MARIANA NARRANDO
Eu já sabia que seria um mês longe da minha família. Tive que preparar a grande mala e conversar com Rita, e explicar que viajaria a trabalho. Seria a primeira vez que ficaria longe do meu menino por tanto tempo.
Seriam trinta dias com um desconhecido. Eu estava pronta para essa aventura e, bom, talvez fosse divertido.
Dei um beijinho demorado em meu filho e acenei enquanto caminhava até um carro preto. Um dos homens me mostrou uma conta no celular, um comprovante de pagamento: 70 mil reais. Metade no começo, metade no final, como combinamos. Eu abri minha conta corrente do celular e lá estava o dinheiro. Aquilo me deu uma paz muito grande no coração.
Entrei no carro finalmente, mas o homem tatuado que me contratou não estava lá.
– Cadê o tal do Hannibal? – Questionei.
– Não pode sair de casa. Ele é um homem extremamente procurado... Não sabia disso? – Arregalei os olhos. O motorista soltou uma risadinha. – Você é a nova namorada do dono do morro do Inferno.
– Bom, de certa forma eu sabia, mas... Eu meio que achei que fosse brincadeira. – Soltei uma risada. Eles também.
– Ele é gente boa com as mulheres. Pelo menos com as namoradas... p***a, se eu fosse ele teria raspado a cabeça da Pâmela e ele deixou ela ir embora sem fazer nada. – O homem no banco do passageiro disse.
– É porque ele ainda ama essa mulher, gente. – Afirmei.
– É. Eles estavam há mais de quinze anos juntos. É meio complicado. – O motorista disse.
Cerca de meia hora depois, lá estava eu, no topo do morro do inferno. Aquilo parecia ter uma espécie de muralha, de tão difícil de atravessar. Já ouvi falar que aqui a polícia não entra. Que é um morro do c*****o.
– Bom, está entregue. Esse rapaz aí vai te levar pro chefe, porque daqui a gente não passa. Ah, ele pediu que eu te avisasse que é segredo absoluto que você não é namorada dele de verdade. Apenas eu, o rapaz aqui do lado, o Tubarão e ele mesmo sabemos.
– Não vou contar. – Desci do carro. Vi um rapaz bem tatuado, com short largo, cheio de anéis e uma camiseta bem larga também. Me aproximei dele e ele sorriu. – Você é?
– Tubarão. – Ele esticou a mão e me cumprimentou.
– Sou Mariana.
– Vou te levar pra casa do Hannibal. Trate meu amigo bem, hein? Eu vim fazer uma visita a ele, mas ele teve um imprevisto e pediu que eu te buscasse. Você vai conhecer minha noiva Laís, ela pode ser uma boa amiga pra você nesse período. E minha filha Vitória. – Ele sorriu. Tubarão é um cara bonito e simpático.
– Muito obrigada.
Andamos por alguns minutos e chegamos em uma casa que parecia uma espécie de fortaleza. Eu nunca imaginei que pudesse ter algo assim dentro de um morro. E entramos, com autorização de todos.
– Essa é a casa do Hannibal. Ele teve que sair, como eu disse, mas logo estará aqui. – Eu concordei com a cabeça e entramos na sala. Uma moça ruiva com uma bebê no colo estava sentada e sorriu ao me ver. Se levantou e veio até mim.
– Oi! Você deve ser a Mariana! – Sorriu de forma simpática.
– Eu mesma. – Respondi. Olhei para a bebê e ela sorriu também. Laís estava com uma pequena barriguinha, parecia estar grávida novamente. – Linda menininha.
– Obrigada. Foi promovida a irmã mais velha. – Laís passou a mão na barriga e sorriu para mim.
– Menino ou menina? – Questionei.
– Um menino. Vai se chamar João Pedro.
– Lindo nome. Meus parabéns, vocês são uma família muito linda. Vocês moram aqui por perto? – Laís negou com a cabeça.
– Na verdade, Mariana... Meu noivo é o dono do morro de São Pedro, é perto daqui. O Hannibal e ele são bem amigos. – Ela sorriu mais uma vez.
– Isso é bom.
Depois de uma conversa agradável, alguém entrou pela porta. Diferente de Tubarão que parecia ser um cria do morro, Hannibal era um homem com sangue nos olhos. E muito forte fisicamente. E parecia estar na casa dos trinta e poucos anos. Todo tatuado como o amigo, mas seu semblante era mais sério e muito menos amigável.
– E aí? – Cumprimentou Tubarão e depois veio até mim. Me olhou de cima a baixo e um sorriso malicioso surgiu em seus lábios.
– Oi, Maicon. – Falei.
– A Pâmela vai te odiar. – Disse e segurou meu rosto com uma das mãos, de forma um pouco bruta. – Não acha, Tubarão?
– Sei lá. – Respondeu e deu risada. – Laís, tá na hora de irmos.
Os dois se despediram de mim e de Hannibal e aquilo me deixou nervosa. Eu estava sozinha com um homem de mais ou menos um e noventa de altura e uns cem quilos de puro músculo. É assustador para uma garota magrinha de um e sessenta.
Me sentei no sofá e logo minhas malas chegaram. Hannibal m*l deu atenção para mim, apenas me deixou ali na casa, sem falar absolutamente nada. Eu fiquei sentada por um bom tempo até ele aparecer novamente com uma garrafa de cerveja na mão.
– Você bebe? – Questionou.
– Sim. – Respondi.
– Tem cerveja na geladeira. Pode pegar se quiser. Aliás, fique a vontade. Só não vá no meu escritório, não seja i****a. – Ele tomou um gole da cerveja e se sentou no sofá ao meu lado. Estava com uma calça jeans e sem camisa. – Pâmela está sabendo que tem uma mulher na nossa casa.
– Isso é bom, não é?
– É, é. – Ele tirou uma carteira de cigarros do bolso e um isqueiro. Acendeu o cigarro e o tragou. – Na verdade, eu não sei.
– Por que não sabe? – Ele estava com o cigarro entre os dentes, e alcançou a bebida novamente.
– Acho que não conheço mais a Pâmela. Ela não é a mulher por quem me apaixonei anos atrás. Não mais.
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