Capítulo 28 – P.O.V LILY
E lá estava eu no carro com Sam, um cara que eu m*l conhecia e que parecia que queria me f***r ou furar o meu pescoço a qualquer momento com as próprias unhas.
Mas acho que eu preciso mesmo voltar um pouquinho na história para as coisas fazerem algum sentido.
Eu acordei no outro dia, depois da discussão horrível que eu tinha com o Benjamin ele nem voltou para cama, eu achei que ele tinha ido pajear a mãezinha o dia inteiro que é o que ele sempre fazia quando ela ia nos visitar, a mulher não dava um momento de paz, pedindo chá, café, bolo e dizendo que o remédio dela não estava regulado... inventou a uns quatro meses atrás um zumbido no ouvido e desde então enche o saco do Benjamin pelo telefone quase que todos os dias dizendo que precisa de um pouco de atenção, bom, o pai do Ben se mandou, então acho que isso justifica um pouco a fixação que ela tem por ele.
Eu andei por todos os cômodos e mão foi difícil localizar o meu marido dormindo no sofá com uma cara de dor e sofrimento, e eu nem tinha expulsado ele da cama...
- O que houve Ben? por que não foi para a cama? - eu disse tocando o braço dele bem devagar.
- Vem cá, deixa aqui comigo um pouquinho... - me puxou para ele, eu não disse não, aquilo me trazia tantas lembranças boas. Como quando compramos aquela casa, o único móvel que foi entregue dentro do prazo foi o sofá... dormíamos encolhidos nele a noite, e mesmo depois que os móveis já estavam milimetricamente dispostos... por que adorávamos estar perto o suficiente para nem conseguir respirar direito, adorava o cheiro do Ben e a maneira como ele me abraçava.
Me deitei ao seu lado, sentindo corpo dele abraçar o meu completamente... sei lá, por um segundo parecia que todas as coisas poderiam ser consertadas, apenas dormindo ali um pouquinho no sofá, apenas sentindo a respiração dele nos meus cabeços e a mão que ele insistia em deixar dentro da minha camisola... mais especificamente nos meus s***s. Me excitava um pouco, mas não ao ponto de eu pular em cima dele... era o que eu mais adorava.
- Ben... a sua mãe está aqui você esqueceu... - eu disse quando me virei de frente para ele, o sorriso que ele tinha no rosto era tão lindo que derreteu um pouquinho o meu coração de gelo.
- Idaí? ainda são... - pegou o celular na pequena mesinha - são cinco e quarenta da manhã, vamos ficar aqui, só um pouco que nem antigamente. Depois você pode me xingar e ir embora como você provavelmente pretendia acordando tão cedo assim.
- Você não vai para o hospital?
- Não Lily, hoje temos a festa lembra... o hospital me deu folga. Olha, eu sei que vai ser uma noite difícil para você, sei o quanto você odeia essas coisas...
- Relaxa, eu não vou estragar sua grande noite... eu... vou me comportar feito gente! - fechei os olhos e ganhei um beijo na ponta do nariz.
- Não quero que você se comporte, você não é uma criança, você é a minha esposa... eu só quero que esteja ao meu lado. Eu sei que temos mil coisas para acertar, e no fundo eu não fui para o quarto por que eu tive um medo terrível de começarmos de novo com aquela discussão... você ia decidir ir embora de vez por causa da mesmice. Mas eu vou melhorar nesse quesito, me dá um pouquinho mais de tempo? - encostou o rosto no meu, e quem negaria aquilo a ele?
- Eu não vou deixar você... vou dar tempo ao tempo Ben, e olha isso não é um favor... você faz muito estando comigo com esse meu desarranjo mental, então não fica achando que eu estou por cima da carne seca.
- Era só você dizer "acho que ainda te amo, eu vou ficar" e já estava bom para mim - me abraçou mais forte, e eu adorava, aquele jeito sufocante me lembrava dos momentos em que éramos inteiramente nós mesmos, e inteiramente felizes.
Será que comecei a pensar no meu passado e em tudo o que eu não sabia por que nossa vida se tornou tão monótona que eu precisava de algo para preencher? havia essa possibilidade.
Eu não podia abandonar o Benjamin, porque eu claramente sentia alguma coisa por ele, claramente eu não estava pronta para dizer adeus, e talvez eu nunca estivesse.
Por Deus, quem larga um casamento como o meu por uma aventura com um vizinho? isso é completamente loucura!
- Eu acho que te amo ainda Ben, se isso serve mesmo de consolo para você... - falei com um sorriso debochado nos lábios.
- Eu sei que te amo Lily, e acho que vou te amar para sempre! - me deu um beijo delicioso, lento e romântico que me tirou o fôlego... ficamos sorrindo um para o outro por um tempão... - vamos dormir mais um pouquinho, hoje o dia vai ser muito longo!
