Marvila sorriu envergonhada. As pessoas do restaurante, chocadas, observavam os dois, que pareciam um casal feliz e apaixonado, com um bebê a caminho. Os dois saíram rapidamente do restaurante e foram para casa, nem foram ao advogado. Dom começou a falar sobre a cidade, as pessoas, sobre quem era legal ou não, falso ou honesto.
Ao chegarem em casa, ele disse que ia comprar tinta para começar a reforma. Marvila agradeceu novamente o almoço e foi deitar. As horas passaram e ela dormiu deliciosamente, descansando. Ainda era de tarde quando ela acordou com um barulho no quintal. Curiosa, ela foi até a janela e viu Dom. Ele estava sem camisa, apenas de calça, lixando um banco no jardim. Ela se encostou, surpresa com a definição do corpo dele e a barriga tanquinho. Sentiu-se segura para espiar e, curiosa, saiu do quarto.
Ao ouvi-lo martelando algo, ela se sentiu à vontade para explorar a casa. Tentou abrir a porta de um dos quartos, mas estava trancada. O outro estava aberto, tinha uma cama de casal e um guarda-roupa antigo, simples, sem lençol no colchão e sem cortinas.
Ela foi até o quarto de Dom. A porta estava aberta. Ela entrou, observando tudo. Abriu o guarda-roupa, esperando ver as roupas da falecida esposa, mas não encontrou nada. Apenas roupas sociais, camisetas polo e camisas estampadas. Ela cheirou o perfume dele e abriu as gavetas, olhando rapidamente. Em seguida, foi espiar o banheiro, que quase não tinha nada. Ela queria muito conhecer Dom antes do luto.
Marvila não percebeu que Dom subiu em uma escada e pôde vê-la perfeitamente, andando pelo quarto. Ele achou que ela estava fuçando, mas não fez nada. Quando ela chegou à vida dele, ele já havia escondido tudo o que não queria que ela ou outros vissem.
Marvila foi tomar banho, vestiu uma de suas roupas, uma camiseta curta e um short folgado, deixando a barriga um pouco à mostra. A fome a levou até a cozinha, onde descascou duas laranjas. Curiosa, saiu para o quintal.
Dom estava concentrado, parafusando uma janela. Marvila se aproximou, chupando a laranja.
— Você não trabalha? É que desde que cheguei, você está aqui em casa. Na sua casa. — ela disse, envergonhada.
— Não mais. — ele respondeu, sem parar de parafusar.
— Recebo um valor mensal da empresa da família. Já trabalhei como diretor executivo e em outras funções. Hoje não sinto mais vontade. Também tenho renda de casas de aluguel.
Ele a olhou, sério.
— E você? Trabalhava com o quê?
Marvila encostou-se ao lado dele.
— Em fábrica, mas não como dona ou em escritório, é claro. Eu fazia peças de plástico. Sua família é grande?
Ele respondeu que sim. Marvila foi se afastando.
— Vou fazer o jantar.
Marvila foi para a cozinha. O cheiro de frango cozido, arroz e feijão logo se espalhou pela casa. Ela preparou brócolis e uma salada de tomates, caprichando no jantar. Dom ficou no quintal até anoitecer, e quando ela terminou, Marvila o chamou, avisando que a comida estava pronta.
— Vou tomar um banho rápido. — ele disse, com um sorriso.
Ele logo voltou, se serviu enchendo o prato.
Enquanto comiam, sentados à mesa, o assunto do casamento surgiu. Dom, gentil e atencioso, garantiu que daria todo o suporte para que ela organizasse a festa de casamento que sempre sonhou.
— Não precisa se preocupar com nada. — ele disse.
Marvila balançou a cabeça, recusando a oferta.
— Eu não quero uma festa. Já acho um absurdo casar sem ser um casal de verdade.
Ele olhou para Marvila, sério, e respondeu que não abriria mão de se casar como deveria ser. Afirmou que, um dia, ela iria agradecê-lo quando o bebê crescesse e ela tivesse fotos e lembranças daquele dia.
Marvila terminou de comer em silêncio e foi para o quarto, sentindo-se contrariada e coagida. Não queria festa por vergonha e medo de ser julgada e apontada como oportunista. Dom, por sua vez, dormiu no sofá, imaginando como sua família iria reagir à notícia.
Marvila levantou de madrugada com fome e desceu para a cozinha na ponta dos pés, acreditando que ele estivesse no quarto. Começou a preparar um lanche, pão, queijo, salame, alface e ovo. O cheiro de fritura invadiu a casa e acordou Dom, que, sonolento, entrou na cozinha e a flagrou comendo em pé. Ela usava apenas um top e shorts, deixando a barriga totalmente à mostra.
Ela se assustou e arregalou os olhos.
— Te acordei? Me desculpa. Já vou dormir. — disse, com a boca cheia.
Ele se aproximou devagar.
— Não, sem problemas. Você tem que comer bem. Aproveitar tudo ao máximo. — ele disse, encostando-se de lado, evitando o contato visual por respeito.
— Está cuidando da barriga? Passando o óleo que compramos?
Ela disse que ainda não, e ele sorriu, nostálgico.
— Você tem sorte, a sua barriga está lisa e muito bonita.