POV KAI
Sarah estava num belo vestido azul escuro rodado, com um decote quadrado. A cor sombria que se assemelhava quase a preto e contrastava contra sua pele pálida. Os sons dos dedos dedilhando as cordas dos instrumentos musicais e das vozes ecoando distante, do vento soprando e das velas queimando era sempre uma cacofonia absurda. Me foquei só nela acabando com o mar de desconforto dos vários sons e diferentes ondas de pensamentos. Acabando também com o mar de pensamentos de assombro que me cercavam.
Ela estava recebendo seus convidados junto a Alexander e Kiera, no jardim enfeitado para a festa, havia várias estátuas da guardiã da Pátria dela que era a imponente Fênix. O ódio de Kiera pela própria filha era assombroso e desconfortável. Claro que a rainha não sabia quem Demetria era, mesmo assim era algo doentio sua raiva por ela.
Havia uma tiara prata em sua cabeça pequena, os fios curtos dela se destacavam ao contrário dos longos das outras mulheres. A coroa era delicada e pouco ostentosa. A coroa ornada com várias pedras escuras diminutas que eram pérolas negras.
O baile acontecia ao ar livre sob a luz da lua agourenta e de lamparinas a óleo em lugares estratégicos do improvisado salão de baile cheio de mesas e toalhas de seda . Iker estava ao lado de Sarah, compenetrado, de braços dados com ela e mais atrás havia uma criatura com a aparência de fada como a própria Sarah, baixa de cabelo acobreado, corpo jovem e enganosamente infantil, que a seguia e cuja paixão e ciúme por Sarah era desconcertante. A menina cativante e ciumenta como Nicolas tinhas olhos verdes escuros e profundos. Cinder. O nome da adorável moça cuja vestimenta era nobre e branca como a de uma noiva destacando uma pureza falsa já que ela já fora usada das mais perversas formas por homens. E seus pensamentos eram uma torrente poderosa de liberdade e gratidão por Sarah ter sido sua libertação da humilhação e estupros frequentes.
Morgana, Nicolas, Mel foram os únicos que trouxe comigo, mesmo que os outros gritassem e exigissem vir. Nicolas trajado com os meus melhores trajes de festa da moda fenitense que se resumia a camisa de algodão, por cima uma casaca com várias abotoadoras douradas, calças escuras de linho e um par de sapatos lustrosos.
Morgana com um elegante vestido vermelho que rivalizava com o de Sarah, saindo do liso tecido que evidenciava suas curvas, para o ligeiro volume da saia fenitense. E Mel que era a beleza infantil fascinante com seu vestido rosa rodado seguindo a moda de Fenit e a boneca de madeira que Nicolas fez para ela em mãos mesmo tendo várias outras bonecas cuja beleza superavam aquela simplória forma de madeira que cativou seu coraçãozinho infantil e que ela amava como a Nicolas que por ter bebido o sangue de sua mãe sombria agora era seu amado irmão mais velho.
Troquei um olhar com Sarah que permanecia de braços dados com seu pomposo príncipe draconiano de túnica de seda e fios de ouro com o emblema do dragão dourado. Sondei os pensamentos de minha amada Sarah e estavam na linguagem que não pertencia a Tretagon. E então eu cumprimentei Alexander, a maldita rainha dele que não se dera conta de odiar a própria filha e fui até minha Sarah.
Beijei seu rosto num cumprimento atrevido. Os olhos escuros dela se encontraram com os meus e ela saiu de sua atitude fria de imediato como se tivesse se esquecido do que a deixou irritada comigo.
“Senti saudade. Não vamos mais brigar. Te quero como meu aliado como antes. Nunca como meu inimigo. Não suportaria te ter como inimigo. ”
Ela começou angustiada e deixou escapar, apesar de, novamente, me irritar por voltar a pensar na língua que me era desconhecida.
Eu gostava dela aberta a mim, pronta, exposta, desnuda, que me deixasse saber seus desejos e vontades juvenis.
A imagem dela com a moça de cabelo acobreado vinha a minha mente freneticamente e eu sei que esse impulso era sem querer. Era algo íntimo dela. Ela estava descobrindo que também apreciava mulheres ainda.
Segurei minha vontade de tocar com meus lábios seus cílios, sua pele e sua boca.
“ Senti saudade, meu doce amor. Jamais serei seu inimigo.”
