📖 Capítulo 18 – O Preço da Verdade

580 Words
A ligação do advogado ecoava na mente de Cassie como um trovão distante. > "Se você sair do país… pode ser presa ao desembarcar." Ela não dormiu naquela noite. Sentada no canto do quarto, abraçada aos joelhos, sentia o medo crescer como um monstro adormecido que havia, enfim, acordado. Mas naquela manhã, com os olhos fundos e o coração em frangalhos, ela tomou uma decisão. — Eu vou voltar ao Brasil. E vou enfrentar meu pai. --- O plano Hoseok arregalou os olhos ao ouvir aquilo. — Você tem certeza? Isso pode te destruir. Cassie assentiu, com firmeza. — Fugir já quase me matou uma vez. Eu quero viver de verdade. E pra isso, preciso enfrentar meu passado. Ele segurou as mãos dela. — Eu vou com você. — Não, Hobi. Essa parte… é minha. Mas eu preciso que você esteja aqui quando eu voltar. — Preciso saber que você ainda vai estar me esperando… além do horizonte. Hoseok tentou sorrir, mas sua garganta travou. — Eu nunca vou sair daqui — respondeu. — Você é meu lar agora. --- De volta ao início Dois dias depois, Cassie desembarcava em São Paulo. O aeroporto parecia uma lembrança deformada. Como se tudo tivesse ficado congelado no tempo… exceto ela. A advogada que Namjoon contratara a esperava com uma pasta de documentos e um semblante sério. — Cassie… seu pai não está só envolvido nesse processo. Ele foi quem reabriu o caso. Cassie fechou os olhos com força. — Ele quer me ver destruída. — Ele quer te controlar de novo — disse a advogada. — Mas você não é mais aquela menina. --- O reencontro No terceiro dia, Cassie foi convocada ao fórum. Ao entrar na sala de audiência, o mundo parou por um segundo. Ali, sentado diante do juiz, estava seu pai. Envelhecido. Mas ainda com os mesmos olhos frios. A mesma aura que um dia a fez se sentir invisível. — Cassandra — ele disse com desprezo, como se cuspisse veneno. — Veio pagar pelo que me roubou? Ela respirou fundo. — Eu vim recuperar o que você tentou tirar de mim: minha liberdade. Minha dignidade. Minha voz. O juiz pediu silêncio. A audiência começava. --- A revelação Durante o depoimento, Cassie chorou, tremeu… mas não cedeu. Contou sobre os anos de a***o, o medo, a fuga. A ausência de apoio. A injustiça. E então, a surpresa. A advogada pediu a leitura de uma carta — escrita por a mãe de Cassie, antes de morrer, e que havia sido localizada recentemente por uma antiga vizinha. > “Se algo acontecer comigo, peço que cuidem de minha filha. O pai dela não é um homem confiável. Bebe demais. Se Cassie fugir um dia, saibam: ela está apenas tentando sobreviver.” O tribunal silenciou. Cassie chorava em silêncio. Seu pai, pela primeira vez… abaixou a cabeça. --- A decisão Duas semanas depois, a justiça deu o parecer: > “Processo arquivado por inconsistência de provas, risco de v******o de direitos humanos e reconhecimento de histórico de a***o. Cassie Hunter está livre.” Cassie saiu do tribunal com os olhos marejados e um peso milenar arrancado dos ombros. Ela mandou uma mensagem para Hoseok: > “Estou voltando. Livre. Por mim. Por nós.” E naquela noite, ao olhar pela janela do avião, viu o mesmo horizonte que tantas vezes observou quando ainda era uma garota. Mas agora, ele não era mais um sonho distante. Era o caminho de volta pra casa.
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