Reencontros

1058 Words
Uma semana se passou e o clima no estúdio de Eli era de foco e reconstrução. Felipe estava morando com Dona Simone, recuperando o tempo perdido e provando ser um braço direito impecável na recepção do estúdio. Ele estava em paz, orgulhoso da tatuagem que fizera em homenagem ao irmão e dedicado a aprender tudo sobre o negócio. Mas a paz foi brutalmente interrompida quando a porta de vidro do estúdio se abriu com violência. O pai deles, um homem amargurado e carregado de preconceitos, entrou no recinto com o olhar cheio de desprezo. O Confronto O velho parou no meio da recepção, olhando para as artes nas paredes e depois para os filhos. Ele soltou uma risada sarcástica, apontando o dedo para o Eli. ■Eu já sabia! gritou o velho Alberto ■Do Eli, eu sempre esperei que fosse um fracassado, um marginal com essas agulhas. Mas você, Felipe? Que decepção! Ver você trabalhando nesse lugar imundo, com uma tatuagem de bandido no braço... Você jogou sua vida no lixo junto com esse seu irmão! Felipe deu um passo à frente, mas Eli colocou a mão no peito do irmão, mantendo-o firme. Eli deu um passo em direção ao pai, o olhar frio e decidido ☆Já chega, "seu" Eli! disse Eli, com a voz baixa e cortante. ☆O senhor veio aqui pra quê? Pra destilar o mesmo veneno de dez anos atrás? Pois escuta bem, porque vai ser a última vez que eu falo com o senhor. Eli chegou mais perto, sem medo. ☆Lembra quando eu disse que eu não era seu filho e que eu não tinha família? Pois eu mudei um detalhe naquela frase. Hoje eu tenho mãe, a Dona Simone, que não me abandonou. E tenho irmão, o Felipe, que errou, pagou e hoje é um homem de verdade. Mas pai... pai eu não tenho. O senhor morreu pra mim no dia em que me tratou como lixo. Nunca mais procure a gente! O Ataque Covarde ■Vocês não passam de dois lixos! gritou o velho, fora de si. Num movimento rápido e desesperado, o pai deles puxou uma arma pequena que trazia escondida na jaqueta. Ele mirou direto no peito de Eli, com o dedo no gatilho pronto para descarregar o ódio ■Se você não presta pra ser meu filho, não vai prestar pra mais nada! ele berrou. No exato momento em que o tiro ecoou no estúdio, Felipe não pensou duas vezes. Ele deu um salto, jogando o corpo na frente de Eli. No exato momento em que o tiro ecoou no estúdio, Felipe não pensou duas vezes. Ele deu um salto, jogando o corpo na frente de Eli POW! O grito de Eli e o som do vidro da vitrine estilhaçando foram imediatos. Felipe caiu no chão, segurando o braço direito. Por sorte, o movimento de Felipe fez o pai errar a mira fatal: a bala pegou de raspão no braço de Felipe, rasgando a pele e a própria tatuagem que ele tinha feito para o irmão. As Consequências Eli, num reflexo de fúria e proteção, avançou no velho e o desarmou, imobilizando-o no chão até que a segurança do prédio chegasse. Hugo, que estava nos fundos, correu ao ouvir o disparo e ajudou a segurar o agressor ☆Felipe! Felipe, fala comigo! Eli se ajoelhou ao lado do irmão, rasgando a própria camisa para estancar o sangue. Felipe, mesmo com dor, deu um sorriso fraco •Ele não te acertou, Eli... foi por pouco. Eu disse que ia honrar o seu perdão... eu protegi você, irmão. O velho Alberto saiu do estúdio algemado, gritando ofensas, mas ninguém mais ouvia. Para Eli e Felipe, ele agora era apenas um estranho sendo levado pela polícia para nunca mais voltar. Após o susto e o atendimento no hospital, onde Felipe levou alguns pontos e teve o braço enfaixado, Eli o levou para casa. O clima era de alívio, apesar da dor física. Quando entraram no apartamento, a recepção não poderia ser outra. O "Hospital da Manu" Manu já estava lá, com um kit de primeiros socorros de um lado e o pequeno Joaquim no outro. Assim que viu os dois entrarem, ela entregou o bebê para o Hugo e colocou as mãos na cintura, com aquele olhar de quem ia assumir o comando. "•Pode parando aí! O paciente direto para a poltrona e o acompanhante vai buscar água e gelo! ordenou Manu, apontando para Felipe. Felipe riu, sentindo a dor fisgar: ▪︎Calma, Manu, eu já passei pelo médico de verdade lá no hospital!" •Aqueles médicos não sabem de nada! Agora você está no Hospital da Manu, onde o tratamento é rigoroso e a enfermeira é brava," ela brincou, começando a organizar os gazes e o antisséptico com uma agilidade impressionante. "Dona Isa" Entra no Personagem Isabella, vendo a mãe brincar de médica, não ficou atrás. Ela correu para o quarto e voltou com uma tiara de enfermeira de uma fantasia antiga e um estetoscópio de brinquedo. ♡Doutora Manu, o paciente está reclamando de dor? perguntou Bella, com a cara mais séria do mundo, encostando o brinquedo no peito de Felipe. ♡Hum... o coração dele está batendo como um tambor, Doutora. Acho que ele precisa de uma dose cavalar de... brigadeiro!" A sala inteira explodiu na risada. Até o Felipe, que tentava ficar quieto para a Manu limpar o ferimento, não aguentou. O Cuidado de Família Eli ficou encostado no batente da porta, apenas observando. A cena era quase inacreditável: o irmão que ele quase perdeu para o crime e para a morte agora estava ali, sendo "cuidado" por Manu e Isabella, cercado de um amor que ele nunca teve na infância. ☆Viu só, Felipe?" disse Eli, aproximando-se. ☆"A gente achou que vinha pra casa descansar, mas caímos nas garras da equipe médica mais perigosa do Rio de Janeiro." Felipe olhou para a tatuagem por baixo da gaze, o nome de Eli que agora carregava a marca de um tiro que ele levou para salvar o irmão. ▪︎Pode deixar elas cuidarem, Eli. Depois de tanto tempo sozinho, essa 'médica' e essa 'enfermeira' são a melhor coisa que me aconteceu hoje." Felipe olhou para a tatuagem por baixo da gaze, o nome de Eli que agora carregava a marca de um tiro que ele levou para salvar o irmão.
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