Os olhos dela se encheram de lágrimas como os de minha Morgana a qualquer demonstração de afeto mais humano. Eu sorri ao ver o quanto ela ficou afetada, o coração dela rufando desesperadamente e suas bochechas coradas. A estendi minhas mãos como era comum a minha espécie. Ela tirou sutilmente o braço do de Iker e me abraçou como o protocolo pedia.
Era um gesto real de Fenit, não era estranho. Era o educado a ser feito com alguém que era séculos mais velho . Ela fez o mesmo com Morgana que apenas sorriu para ela discretamente.
Mel foi até Sarah, puxando a saia do vestido dela surpresa por ver uma princesa de verdade e com os olhinhos arregalados. Antes que Morgana se desculpasse, Demetria pegou Mel nos braços e a ninou com notória experiência. Captei um nome em sua mente. “ Lie”
Morgana a mirou admirada por ela realmente não menosprezar Mel por ser uma serva de nascimento baixo. Sarah beijou o cabelo de nossa protegida. Então quando um servo passou com uma bandeja de doces, ela arrebatou um e o estendeu a Mel.
Mel pegou com as mãozinhas pequenas:
— Obrigada, alteza. Você é a primeira princesa que eu já vi e com certeza é a mais bonita.
Demetria sorriu toda derretida, tirou a tiara da cabeça e colocou na dela.
— Você também é uma princesinha muito linda. — Acalentou e roçou o nariz no de Mel. Ela a devolveu a Morgana. — Sua criança é muito educada e linda.
Morgana a desejou naquele instante em que Mel voltava para si e devorava o doce. Eu senti o fluxo de seus pensamentos saírem de sua devoção a Nicolas momentaneamente. Mas foi algo rápido.
— Separamos quatro servos para vocês aproveitarem o banquete como todos nós. — Alexander declarou, ele limpou a garganta visivelmente desconfortável.
Eu assenti.
— Agradeço. Mas não é necessário. Já nos alimentamos bem antes de seguirmos viagem.
Meus olhos voltaram-se ao de minha Sarah, meu coração que não batia, parecendo estar rufando dentro do meu peito sendo uma mera impressão. Beijei o príncipe dela no rosto, lindo, meu estilo. Realmente bonito o maldito. Ele me fitou friamente. Os olhos azuis acinzentados quase petulantes. Senti seu desdém por mim. Ah, se ele soubesse que foi um de nós em outra vida, ainda teria essa atitude? Se ele soubesse que foi meu filho das trevas o que aconteceria? Ainda me olharia com tanta superioridade?
— Majestade, agradeço-o tanto por vir e nos agraciar com sua ilustre presença que transcende eras. — Sarah arrancou-me de meu rancor. De minha vontade de esganar esse cara com a palma das minhas mãos. Eu a odiei e a amei. Foquei-me nela totalmente. A moça atrás dela apenas me mirou com criteriosa avaliação.
— É, só espero que não haja nenhuma morte enquanto ele estiver aqui. — Iker murmurou cruelmente me lançando um olhar provocativo.
Eu o ignorei por respeito a Sarah. Apesar de minha vontade ser a de sufocá-lo até ele implorar que eu o deixasse viver.
Toquei o rosto de Sarah.
— Agradeço o convite, querida. Que sua vida dure muito e muito tempo. Que seu reinado seja longo. — Desejei.
“ Ele é bonito e a come com os olhos. Quer o sangue dela ou ela? ” Essa foi uma pergunta da adorável Cinder. Eu ri de lado.
— Sua filha é muito linda, Alexander. — Eu participei do jogo de minha Sarah, da minha criança amada. Se ela não queria ser Demetria, tudo bem.
— Ela é, não é? — Ele concordou feliz mirando-a.
Os olhos de Sarah se encontraram com os meus com certo humor. E ela murmurou movendo os lábios em silabas mudas
“ Você é impossível.”
— Me concede a honra de uma dança? — Eu estendi a mão para ela.
Sarah aceitou minha mão fria de imediato, ignorando a expressão sombria de Iker. A guiei até o gramado. Ela colocou a mão esquerda no meu ombro com o cotovelo perfeitamente inclinado, a direita junta a minha e eu a guiei. Logo, outras casais dançavam.
E então eu senti o aroma intoxicante do seu sangue. Sua carne moldando-se a minha como na noite em que brigamos.
Desejei dizer que não brincava com os sentimentos dela.
Mas antes que eu formulasse algo, o príncipe dela me afastou brutalmente. Notei só agora que a música tinha acabado.
Eu a analisei com ele. Minha raiva por ele só aumentando e ao mesmo tempo a paixão ao constatar sua aparência linda. Eles dois dançaram e ela parecia feliz. O que eu ainda fazia aqui?
