POV SERPER
Eles me cederam um bom quarto e, o belo Dionísio foi minha companhia por boa parte da noite se deitando junto comigo e tocando meu cabelo, então desbravando o meu corpo e quando nós dois estávamos no ápice da paixão da carne, ele me deixou tomá-lo e aliviar-me e depois deixei que ele também me tivesse com sua força juvenil. Mas por que a assinatura dessa família se iguala a de Lúcifer? Isso me aterroriza.
Havia uma cama de casal feita de mogno e um guarda-roupa preto com detalhes incrustrados, uma penteadora do mesmo material da cama e do guarda roupa. Um janelão que abria para uma sacada cuja vista dava para a floresta horrenda e uma porta de mogno que levava a um banheiro.
E enquanto os avós de Anne, os tios e o pai dela cuidavam do funeral da mulher que descobri ser chamada de Morgana, eu me mantive quieto no meu quarto encarando o teto com uma pintura horrenda do Inferno de Dante, Dionísio será? m*l nos separamos e ele já voltou.
Quando abri a porta, deparei-me com ela. A beldade de rosto bonito de boneca, olhos violetas como o de seu irmão e cabelo loiro quase prateado. Ah, formidável. Eu poderia observá-la para sempre. E isso para mim é um bom tempo. Só que hoje ela usava uma calça folgada, uma camiseta do que sei ser uma banda de rock e o cabelo longo antes cacheado estava liso e cortado até o ombro num novo visual que a discernia muito do irmão e a deixava mais destacada.
— Oi. — Ela sussurrou com sua voz clara, rouca e levemente madura. Ela tinha uma beleza andrógina ligeiramente fascinante nesse instante.
Usava preto como sempre, mas parecia ser um pijama. Analisei-a. Estava descalça. Os pés pequenos no piso de madeira. Ela era baixa para mim, apesar de que mais alta do que Anne e Demetria. Notei suas unhas curtas com o hábito de roê-las estavam pintadas de preto.
— Oi.
As bochechas dela ganharam violenta cor com minha resposta. Então seus olhos violetas mesmo hesitantes pousaram em mim.
— Está com fome? Meu amado Dionísio está fazendo panquecas para mim... Anne saiu cedo com o pai dela para olhar os caixões. O clima na casa está sombrio e pedimos desculpas por isso. Mas se quiser comer, eu te acompanho até a cozinha... — Começou calma.
Tive vontade de tocar o rosto oval dela. De fazê-la me olhar. Dela sentir a escuridão que eu sou. Mas a verdade é que mesmo Dionísio também sendo um bruxo orgulhoso de sua herança mágica, sendo poderoso, e todo o resto da família deles também, Artêmis estava em outro patamar sombrio que talvez ninguém nunca tivesse identificado. Mas eu sim. Eu era um caído afinal e nela havia tantas trevas que quando eu sentia o cheiro dela, eu ficava atordoado. Ela era a pessoa mais sombria com quem já tive contato. Era uma profunda escuridão, algo existencial. Ela não cria nos deuses que evocava, ela não cria em nada mesmo vendo demônios e anjos. Ela era sua própria fonte de magia e não seu familiar, uma magia instintiva da própria alma atordoada que alertava sobre perigos sem influência externa, ela era como uma antena que captava o sobrenatural e a escuridão e, inconscientemente essa talentosa bruxa não era dependente de ninguém e se alimentava dessa sombra da humanidade como eu.
— Panquecas? — Eu perguntei, é uma comida, eu acho. Mas seria estranho eu a perguntar que tipo de comida é. Ela assentiu e desviou o olhar do meu e deixou o dedo deslizar num detalhe da parede vermelha sangue da mansão.
— Eu gosto de doces. — Ela explicou calma quando eu nada disse. — Mas sou péssima cozinheira. O fogo é o elemento do meu irmão, transmutar alimentos através dele é um talento nato dele. Me dou melhor com água, então se algum dia precisar de gelo no seu refresco ou algo relacionado a isso, sou sua. — Ela falou isso levemente. Claro que o elemento dela seria água, a água maleável, indomável, que pode ser um pacífico lago ou um mar tempestuoso que afoga homens. Dionísio era mesmo bem fogoso e passional. Ela era misteriosa. Os olhos violetas dela no dedo na parede contornando o relevo de desenho. — Mas se você não gosta de coisas doces, Dionísio fará o que você desejar. — Ela garantiu. — Ele gosta mesmo de cozinhar. Inclusive para você que é amante dele. — Ela murmurou e vi um leve crispar de lábios dela.
