O Despertar do Estúdio

440 Words
Agnes chegou cedo. O cheiro de café fresco já se misturava ao aroma de antisséptico do estúdio. Ela se movimentava com uma leveza nova, um sorriso discreto no rosto e o toque sutil daquela nova marca em sua pele a lembrando, a cada passo, do que viveu no refúgio de Eli. Quase uma hora depois, a porta da frente se abriu bruscamente. Eli entrou apressado, tentando ajeitar a jaqueta, com o cabelo levemente bagunçado e aquele olhar de quem ainda tinha a mente em outro lugar. Isabella: (Correndo em direção a ele, com as mãos na cintura) ♡Dindo! Dindo! Você está muito atrasado! Eli parou de repente, quase tropeçando na pequena, e soltou um riso sem jeito. ☆Calma, pequena grande chefe! O despertador resolveu tirar folga hoje... ♡Pois o Tio Felipe já tatuou vários desenhos hoje! Ele está trabalhando muito e você chegando agora? Onde você estava? Eli olhou rapidamente para Agnes, que fingia organizar uns papéis no balcão, mas não conseguia esconder o brilho nos olhos. ☆Eu tive um... compromisso importante de última hora, Bella. Coisa de adulto. Isabella, que não se convencia fácil, estreitou os olhos e rodeou o padrinho. Ela parou ao lado dele, inclinando a cabeça para o lado enquanto o analisava de baixo para cima. Isabella: (Apontando o dedo para o pescoço de Eli) ☆Isso? Ah... deve ter sido... um mosquito. Um mosquito gigante, Bella. ♡Um mosquito que deixa mancha vermelha? Que estranho... a Agnes também conheceu esse mosquito? Porque ela também está com uma cara de quem viu um anjo! Eli: (Dando um beijo rápido no topo da cabeça de Isabella para escapar do interrogatório) ☆Bom, o 'mosquito' já foi embora e o 'anjo' da Agnes deve ser o café forte que ela tomou. Agora, o padrinho precisa trabalhar antes que o Tio Felipe resolva me tatuar também!" Eli saiu quase troteando em direção à sua sala privativa, sentindo o pescoço queimar - e não era pela picada do mosquito inexistente. Ele fechou a porta com um suspiro pesado, encostando a testa na madeira fria por alguns segundos. O restante do dia no estúdio seguiu um ritmo frenético, mas estranhamente silencioso entre os dois protagonistas. O barulho das máquinas de tatuagem preenchia o vácuo que as palavras não conseguiam ocupar. Eli: (Pensamento) ☆Eu não consigo nem olhar para ela sem lembrar de cada detalhe daquela noite. O foco, Eli... foca no traço." As horas voaram entre tintas e agulhas. O sol começou a baixar, tingindo as janelas do estúdio de laranja, e a tensão entre a vontade de se aproximar e o medo de quebrar o encanto da noite anterior continuava vibrando no ar.
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