Mas quando pensei em me afastar, senti a mão da serva dela em meu ombro.
— Pode dançar comigo, majestade?
Ela me salvou dessa situação constrangedora. Eu a guiei com meus passos. Ela tinha o cheiro de Demetria impregnado no corpo. Estava infeliz como eu. Então os olhos verdes dela se encontraram com os meus.
— Ela me pediu para dançar com você caso algo assim acontecesse. — Murmurou, resignada. — Pediu que eu fizesse companhia a você.
Eu assenti. A moça suspirou. Ela dançava muito bem.
— O príncipe ao qual sirvo, não merece tocar algo puro como ela. E mesmo assim ela que enxerga além, toca algo obscuro como ele. Por que? — Encarou-me. Era como se por eu ser mais velho ela esperasse que eu tivesse todas as respostas.
— O coração dela é dele. — Expliquei, cansado. A garota estava magoada agora.
— Mas ela gosta de você. — Acalentei. — Profundamente.
A moça sorriu. Era linda e delicada. O peito dela subia e descia rápido. Ela era um espécime muito frágil como sua mestra.
— Ela disse o mesmo para mim. Que me estima profundamente. Acha que ela me protegeria se o príncipe... se irasse contra mim?
— Sim. — Eu nem hesitei na resposta. Era como se eu soubesse quem Sarah era sem precisar de nada para me guiar.
A jovem garota selou os lábios nos meus. E então eu senti as defesas de Iker abaixarem comigo. E entendi o propósito do beijo dela.
— O jeito que olhou para ela hoje, o meu príncipe percebeu e se irritou. Se o dragão dele tivesse aqui teria te feito uma pilha de cinzas, majestade. E ao que parece a sua beleza fez de cativa a minha princesa e isso a deixaria triste. — Cinder explicou porque me ajudava. — Escute, ele é insano por ela. Quando ela chegou ao castelo, o príncipe tinha tanto ciúme dela que nem mesmo deixou que alguém além dele a tirasse da carruagem e a levasse para os aposentos, ele mesmo o fez. E só deixou o curandeiro Vermont que é meu pai tocá-la porque ela tinha febre. E assim que ela abriu os olhos, a deu seu bracelete, a escama do próprio Fedrer. Nem a deixou se recuperar e a tomou violentamente. Todos nós ouvimos os gemidos dela e dele ecoando na ala dos criados como se ele fizesse questão de dizer que ela era dele. E então me designou a ela como dama de companhia. Disse que eu escolhesse os melhores vestidos, joias e pinturas e que eu a tratasse como uma Lady.
— Por que está dizendo essas coisas para mim? — Questionei.
Ela deu um meio sorriso.
— Por que gostei de você e não quero que morra queimado pelo dragão dele. — Ela falou simplesmente. — É um rei e mesmo sendo conhecido como os deuses da carnificina, ainda é menos conhecido do que o meu príncipe em sua crueldade. Olha para ela como se a idolatrasse e não como se ela fosse um objeto bonito feito para expor e ser seu, mas como alguém que é linda e deve ser livre. Gosto do jeito que a olha. É o jeito que eu a olho.
Assenti. Toquei o rosto de Cinder, beijei a pele de sua garganta. E quando Iker olhou para nós senti que ele abaixou seu estado de alerta sobre mim completamente.
“ Que fique com a maldita serva e tire os olhos da minha princesa.”
Ele pensou isso de modo arrogante e petulante. Definitivamente, eu o odiava. O que por Relian, Sarah via no maldito? Era tanto ego e vaidade.
Quando a dança com ele terminou, Sarah veio até nós. Ela tocou Cinder no rosto como Morgana tocava Nicolas.
— Obrigada, querida. — Ela agradeceu dócil. — Divirta-se agora como quiser. E se alguém incomodá-la mostre por quem está protegida, meu amor.
— Seus segredos, são meus segredos e eu os levarei comigo para o túmulo, alteza. — Cinder garantiu.
Sarah roçou o nariz no dela. Senti o cheiro de excitação entre ambas me deixar trôpego. E os pensamentos de cada uma, uma se lembrando de como a outra soava quando inertes de prazer. Os gemidos de Sarah ecoaram tão nítidos. Eu estava e******o e ciumento. Mas não conseguia odiar Cinder quando ela era uma criança tão linda e amável.
