Dois meses haviam se passado.
Cassie andava pelas ruas de Seul com passos leves, pela primeira vez sem medo do futuro.
A universidade nĂŁo sĂł mantivera sua matrĂcula como a convidara para dar uma palestra sobre superação, acolhimento e reconstrução de identidade — algo impensável para quem um dia fugiu de casa com uma mala nas costas e o coração em pedaços.
Ao seu lado, Hoseok caminhava sorridente, segurando a mĂŁo dela com firmeza.
Ele havia trancado o último semestre da faculdade de Administração e decidira viajar com Cassie por um tempo, conhecendo o mundo. Mas, antes… havia uma última coisa que ele precisava fazer.
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A carta
Cassie encontrou um envelope sobre a cama naquela manhĂŁ.
> “Cassie,
Se você está lendo isso, é porque estamos prestes a começar algo novo. Mas antes, preciso que leia minhas palavras com o mesmo coração com que você me ensinou a sentir.
Você me mostrou que o amor é coragem. Que o passado pode doer, mas não define quem somos. Que estar ao lado de alguém não é salvá-lo, mas segurar a mão enquanto ele se salva.
Você cruzou o mundo para fugir da dor… e encontrou a cura dentro de si.
Agora, quero cruzar o mundo com vocĂŞ.
Além do horizonte, onde tudo começou.
Com amor, Hobi.”
Cassie sorriu. Com lágrimas nos olhos e o coração pulsando.
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O retorno
Dois meses depois, eles estavam de volta ao Brasil.
Mas desta vez, Cassie não voltava como fugitiva. Voltava como sobrevivente. Como mulher. Como alguém inteira.
Foram atĂ© sua antiga casa. A casa estava abandonada — e o pai dela havia sido internado em uma clĂnica psiquiátrica, diagnosticado com distĂşrbios de comportamento e alcoolismo severo.
Cassie não desejava vingança.
Desejava paz.
Ela acendeu uma vela no portĂŁo e deixou um bilhete:
> “Eu me perdoo. E te perdoo. Para que isso não me prenda mais.”
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O horizonte
Naquela tarde, Cassie e Hoseok subiram a antiga colina onde ela costumava observar o céu quando criança.
O mesmo lugar onde sonhava com uma vida diferente.
— É aqui que tudo começou — ela sussurrou.
Hoseok tirou algo do bolso.
Era uma caixinha pequena. Azul.
Cassie arregalou os olhos.
— Hobi…
Ele sorriu, ajoelhando-se sob o céu dourado do entardecer.
— Você viu além do horizonte quando tudo parecia escuro.
— Agora… quero construir esse novo horizonte com você.
— Casa comigo?
Ela riu entre as lágrimas, cobrindo a boca com as mãos.
— Sim. Mil vezes sim.
Eles se beijaram sob a luz quente do sol, com o vento dançando ao redor deles como aplausos silenciosos do universo.
Porque o amor deles nasceu da dor.
Mas floresceu na liberdade.
E agora… existia um novo horizonte.
Juntos.
✨ EpĂlogo – Um novo começo
Dois anos depois, Cassie publicava seu primeiro livro:
“Além do Horizonte – A História de Uma Garota Que Decidiu Viver”.
Na dedicatĂłria:
> *“Para quem teve medo.
Para quem fugiu.
Para quem voltou.
E para quem encontrou, no amor, a coragem de seguir em frente.”*
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FIM.