Thomas:
Dois dias depois...
Entrei na penitenciária de segurança máxima sentindo o cheiro metálico de grades e arrependimento. Mostrei meu crachá de advogado na portaria com a calma de quem domina o terreno. O Miguel Ortega, o vulgo "Monstro", tinha caído em uma batida que eu mesmo facilitei, com uma ajuda estratégica do Tonho o erro de todo bandido grande é achar que só a mãe dele faz filho esperto.
Fui guiado até a sala de visitas. Miguel já estava sentado, com aquela postura de quem ainda acredita que manda no mundo.
— E aí, advogado? Para quando é a minha liberdade? — a voz dele saiu áspera, carregada de arrogância.
— Trouxe estes papéis. Precisa assinar agora — respondi, deslizando a papelada pela mesa fria. — Já recorri ao pedido de soltura, mas o processo está travado na burocracia.
Ele me olhou com desgosto, as sobrancelhas franzidas.
— Esses papéis são para quê?
— Burocracia da firma — falei, dando de ombros, sem dar importância. — Coisas de patrimônio que precisam de movimentação enquanto você está aqui dentro.
Ele pareceu aceitar a desculpa, mas logo o olhar dele mudou. Ficou mais pesado.
— E o meu filho?
Minha mandíbula travou no mesmo instante. Ouvir aquele infeliz chamar um anjo como o Doruk de filho fazia meu sangue ferver. Ele não merecia nem dizer o nome do menino.
— Está tudo sob controle — respondi, mantendo a voz profissional. — Tirei ele do morro. Está morando na zona nobre, em um apartamento discreto. A babá cuida bem dele, eu vou lá a cada três dias conferir tudo.
Falei cada palavra exatamente como planejei, sem deixar margem para erro. Ele assentiu, parecendo satisfeito. Eu me inclinei um pouco mais, baixando o tom de voz para o xeque-mate:
— A sua fuga está marcada para daqui a três meses. O menino vai daqui a dois meses com a babá, usando nomes falsos. Eles vão estar te esperando no exterior.
Um sorriso sombrio surgiu no rosto do Miguel.
— Muito bem, advogado. Assim que eu gosto. Eficiente.
Eu assenti, me levantando sem sorrir de volta. Arrumei meu paletó e saí daquela sala sem olhar para trás. O infeliz ainda acha que manda em algo. Ele m*l sabe que o morro agora é dominado pelo Tonho e que a rota de "fuga" dele, na verdade, é um caminho sem volta. Miguel Ortega não merece viver, e eu vou garantir que o destino dele seja selado antes que ele possa tocar um dedo no Doruk... o nela