Sarah ia tocar o rosto de Cinder com devoção, e Cinder mordia o lábio inferior ansiando por sua soberana, mas Iker surgiu perto de nós ao lado do bonito moreno e as duas se afastaram. Troquei um olhar com o rapaz ao lado dele, Iker realmente era lindo e me deixava sem ar, mas ele era tão distante. Me foquei no belo homem trajado de túnica dourada. E como Sarah, já tinha seus afetos, eu resolvi me distrair também. E me senti inquieto pela beleza impactante de sua pele morena e seus músculos fortes e olhos âmbar. Vince. Captei o nome.
Meus olhos percorreram o rapaz moreno e forte ao lado do príncipe arrogante. E captei seu encanto por mim com prazer. Nicolas estava distraído com Morgana e Mel, uma família quase se formava pouco a pouco. E eu estava tremendo por um novo amante para aliviar a morte que eu sou. E eu sabia que a garota de Sarah, mesmo sendo linda como uma fada, estava além do meu alcance porque minha natureza masculina a assombrava. Fui até o rapaz, e toquei seu rosto e senti seus olhos em mim.
— Meus olhos finalmente encontram algo no qual se fixar. — Murmurei em seu ouvido.
— Majestade, eu poderia dizer o mesmo.
Sorri com o flerte dele.
Iker apenas me analisou.
“ Por que esse maldito sempre quer o que me pertence? Primeiro minha Sarah e agora meu Vince. ”
Ah, certo. Ele é dele também, não é? Esse i****a que faz das pessoas objetos. Nicolas veio até mim então como se lesse o problema, tenho a ligeira impressão que foi Morgana que apontou. Ele selou os lábios nos meus me salvando da situação constrangedora. E de novo, o maldito do herdeiro de Dragomir baixou a guarda.
Toquei o cabelo de Nicolas realmente grato pelo momento perfeito de ser ciumento. Morgana acenava para mim também.
Beijei Sarah no rosto. E ela beijou meu rosto de volta. E nos despedimos assim.
...
Quando cheguei a Morgana, minha bela filha sombria estava com Mel no colo, Mel se empanturrava das tortinhas de limão com o rosto melado de creme. Selei os lábios nos de Morgana, puxei Nicolas para meu colo. Beijei ele lentamente e ele sorriu e me beijou de volta languidamente. Eu estava com vontade de fazer amor, inclusive agora que tinha Sarah tão perto e seu cheiro doce de rosas e algo único inebriando meus sentidos.
Sarah veio até nós já que Iker a soltou por eu estar agora com os meus. Ela tocou o cabelo de Mel, cujos olhos brilharam para a princesa que admirava.
— Estão gostando da festa, queridos? — Questionou a nós amorosa e simpática como fez com todos os outros representantes dos reinos e convidados. Alexander conversava com Rar, o regente de Ratifar.
— Sim. O reino precisa de uma princesa como você. — Foi Morgana que falou isso.
Sarah sorriu lisonjeada.
— Agradeço, querida. Bondade sua. — A modéstia de Demetria era sincera a um extremo que era desconcertante.
Morgana negou.
—Tenho certeza que é capaz de iluminar as trevas desse mundo. Seu sorriso é como o sol. Adoraria pintar você.
Demetria sorriu com as bochechas ganhando cor. Beijou Mel no rosto, acariciando os fios cor de ouro da menina. Então fez o mesmo com Nicolas que a analisava ciumento, com Morgana e comigo.
— Fiquei tão feliz de terem vindo e de terem aceitado meu convite. Devem ter ido há muitos bailes e deve ser entediante. Agradeço muito mesmo. — Garantiu-nos com sua honestidade desnorteante e os olhos escuros da lenda demonstrando toda sua força e bondade. A imagem dela inebriada de prazer com Cinder não me saia da cabeça. Cinder a tocou e a fez gemer alto. — Qualquer coisa, me procurem. E direi a alguém para trazer as tortas de maça para Mel. São as mais gostosas. Bem doces. — Acalentou e a menina bateu palminhas, Morgana moveu a cabeça grata. — E você, meu amor, tem algo que goste? — Ela perguntou a Nicolas, quase sedutora, e seus olhos estavam nos meus. Ah, Sarah.
O garoto no meu colo corou fortemente em ter a atenção dela. Ele não falou intimidado pela presença ilustre dela.
— Ensopado de carne. — Eu disse por ele que estava sem voz. — Ele gosta muito de carne. — Respondi pelo meu amado.
— Pedirei para trazerem então para o seu querido, majestade. — Ela falou formal, com um sorriso para mim. Beijou Nicolas na testa e ele deixou os olhos castanhos encontrarem os dela. — Não se acanhe, querido. Peça o que quiser. Tem algo mais que queira?
— Vinho. — Nicolas disse tomando coragem. Ela assentiu.
Então ela beijou meu rosto de novo demoradamente. Segurei a mão dela. Nossos olhos se encontraram.
“ Sua serva é linda.”
“ Cinder não é minha serva. É minha protegida.”
“ Por que esconde seus pensamentos de mim?” Eu perguntei.
“ Por que há certas coisas que seriam constrangedoras se você soubesse.” Ela respondeu.
Beijou Nicolas na testa, se despediu de Mel e Morgana e se retirou indo falar com outras princesas. Soltei um suspiro.
Pouco tempo depois, o ensopado de carne e o vinho chegaram em abundância na nossa mesa. Eu a mirei sendo beijada por Iker e gemendo para ele. Desviei o olhar. Então eu captei nos pensamentos dela.
“ Eu te amo, meu príncipe. E eu senti tanto sua falta. E eu fico tão feliz que agora você demonstre que também me ama. Eu vou ser sua esposa novamente.”
Meus olhos se encheram de lágrimas. Senti falta de ar Eu busquei por ar, num suspiro. Ignorando a dor no meu coração, eu vi Alexander puxar um brinde.
— À princesa Sarah. E a união de Iker de Dragomir e Sarah Fenit em matrimônio.
Meu coração se despedaçou. Ela sorria tão feliz. Por que estava feliz em se casar com o homicida arrogante? Ele humilhou tanto ela antes, ela me mostrou até sua primeira noite com ele sem querer. Ele já era um monstro como eu e a drenou enquanto a tomava.
Iker veio até mim. Ele analisou Nicolas no meu colo. O longo cabelo escuro dele e seus olhos azuis cinzentos e frios. Eu o odiava profundamente e ao mesmo tempo me atraia por ele.
— Devemos te esperar no casamento também, majestade?
Ele arqueou a sobrancelha, um sorriso de lado desdenhoso nos belos lábios e bebeu da taça de vinho.
— Se Sarah quiser minha presença e houver um convite... — Respondi assim.
Ele crispou os lábios e apertou a taça de cristal. Sua mente gritou quase:
“Maldito prepotente. Experiência de anos é? Um mero parasita sanguessuga que vendeu a alma. Por que Sarah diz que devemos ter respeito por eles? São meros chupadores de sangue?”
Eu ia realmente matá-lo agora. Então foi Sarah quem se aproximou, parando ao lado dele. Ela o beijou demoradamente nos lábios. Iker rosnou para ela, agarrando a cintura dela com as mãos e encaixando-a em seu corpo necessitado. E a puxou pelo cabelo enfiando a língua na dela com paixão visceral.
“ Minha, minha... minha esposa futuramente. Minha princesa. Minha futura rainha. A mãe dos meus filhos, a minha companheira... Tão corajosa, doce e linda. Não conseguiria passar um dia longe de você, querida. Eu te segui para esse reino para conseguir sua mão em casamento e abdiquei de uma promessa antiga por você. ”
— Meu amor. — Ela disse acalentadora. Roçou o nariz no dele. — Agora que eu finalmente sou uma princesa oficial, não tem mais desculpas para me rejeitar. O maldito papel comprova que serei útil a você. Não é disso que se trata um acordo de paz? Agora o tem e nosso noivado foi oficializado.
Ela estava provocante agora. A docilidade dela com todos se perdeu e ela se tornou uma sedutora nata e uma jogadora. E ela entrou no jogo dele.
— Sim. Você será útil. — Ele falou na frieza habitual.
Ela riu com se pudesse ler a mente dele e comentou consigo mesma mentalmente:
“ Esse i****a arrogante nem para mostrar que está feliz também. Mas tudo bem querido. Eu sei que está contente. Isso basta. Mesmo que não diga em voz alta e não demonstre, eu posso ver em seus olhos. ”
Então eu captei do principezinho arrogante:
“ Estou feliz que vamos nos casar, e que será você a sentar no trono comigo e dividir a responsabilidade da coroa, porque sei que com você o fardo se tornará mais leve e vamos ajudar um ao outro, Sarah. Você é forte, destemida, linda e guerreira. É impossível não se apaixonar por você. E eu soube que te queria desde o momento que coloquei os olhos em você. ”
Esse confissão do príncipe frio me fez a contragosto analisá-lo com outros olhos.