E quase como se pudesse ouvir a nossa felicidade Patrícia surgiu no topo da escada gritando - BEN... FILHO... - bem alto
- Dormir? tem certeza? - falei irritada já me levantando do sofá.
- Ah que coisa boa, estavam fazendo amor no sofá... então conseguiram resolver todas as diferenças.. isso é ótimo! Logo um netinho... - dava para aquela velha ser um pouquinho mais conveniente do que o que ela era? olhei para os olhos de Benjamin que não sabia nem como responder aquilo, eu tive que intervir.
- Estávamos mesmo... transando loucamente em cima do sofá, e por nossa sorte... você apareceu... bem a tempo de nos impedir de conceber um rebento! - ele me olhou feio, mas f**a-se, foi ela quem se intrometeu.
- A Lily está brincando mãe... - disse extremamente sem graça - estávamos apenas juntos... um pouco de romance nunca fez m*l. Acho que vamos até deitar mais um pouquinho, hoje é o meu dia, e eu quero ir para a minha cama... vamos comigo Lily? - ele me ofereceu a mão, e eu daria o corpo inteiro só para não ter que lidar com aquela maluca fritando bacon, ovos e linguiça na minha cozinha logo pela manhã engordurando o próprio cabelo e todos os meus panos de prato e eletros.
- Sim, claro...
- Ah mas eu vou ficar aqui sozinha? quero tomar café com a minha família... faz tanto tempo que não tenho isso sabe... desde que o seu pai - ia começar, era a senha para ela conseguir do meu marido o que ela quisesse conseguir, choramingar por causa do pai que foi embora, ele ia choramingar de um lado e ser compreensivo com a mãe, e isso eu não reprovava de jeito nenhum, mas ela sempre dava um jeito de jogar a placenta na cara dele para ele se sentir pessoalmente culpado por tudo.
E isso não exatamente justo, se a gente considerar que ele era apenas uma criança.
Outro ponto de culpa era sempre dizer que Ben é a cara do pai que os abandonou, e que fazia ela lembrar dele o tempo todo... isso era correto? ela falava em um tom r**m? eu acho que não.
Mas p***a, também não era bom... eu conseguia ver na carinha dele que o ofendia ser comparado daquele jeito ao crapula do pai, e eu não estava convencida de que ela fazia isso na inocência, para mim ela fazia isso para causar exatamente esse tipo de remorso.
- Ben.... vamos sentar e tomar café então... - eu disse segurando o braço dele.
A mãe dele voltou a sorrir, p***a quem diria que manipulação materna sem nenhum tipo de filtro funcionaria com um cara adulto que cresceu sem o maldito pai não é mesmo? Ela me dava nojo, e era nesses momentos que ela me perdia... eu conseguia ver além das bochechas rosadas e o cabelinho loiro e tingido de mais loiro ainda, eu conseguia enxergar a alma podre que ela carregava por dentro.
- Se para você tudo bem Lily... tudo bem para mim... - ele sorriu, mas estava mesmo cansado, claro que a noite no sofá não tinha sido a melhor noite do mundo para o seu corpo e suas costas.
- Mas depois você vai subir e cochilar um pouco, por que tudo está sob controle... a festa é só a noite, tudo bem Patrícia? dá para aguentar sem ele algumas horinhas?
- E quem vai comigo pegar o meu traje? eu encomendei lá na cidade... não posso ir com o que eu tenho na mala! E seria bom passar um tempo a sós com o meu filho.
- Tudo bem Lily, estou descansado... eu posso levar ela lá!
- Não, nem fodendo! - fechei os olhos me repreendendo pela minha expressão - desculpa! eu levo você Patrícia, o Benjamin precisa mesmo descansar... e acho que você deve respeitar isso... eu levo você até alguma boutique e o máximo de tortura psicológica para o meu marido hoje vai ser o preço da roupa que vamos passar no cartão dele.
- Mas eu encomendei a roupa! está tudo certo!
- Patrícia as coisas vão ser feitas do jeito que eu estou dizendo, você deixou a roupa em Manhathan por que você quis... eu sinto muito mas não moramos na ilha, é um caminho extremamente longo e cansativo que o Ben faz todos os dias para salvar umas vidas no memorial! então, dá um tempo... eu vou subir e tomar um banho, nós vamos sair em exatos quarenta minutos e nada mais! tudo bem para você querido? - eu disse me virando para o Ben, eu juro que se depois desse discurso ele ainda ficasse do lado da mãe eu viraria minhas costas e sairia andando sem rumo pela rua como a maluca da quadra debaixo.
Soube que ela ficou louca depois da droga da visita da sogrinha intrometida.
- Eu concordo com a Lily mãe, ela está oferecendo uma gentileza... aceita! afinal de contas o dia é meu, e eu preciso mesmo descansar... - olhou para mim e segurou o meu braço gentilmente - obrigada meu amor... obrigada... - será que ele ia chorar? eu estava mesmo fazendo isso por ele, eu jamais faria aquilo por aquela bruaca infeliz e sem coração que cuspiu ele pela vagina... ela me dava calafrios, era tão r**m quanto eu e isso era difícil de ser superado eu tinha que reconhecer.
