O dia no abrigo de crianças tinha sido de pura luz. Eli e Manu distribuíram brinquedos, e Eli passou horas desenhando com os pequenos. Ele se sentia em paz, a alma lavada. m*l sabia ele que, do outro lado da cidade, Felipe, em uma de suas manobras imprudentes, acabara de destruir a frente de um dos carros de luxo de Alberto.
Desesperado e suado, Felipe não hesitou. Ele mesmo causou um pequeno corte na testa para parecer vítima de um ataque e ligou para o pai, a voz tremula de falsa indignação
°Pail O Eli... ele apareceu aqui Ele estava transtornado, entrou na garagem com a chave reserva, pegou o carro e disse que ia destruir tudo o que era seu. Eu tentei impedir, mas ele me ampurrou e bateu o carro no portão antes de fugir a pé.
Alberto, cego pela raiva acumulada e pela decepção que já sentia, acreditou instantaneamente. Ele rastreou o celular de Eli (que ainda estava na conta da família por descuido) e viu a localização do
abrigo.
Quando Eli e Manu saíam do portão do abrigo, com os corações cheios de bondade, foram bloqueados pelo carro de Alberto, que freou bruscamente. Simone estava no banco do passageiro, com o rosto banhado em lágrimas e confusão.
Alberto saltou do carro, o rosto
vermelho de fúria.
Você não se canga, Eli? Além de nos abandonar, você volta, para roubar e destruir minha propriedade? O seu irmão está em casa sangrando por sua causa!
Eli estacou, confuso
☆Do que você está falando, pai? Eu passei o dia todo aqui.
*Mentira!
gritou Alberto, aproximando-se de forma agressiva.
*Você e um marginal, uma mancha nessa família! Eu deveria ter te entregado à polícia há anos!
Foi então que o limite de Manu estourou. Ela viu o homem que amava como um irmão ser pisoteado mais uma vez. Antes que Eli pudesse reagir, Manu se colocou entre os dois.
○CALA A BOCA!
gritou ela. O som do tapa que ela desferiu no rosto de Alberto ecoou pelo estacionamento vazio.
○Você é patético! O seu filho passou o dia dando comida para quem tem fome e amor para órfãos, enquanto você vem aqui destilar o veneno que seu "queridinho" injetou na sua cabeça oca!
Alberto cambaleou, a mão no rosto, em choque. Ninguém nunca havia levantado a mão para ele. Manu estava pronta para partir para cima novamente, mas Eli a segurou gentilmente pelos ombros.
☆Manu, para. Ele não merece que voce brigue
disse Eli, a voz estranhamente calma, mas carregada de uma tristeza infinita. Ele olhou para o pai com um desprezo que doeu mais que o tapa.
☆Deixe ele acreditar no que quiser. Afinal. eu nunca tive familia.
Aquela frase cortou o ar como uma navalha. Eli deu as costas e começou a caminhar em direção ao seu carro.
•Filho!
gritou Simone, saindo do carro e correndo alguns passos
•Eli, por favor!
Mas ele não olhou para trás. O Eli que tentava provar sua inocência tinha morrido naquele instante. Simone desabou de joelhos no asfalto, chorando convulsivamente, enquanto via o único filho que prestava se afastar para sempre, levando consigo a última luz daquela família.
O clima na mansão agora é de um campo de batalha após a explosão. Enquanto o "corpo" da família apodrece por dentro, as máscaras estão cada vez mais coladas ao rosto de quem não quer ver a A verdade.