— Ah, que bom que ele gosta de cozinhar para seus amantes. — Eu a provoquei um pouco. — Estou mesmo com fome.
Senti a raiva dela. Ciúme de mim ou dele, eu não sei ao certo. Deve ser dele. Eu sou a ameaça que paira no relacionamento deles.
Toquei o rosto delicado dela. Contemplei o arco infantil de sua boca, seus olhos violetas ingênuos quase se comparado com os do irmão dela que conhecia bem os segredos da luxúria.
— Você ainda tem o coração dele, minha criança. — Acalentei. Os músculos retesados dela relaxaram, eu percebi. — Eu só tenho o corpo. — Acrescentei. Num ímpeto e intoxicado pelo cheiro dela, eu beijei sua bochecha. Vi a raiva dos olhos dela cessar de imediato.
— Você não se importa? Não vai tomá-lo de mim? — Ela questionou, a voz insegura. Os olhos cheios de lágrimas.
— Não vou toma-lo de você, coisa linda. — Garanti sentindo a angústia dela e a dependência que ela tinha dele. Eram afinal uma só alma dividida em duas. — Como poderia? Vocês estão juntos desde o nascimento. Partilharam o mesmo útero. Vocês têm um vínculo inquebrável. Eu sou só alguém bonito com quem seu irmão se alivia. — Falei calmo.
— Ele não é assim realmente. — Ela disse calma.— Ele deve gostar mesmo de você para ter te seduzido. Ele não é promiscuo como parece. É só que... Ele não sabe como... como se relacionar sem ir direto ao ponto. O fogo da natureza dele é muito forte.
— Eu sei. — Garanti.
Ela roçou o nariz no meu, carinhosa. E então quando eu não me afastei, ela beijou minha bochecha timidamente. Não consegui me controlar a tempo e selei minha boca na dela. Foi um choque. Ela me drenou e ao mesmo tempo me fortaleceu. Era uma troca quase.
Então, eu parei o selinho sem aprofundar. E nos olhamos por um longo tempo.
—Você não é um vampiro milenar como Judas, Ariel. — Ela comentou sem choque, ela pegou minha mão. — O que você é? Um demônio? Uma pequena divindade sangrenta?
— Não e sim. — Comentei calmo. — Mas antes eu era um caído.
— Como os da mitologia cristã de Anne? Os anjos que caíram com Lúcifer?
— Sim. — Confirmei.
— Compreendo. Um demônio então. — Comentou ela mais consigo mesma. Movi a cabeça num sim somente.
— Sabe, nenhuma das pessoas que Anne tem perto são exatamente o modelo a ser seguido pelo Deus que ela acredita. — Ela comentou calma e sem deboche. Era só uma observação. — Tirando o garoto de Judas, o maldito exorcista escolhido pelo arcanjo Miguel e blá blá blá.
Miguel escolhendo um humano para proteger? Ele, logo ele. Ele que é indiferente a tudo que os humanos fazem e os considera basicamente vermes.
— Um exorcista? — Perguntei.
Ela assentiu.
—É, que não é só um mero exorcista, como o garoto tem Miguel como seu protetor e canaliza o poder do anjo dele. — Ela me disse calma. — Matthew é de todos nós o mais perigoso para você se formos considerar isso. Anne é conformada que existe bem e m*l nesse mundo. Mas ele é digamos que um expurgador das trevas impetuoso que só nos suporta porque Anne é amiga dele. E mesmo que se relacione com um vampiro, não parece apreciar muito os bruxos o que dirá demônios como você.
— Qual o nome dele? — A perguntei.
— Matthew. — Respondeu me estudando. — Realmente bonito num primeiro olhar. — Ela comentou ligeiramente bem pensativa e isso me irritou. — Mas odeia a todos nós, todos nós nas sombras, tirando Judas e Anne. Essas são as únicas exceções dele. Judas por ser por quem ele está violentamente apaixonado. E Anne, porque abdicou de ser uma bruxa pelo Deus que ele segue.
