O Banquete das Sombras

1023 Words
A mesa de jantar estava posta com a elegância discreta de sempre. No centro, as sacolas de um restaurante japonês que Eli havia buscado do outro lado da cidade o único que fazia o caldo sem sódio que a mãe conseguía ingerir durante as crises de enxaqueca. Ele não disse nada, apenas serviu os pratos em silêncio. Simone mantinha a mão na testa, os olhos semicerrados. Alberto m*l othava para o filho "tatuado", concentrado em um relatório no tablet.. •Está delicioso, Eli. Obrigado. murmurou Simone, num raro momento de suavidade. Felipe, sentado à frente do irmão, Limpou os lábios com o guardanapo de linko. Ele tinha o sorriso de quem estava prestes a soltar uma granada e observar a explosão com prazer. ●É uma pena que o Eli tenha chegado tão tarde disse Felipe, com uma voz aveludada, quase doce. ●O papai ficou preocupado. Achei até que você tivesse se envolvido em outra daquelas... confusões de rua. Sabe como é, com esse visual, a polícia para você por qualquer coisa, não é, irmão? Eli continuou comendo. Sua respiração era lenta, uma calmaria que sempre irritava Felipe ☆Eu estava trabalhando, Felipe. Coisa que você deveria tentar às vezes, em vez de gastar a mesada do papai.com "investimentos" que nunca aparecem. respondeu Eli, a voz baixa e firme. Alberto bateu com o tablet na mesa. *Chega! Felipe está tentando ser sociável, Eli. Você sempre traz essa energia pesada para dentro de casa. Olhe para você. essas marcas na pele.. Você é a imagem do caos. Por que não pode ser mais como seu irmão? Ele é o orgulho dessa família. Felipe baixou o olhar, fingindo humildade, mas por baixo da mesa, ele chutou a canela de Eli com força, cravandoo bico do sapato caro na pele do irmão. Quando Eli olhou para ele, Felipe apenas piscou. Foi o estalo. Eli se levantou. O barulho da cadeira arrastando no piso de mármore ecooù como um tiro. ☆"Orgulho" Eli deu uma risada curta e seca. ☆Vocês vivem em um teatro e a felipe é o protagonista. Ele mente para vocês na cara dura, votes agradecem. Eu trado o jantar, eu cuido da mée, au mantenho a caima... pes o "errado sou eu por causa de tinta na pele? *Sente-se agora, Eli ordenou Alberto. ☆Não. Eu cansei de ser o saco de pancadas moral dessa casa. Se vocês querem o filho perfeito, fiquem com o Felipe. Só espero que o "anjo" de vocês não os destrua quando eu não entiver aqui para limpar a sujeira dele. Eli subiu as escadas sob o olhar atônito de Simone e o grito de furia de Alberto. Dez minutos depois, ele desceu com uma única mochila preta nas costas. Não pegou carro, não pedia dinheiro. Felipe observava da porta da sala, os braços Cruzados, o rosto voltado para a sombra para que os pais nad vissem o brilho de triunfo nos seus olhos. ●Você não dura uma semana ha rua, "marginal" sussurrou Felipe, para que apenas Eli ouvisse. Eli parou por um segundo, olhou para o irmão com uma pena profunda que desarmou o sorriso de Felipe por um instante. ☆A diferença entre nós, Felipe, é que eu sei quem eu sou quando as luzes se apagam. Você vai morrer de medo do escuro. CAPÍTULO 2 : O SILÊNCIO ENSURDECEDOR A porta da frente ainda parecia vibrar com o estrondo da batida de Eli. No hall de entrada, o silêncio que se seguiu não era de paz; era denso, carregado de um arrependimento que Alberto se recusava a admitir Felipe suspirou teatralmente, aproximando-se da mãe com a mão no ombro deda Não fica assim, mãe. Ele sempre foi dramático. ●Amanhã ele volta pedindo desculpas e dinheiro para a próxima tatuagem. Simone esquivou-se do toque do filho cacula. Pela primeira vez, o carinho de Felipe pareceu...mm ensaiado Ela olhou para a mesa, para as embalagens do jantar que Eli tinha Buscado especificamente para aliviar a dor dela. •Ele não vai voltar, Felipe disse ela, a voz falhando. •E a culpa é nossa. Alberto solto uma risada anasalada, guardando o tablet.com força na pasta de couro. *Culpa nossa? Eu dei tudo para aquele rapaz! Educação, teto, o melhor que o dinheiro pode comprar. E ele me retribui parecendo um marginal e me enfrentando na minha própria mesa? Simone virou-se para o marido, os olhos brilhando com uma mistura de cansaço e lucidez que a enxaqueca costumava esconder. •Tudo", Alberto? Você deu Coisas. Mas quando foi a última vez que você ouviu o que o Eli tinha a dizer sem criticar o desenho no braço dele? Ele atravessou a cidade,para me trazer esse remédio em forma de comida, enquanto voce m*l percebeu que eu não conseguia levantar a cabeça do travesseiro! *Ele só faz isso para se sentir superior, Simone! rebateu Alberto, a voz subindo de tom. *Nossa Para jogar na nossa cara que é o "bom moçó" apesar da aparência de delinquente. •Não era necessário chegar a esse ponto! Simone gritou, surpreendendo a todos, inclusive a Felipe, que recuou um passo, perdendo o sorriso •Você o expulso com os olhos muito antes de ele/cruzar aquela porta. Veçê o empurrou para fora de casa cada vez que o comparou injustamente com o Felipe. Alberto ficou vermelho, a mandíbula travada. Ele não estava acostumado a ser questionado. *Se você está tão preocupada com o "rebelde", vá atrás dele. Mas nestá casa, eu exijo respeito e ordem. Simone olhou para o marido como se visse um estranho. Depois, olhou para Felipe, que tentava recuperar a postura de anjo preocupado. •Ordem? O que temos aqui não é ordem, Alberto. É um teatro. E eu acabei de perder o único filho que não precisava de um roteiro para ser honesto comigo. Ela deu as costas aos dois e subiu as escadas. Felipe ficou parado no meio da sala, sentindo o clima mudar. Pela primeira vez, o plano dele de isolar o irmão tinha, funcionado bem demais. Agora sem o Eli para levar a culpa por tudo, os olhos da mãe começariam a pousar sobre ele com mais atenção.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD