Agnes chegou cedo. O cheiro de café fresco já se misturava ao aroma de antisséptico do estúdio. Ela se movimentava com uma leveza nova, um sorriso discreto no rosto e o toque sutil daquela nova marca em sua pele a lembrando, a cada passo, do que viveu no refúgio de Eli.
Quase uma hora depois, a porta da frente se abriu bruscamente. Eli entrou apressado, tentando ajeitar a jaqueta, com o cabelo levemente bagunçado e aquele olhar de quem ainda tinha a mente em outro lugar.
Isabella: (Correndo em direção a ele, com as mãos na cintura)
♡Dindo! Dindo! Você está muito atrasado!
Eli parou de repente, quase tropeçando na pequena, e soltou um riso sem jeito.
☆Calma, pequena grande chefe! O despertador resolveu tirar folga hoje...
♡Pois o Tio Felipe já tatuou vários desenhos hoje! Ele está trabalhando muito e você chegando agora? Onde você estava?
Eli olhou rapidamente para Agnes, que fingia organizar uns papéis no balcão, mas não conseguia esconder o brilho nos olhos.
☆Eu tive um... compromisso importante de última hora, Bella. Coisa de adulto.
Isabella, que não se convencia fácil, estreitou os olhos e rodeou o padrinho. Ela parou ao lado dele, inclinando a cabeça para o lado enquanto o analisava de baixo para cima.
Isabella: (Apontando o dedo para o pescoço de Eli)
☆Isso? Ah... deve ter sido... um mosquito. Um mosquito gigante, Bella.
♡Um mosquito que deixa mancha vermelha? Que estranho... a Agnes também conheceu esse mosquito? Porque ela também está com uma cara de quem viu um anjo!
Eli: (Dando um beijo rápido no topo da cabeça de Isabella para escapar do interrogatório)
☆Bom, o 'mosquito' já foi embora e o 'anjo' da Agnes deve ser o café forte que ela tomou. Agora, o padrinho precisa trabalhar antes que o Tio Felipe resolva me tatuar também!"
Eli saiu quase troteando em direção à sua sala privativa, sentindo o pescoço queimar - e não era pela picada do mosquito inexistente. Ele fechou a porta com um suspiro pesado, encostando a testa na madeira fria por alguns segundos.
O restante do dia no estúdio seguiu um ritmo frenético, mas estranhamente silencioso entre os dois protagonistas. O barulho das máquinas de tatuagem preenchia o vácuo que as palavras não conseguiam ocupar.
Eli: (Pensamento)
☆Eu não consigo nem olhar para ela sem lembrar de cada detalhe daquela noite. O foco, Eli... foca no traço."
As horas voaram entre tintas e agulhas. O sol começou a baixar, tingindo as janelas do estúdio de laranja, e a tensão entre a vontade de se aproximar e o medo de quebrar o encanto da noite anterior continuava vibrando no ar.