— Hm... Então eu definitivamente tenho que tomar cuidado com o protegido de Miguel. — Comentei tendo a atenção dela. — Ele vai me odiar fácil fácil.
— Não se preocupe. Ele vem aqui para ver a Anne, mas essa é uma zona neutra por causa de Prometeu. Com Prometeu perto ninguém pode julgar ninguém. O garoto tem uma língua ferina, então não deixa ele te descontrolar ou vai conseguir Judas como seu inimigo.
Concordei.
Ela pegou minha mão e me puxou escada a baixo. Vinculei minha mão a dela, passamos pela sala, fomos até a cozinha. Dionísio estava lá cozinhando. Que visão ele era.
— Minha amada cortou o cabelo... — Ele comentou e veio até Artêmis e beijou os lábios dela. — Ficou ainda mais linda, querida.
Ela deu de ombros e sorriu para ele. Então ele selou os lábios nos meus e se demorou e eu correspondi seu impetuoso beijo de ardor juvenil. Ele gemeu.
— Por que demoraram tanto? Estavam fazendo alguma coisa? — Dionísio arqueou a sobrancelha para mim.
Neguei com a cabeça.
— Ela só estava avisando sobre o exorcista. — Eu comentei.
— Ah, o escolhido arrogante do arcanjo Miguel? — Debochou Dionísio revirando os olhos. — Realmente bonito, mas um pé no saco se quer saber. Todo arrogante por ter poderes. — Dionísio revirou os olhos. — Não sei como Judas o suporta.
— Judas não só o suporta, como é louco por ele, meu amado. — Comentou Artêmis rindo e sentando-se no banco de frente para a bancada onde havia um prato com panquecas, creme branco e morangos. Ela começou a comer elegantemente. — Mas é isso o que eu chamo de boa ironia. Matthew se não fosse por Judas seria ainda mais irritante. Ele não é como Anne que respeita quem somos.
— Sim. — Concordou o loiro.
Então seus olhos saíram dela que já estava servida e vieram para mim.
— Posso te servir algo, meu amado? — Questionou afável e solícito. Ele tem uma sensualidade mais apelativa que qualquer mulher. Ele veio até mim, ajeitou minha túnica, os dedos no meu ombro varrendo uma poeira imaginária. E então deixou os braços descansarem no meu pescoço e eu acariciei seu cabelo bonito, fascinado por ele. Lembrei-me de seu tronco nu e seus gemidos e senti a antecipação da minha carne clamando por ele e seu corpo atraente e sua essência de fogo.
Artêmis desviou o olhar de nós focando-se na comida.
Eu beijei o irmão dela, languidamente, e puxei seus lindos cachos vendo-o mordendo o lábio e me estudando com devassidão. Senti ele duro contra mim. E parei o beijo de língua estudando seus olhos violetas satisfeito. Ah, eles dois vão me enlouquecer a esse ponto. Ele com a carne, já ela com sua conversa e sua inocência que num instante parece não existir, mas está lá no fundo de seus olhos e além de suas roupas provocantes e jeito determinado de agir.
— Meu apetite está em algo agora que não acho que esteja no menu. — Sussurrei no ouvido dele.
Ele riu pelo flerte.
— Hm... Veremos. — Roçou o nariz no meu. E mordeu minha orelha. — Quer tentar algo diferente hoje... Você comanda. Eu só te obedeço.
Artêmis continuava focada na comida, mantendo o ritmo calmo apesar de eu captar o rubro de suas bochechas.
E por alguma razão, eu quis que ela visse. O peguei do chão, o sentei na parte vaga da bancada e desabotoei sua camisa de botões beijando a pele dele, os estalos horrendos ecoando com minhas marcas ficando em sua pele. Dionísio gemeu sentindo minha mão contra sua pele. E então quando eu tinha seu peitoral desnudo, minha mão o acariciou e eu o ajeitei entre minhas pernas. Eu queria fodê-lo na frente dela.
Ele puxou meu cabelo e sorriu.
— Aqui. Me fode aqui. — Ordenou. Eu senti essa coisa primitiva dentro de mim. Essa coisa humana. E então eu desfiz a parte de cima da minha túnica, deixando meu peitoral exposto e Dionísio me tocou.
Artêmis apenas continuou comendo fingindo que nada acontecia. Maldita.