O som do motor do carro de Alberto morrendo ao longe foi o sinal de partida para Simone. Assim que ouviu a porta da frente ser trancada, ela saiu do quarto de Eli com uma determinação que não sentia há anos. O medo da enxaqueca ou da fúria do marido havia sumido, substituído por uma necessidade visceral de justiça.
Ela entrou no quarto de Felipe. O ambiente cheirava a perfume caro misturado com algo ácido e doce o cheiro do desleixo escondido.
Simone começou a busca. Ela não procurou por cima; ela foi onde a sujeira se esconde. Sob o fundo falso de uma gavetarde relógios, ela encontrou os primeiros pacotes: pequenos sacos plásticos com um pó branco e comprimidos coloridos. O "anjo" de Alberto se drogava sistematicamente. No fundo do armário, atrás das malas de grife garrafas de bebidas caríssimas, abertas e consumidas as escondidas.
Mas o pior estava por vir
Enfiado dentro de um tênis de colecionador, Simone encontrou um segundo celular, um aparelho barato e sem senha.
Ao ligar a tela, o estômago dela revirou. Não eram apenas mensagens de rebeldia. Eram fotos de Felipe ostentando armas com pessoas de aparência perigosa, videos dele rindo enquanto dirigía em velocidades absurdas e, o que mais a feriu como mulher e mãe: fatos degradantes de garotas, tiradas sem o consentimento delas, acompanhadas de comentários misóginos e cruéis em grupos de mensagens.
Simone sentiu o vômito subir à garganta. O filho que ela carregou no ventre era um monstro camuflado de bons modos. A "calmaria" de Eli não era falta de caráter era; o esforço heroico de um irmão que provavelmente já sabia de parte disso e tentava, a sua maneira, não matar os pais de desgaste.
Ela não gritou. Ela não quebrou nada. Com as mãos tremendo, Simone pegou o próprio celular e começou a filmar e fotografar tudo o que encontrou no quarto. Cada pílula, cada foto na tela do celular secreto, cada prova da depravação de Felipe.
•Marginal", Alberto?
sussurrou ela, com a voz embargada, enquanto guardava o celular secreto de Felipe em seu próprio bolso.
•Você não tem ideia do que é um marginal.
Ela saiu do quarto e trancou a porta. Simone decidiu, naquele instante, que não confrontaria o marido,agora.Se ela falasse ,Alberto em sua arrogância, tentaria, abafar o caso ou culpar Eli novamente ela agiria em segredo.