Horas depois, quando o estúdio finalmente fechou, Eli e Agnes dirigiram em silêncio até o endereço. O prédio era antigo, com uma fachada de pedra e corredores silenciosos. Quando Eli girou a chave e abriu a porta, o ar estava parado, mas o lugar era organizado.
A luz fraca dos postes da rua filtrava pelas persianas do apartamento antigo, criando um desenho de luz e sombra sobre o tapete da sala. O silêncio daquele refúgio era preenchido apenas pelo som da respiração dos dois. Eli segurava as mãos de Agnes, sentindo-as levemente trêmulas.
☆Agnes... por que você está tremendo assim?
Eli sussurrou, acariciando o rosto dela com o polegar
☆Eu estou aqui. Com você.
Agnes baixou o olhar, o azul dos olhos escondido pelas pálpebras, e a voz saiu quase como um sopro, carregada de uma pureza que Eli raramente via no mundo agitado das grandes cidades.
_Eli... é que eu... eu nunca estive com ninguém assim. Eu nunca...
Ela parou, a bochecha queimando de vergonha.
_Eu sou do interior, a vida lá era diferente. Eu estava esperando por alguém que fizesse meu coração bater como você faz. Mas agora eu estou com medo de não saber como ser... digna de você.
Eli sentiu o peito transbordar. Ele a puxou para mais perto, fazendo-a olhar para ele.
☆Ei, olha pra mim
disse ele, com uma doçura infinita.
☆Você é a mulher mais linda e pura que eu já conheci. Não existe "saber como ser". Só existe o que a gente sente. Eu vou cuidar de você, Agnes. Vai ser no seu tempo, do seu jeito. Hoje, o mundo lá fora não existe. Só nós dois.
E assim, entre carinhos lentos e palavras de afirmação, Eli fez daquela noite algo sagrado. Ele a tratou como uma joia rara, transformando o medo dela em entrega e a vergonha em uma descoberta mútua de amor. Foi uma noite de entrega total, onde as cicatrizes de Eli e a inocência de Agnes se fundiram em uma só alma.
O Pedido Especial
Horas depois, enquanto descansavam abraçados sob os lençóis, Agnes olhava para os braços tatuados de Eli com uma nova admiração. Ela passou os dedos pelos traços negros na pele dele e tomou uma decisão.
_Eli?
ela chamou baixinho
_Eu queria levar algo de você em mim. Para sempre.
Eli sorriu, ainda meio sonolento.
☆Como assim, meu anjo?
_Eu quero a minha primeira tatuagem. Quero que você faça agora. Aqui,
Eli hesitou por um segundo, surpreso, mas viu a determinação naqueles olhos azuis. Ele se levantou, foi até a mochila que sempre carregava com um kit básico de emergência (agulhas novas, tintas e uma máquina portátil) e voltou para a cama.
Ele preparou tudo com o máximo de cuidado. Agnes se deitou de lado, revelando a curva suave e delicada de sua barriga, perto do quadril
☆Tem certeza?
_Absoluta. Eu quero um "E". De Eli. Bem aqui
ela apontou para o lugar escondido, que só ele veria.
Eli desenhou uma letra cursiva, elegante e discreta. O som baixo da maquininha zumbiu no quarto silencioso. Enquanto trabalhava, ele olhava para o rosto dela, que nem sequer apertava os olhos de dor, apenas sorria, observando o homem que amava marcar sua pele.
Quando terminou, ele limpou o local e beijou a pele recém-tatuada.
☆Agora você me carrega com você, Agnes. Da mesma forma que eu carrego você no meu coração desde que entrou naquele estúdio com uma vassoura na mão.