Eu fiz do jeito que eu falei, subi tomei um banho... coloquei uma roupa mais ou menos e um óculos horroroso que cobria todo o meu rosto e desci as escadas, lá estava ela... a sogra dos infernos, provavelmente querendo saber como ela iria destruir toda a minha vida.
- Ah filho... você colocou o meu remédio na sacola? eu não posso ficar sem ele - disse com uma voz chorosa para o Ben, eu procurava não interferir muito nessas questões por que se eu falasse a coisa ia ficar muito feia. E eu nem tinha mãe, então era um assunto que eu realmente não tinha nenhum domínio, tudo o que eu podia fazer era evitar escutar e responder "acho que sim" ou "acho que não" a qualquer pergunta.
- Eu coloquei tudo na sacola mãe, e você vai estar com a Lily... eu não preciso mesmo ir junto! - ele estava tentando convencer ela de uma mentira, que eu não era altamente mortal... quem diria? o meu marido mentindo por mim... que orgulho.
- Vamos Pat, hoje todas as peruas da rua vão estar enfiadas nessa butique, e eu não sou do tipo que anda com elas... vamos andando, prometo não te matar na rua, dirigir com cuidado e te lembrar de tomar o remédio, podemos ir? - dei um selinho em Benjamin e já fui indo lá para fora para evitar ela chorar mais para ele sobre como eu não ligava nada para ela, e todo o seu blábláblá que só caía quem queria - VAMOS PAT! - gritei lá de fora, evitando olhar para a casa da frente... qualquer coisa poderia me chamar atenção e eu não evitaria o ímpeto de ir até lá.
Aquela seria uma longuíssima tarde, eu e a mãe do meu marido a quem eu desprezava completamente.
- Vamos indo então Lily eu quero um vestido lilás... vai combinar com as joias que eu trouxe!
eu arranquei com o carro, eu queria poder passar com uma câmera como a postura daquela mulher mudou assim que acenamos dando até logo para o Benjamin, as costas ficaram mais arqueadas, ela carregava uma garrafa prateada aonde com certeza tinha gin, até os p****s saíram um pouco do assoalho do carro já que ela sempre mantinha a postura de uma senhoria de cento e vinte anos, mesmo não tendo essa idade.
- Meu nome é Lily, as pessoas me chamam de Lily, só não demoram cinco anos para se lembrar disso... e tem mais lilás? está debutando?
- Por que você é assim sempre tão desagradável? qual o seu problema garoto? - disse com a voz firme, a mesma que eu não ouvia ressoar quando estava na minha casa.
- Dá um tempo, você não gosta de mim... nunca gostou, o meu problema é esse! Nunca tive chance não é mesmo? com o seu querido filho médico? mas eu tenho uma notícia para você... maluca... ele me ama.
Despejei logo o que eu estava pensando por que eu não sabia mascarar, como eu disse, melhor qualidade e pior defeito! Não conseguir mentir para ninguém a minha volta, e até agora eu só estava dando uma bola fora atrás da outra só por ser uma i*****l. Mas aquela mulher não ia me dobrar facilmente. Aquela era a minha vida!
- Você é uma senhora ninguém que ninguém sabe de onde veio por quem o meu filho brilhante e promissor se apaixonou... o que você queria que eu fizesse aplaudisse? você magoar o coração dele em toda e qualquer oportunidade só por que ele é louco por você? nem em sonho!
Falei o que eu quis, e infelizmente ouvi o que eu não queria... a mais pura verdade jogada diretamente na minha cara.
Ela poderia ter deixado tudo um silêncio total, mas ela não fez isso, ela continuou - Olha Lily, eu não quero odiar você... mas você é tão r**m para ele quanto eu fui para o Mitch, pai do Ben... entende? nunca vão dar certo, por que ele vai adorar você em todas as merdas que você fizer, e ele vai te perdoar... e a medida que você o amar muito a cada perdão que ele conceder... ele vai te amar menos por ter que sempre te perdoar, é matemática básica. - ela estava agora um pouco mais melancólica que o normal.
- desculpa, eu... eu não sei a história toda Patrícia, e eu falo demais às vezes. Mas olha, eu amo muito o Ben, eu só não sei o que fazer com tudo isso... porque eu não sou essa pessoa, e eu me sinto péssima o tempo inteiro. Estou tentando me encaixar, mas eu não consigo me encaixar... e não fazia ideia que você via as coisas desse jeito!
- Vamos á maldita loja pegar qualquer vestido e vamos encher a cara, dá pra ver que você não sabe mesmo nada sobre mim! - ela disse e pela primeira vezes na vida eu concordei com algo que saiu da sua boca.