magia abriu a porta dupla de madeira e eu o segui para dentro.
Estavam todos lá. Eu me mantive quieto. A garota loira que me recebeu me analisou, mas desviou o olhar tímida. Já o garoto me comia com os olhos. Judas, Pandora, Demetrius, Prometeu e Anne.
Havia uma mulher no chão morta.
Eu não fazia ideia de quem era. Anne parecia apenas confusa, lágrimas se formavam em seus olhos, mas não conseguia de fato derramá-las.
Então Artêmis foi até ela. E beijou a testa dela. E a tomou em seus braços.
— Vamos fazer o funeral e enterrá-la com os ancestrais como deve ser feito. Cuidamos disso, amada. — Artêmis consolou Anne. — Não se preocupe com nada, querida.
Dionísio também foi até a prima colocando a mão no ombro dela.
— Eu não consigo nem chorar. — Anne admitiu aos primos que eram sua família um tanto envergonhada. — Ela era minha mãe e eu não consigo sequer chorar... Me questiono se isso faz de mim alguém ruim...
Antes que Artêmis dissesse algo, eu vi o tal de Demétrius soltar um suspiro. E os olhos azuis dele se encontraram com os de Anne.
— Sabe que não faz. — Consolou ele. — Sabe que não tem que chorar por ela. Não depois do que ela fez com você. Não se sinta culpada por não conseguir amor de alguém que nunca te deu amor. Você tem a todos nós. Estamos com você.
Nossa. Isso era que era união tão estranha, a luz dela uniu todos eles mesmo pertencendo a escuridão como eu. Admito que me comovi um pouco. Prometeu foi até Anne, a ofertou um abraço e ela o abraçou de volta como se ele fosse o seu mundo. Realmente o vampiro ciumento não tinha sequer chance com ela. Eu os assisti quieto. Havia algo ali profundo. Difícil explicar.
Outra vez, ouvi o tal de Demétrius suspirar. Mas me foquei no loiro que apenas conversava com a irmã dele algo sobre como lidar com o corpo. E Artêmis apenas fez um feitiço fazendo com que a magia verde saísse de sua mão e o corpo fosse movido para algum lugar fora da sala.
Judas me analisou, mas nada disse. E muito menos Pandora.
— Você precisa de um quarto, não é? — Anne foi quem quebrou o silêncio, quando o corpo da mãe dela sumiu. Me perguntei se deveria dizer algo.
— Eu agradeceria se me hospedassem. — Confirmei.
Essa casa era bem protegida.
— Claro. — Dionísio disse para mim. — Temos vários quartos. O quarto ao lado do meu é com certeza perfeito para você.
A loira estonteante apenas foi até ele o abraçando e evitando olhar para mim. Dionísio a abraçou de volta protetoramente. Ele beijou o rosto dela, então roçou os lábios nos dela e sussurrou algo no ouvido dela. Que fez a raiva dela diminuir e ela apenas assentir com a cabeça. O poder dela era mais forte que o do irmão, apesar dela ser mais contida do que ele quanto a isso.
Anne ainda era abraçada por Prometeu.
Eu estava com eles. Flertando com dois deles. Como alguém no exército deles. Isso era tão estranho considerando que eu já fui algo contra o que sacerdotes e sacerdotisas se uniram para lutar.