Leveza

2083 Words
Eu nunca entendi muito bem como a minha cabeça funcionava. Quando eu era criança pensava em tanta coisa ao mesmo tempo que não conseguia absorver tudo, me lembrava das coisas que eu considerava mais importantes, o que no caso de uma criança eram as brincadeiras com os amigos. Depois, quando já era adolescente, pareceu diminuir, mas ainda era frenético e a única coisa que eu considerava importante era a Hotaru e os seus p****s, claro ela estava me usado, mas isso não vem ao caso agora. A minha vida recebeu uma parada brusca quando o meu pai faleceu, foi no dia em que eu recebi a notícia que eu senti o meu mundo parar de correr, ele ficou estagnado e desde então eu conseguia parar e fazer tudo com calma, eles parecerem ficar em ordem, até mesmo na guerra, eu observava, em silêncio e com calma para depois poder atacar. Mas quando eu abri aquela porta tudo pareceu voltar, a minha cabeça ferveu, como uma bomba, milhares de pensamentos explodiram dentro da minha cabeça, milhares de imagens de milhares de pessoas passavam por mim e por um segundo eu quis gritar, mas aí eu conseguir me dar conta do que estava acontecendo. *** Não sei o que aconteceu, e não sei como vim parar aqui. Mas olhei pra baixo e vi Sasori com sangue no rosto, ele estava desacordado. Olhei de um lado para o outro e não vi mais ninguém. Cade e a Hinata? Ela estava aqui. Coloquei força nas minhas pernas, mas elas estavam bambas e eu não consegui segurar o peso do meu corpo e então caí, ao lado do Sasori. Minha visão estava turva, mas cadê a Hinata? Ela estava bem aqui. Fiz novamente o mesmo processo, me forcei a levantar e fui até a cozinha. -Hinata?- A minha voz saiu tão grossa que eu mesmo assustei. Mas ela não respondeu, não estava aqui. Fui me apoiando enquanto andava até conseguir chegar ao quarto. -Hinata?- Parecia que tinha agulhas na minha garganta. De repente eu ouvi passos atrás de mim, eles vinham da sala e eu voltei o mais rápido que consegui para lá. Hinata olhava de um lado para o outro, ela carregava um pano na mão e seu rosto estava machucado. -Naruto- ela me disse chorosa quando me viu. Seus passos até mim foram rápidos, ela me abraçou forte e eu passei a mãos por ela ainda sem saber o que aconteceu. Ela chorava. Nos soltamos e eu segurei seu rosto entre minhas mãos, tinha sangue seco em seu nariz. -O que aconteceu?- Minha voz ainda não tinha voltado ao normal e eu percebi agora que preciso desesperadamente de um copo de água. -Você não se lembra? Neguei com a cabeça. Eu não faço a mínima ideia do que aconteceu, eu só me lembro de… Só me lembro de… Eu nem sei mais, tudo parece ser só um borrão. Mas acho que deve ter sido uma coisa muito r**m. -O que aconteceu com o seu rosto? -Você precisa de água. -O que aconteceu com você? -Vamos- ela me puxava até a cozinha. -O que aconteceu com você merda? Ela soltou o meu braço na mesma hora. Ficou de costas para mim e eu me aproximei, a abracei e dei um beijo em seu pescoço. -Me diz o que aconteceu. -Primeiro você- ela abriu a geladeira e me deu um copo com água. Admito que eu agradeci, estava mesmo precisando disso, mas o rosto todo machucado dela me preocupava. Eu não sei porque eu não me lembro do que aconteceu. -O Sasori… -O que? -Ele me acertou- ela olhava para baixo- e você explodiu em cima dele. -Desculpa, eu não queria te assustar. -Ele, ele- ela começou a tremer- Ele ainda está apagado?- olhei para a sala onde ele ainda estava deitado no chão. -Acredito que sim. Eu vou lá. Você não vai mais ficar aqui. -Não tenho outro lugar Naruto. -Tem sim- eu disse indo em direção a sala. Me ajoelhei na frente dele e peguei o celular que estava no bolso. Desbloqueei com o dedo dele e fui nas últimas ligação. Liguei para o último número discado. Era de seu motorista. *** Hinata Naruto fez eu arrumar todas as minhas coisas numa mala e eu fiz, agora estávamos indo em direção a sua casa, ele estava calado, do mesmo modo que era quando nos conhecemos e eu me senti extremamente incomodada. Não conseguia parar quieta no banco, sem saber o que se passava pela cabeça dele. -Você não estava beijando ele estava?- ele perguntou de repente, percebi a respiração alterada. -Não- me desesperei- É claro que não. Ele entrou sem avisar, eu falei para ele ir embora, mas ele não obedece ordens. O carro voltou ao silêncio absoluto. Quando chegamos ele me ajudou a levar as coisas para o meu quarto e foi para o seu logo em seguida. Eu não sei o que ele viu, não sei o que ele está pensando, mas a minha mente está rodando muito para pensar nisso agora, eu só consigo pensar na cor dos olhos do Naruto quando ele partiu pra cima do Sasori. Fui direto para o banheiro e tomei um banho quente, fiquei muito tempo com a água caindo sobre mim. Não aguentei e deixei as lágrimas caírem. Quando eu virei o registro respirei fundo e peguei a toalha, enrolei outra no cabelo e voltei para o quarto, meu coração pulou quando vi o Naruto sentado na cama olhando para o teto. -Está tudo bem?- eu perguntei e ele levou o olhar até mim. Naruto afirmou com a cabeça e levantou uma caixinha de primeiros socorros. -Senta aqui. Eu me sentei de frente para ele. Vi quando ele pegou algodão e colocou alguma coisa nele, logo depois veio passando onde estava machucado, seu olhar estava concentrado e ele tentava ao máximo ser delicado. Não demorou muito e ele tinha terminado e eu fiquei apreciando o carinho que ele começou a fazer em mim. -Me desculpa- eu disse. -Pelo que? -Eu deveria ter batido nele ou sei lá. -A culpa não é sua Hinata, não se martirize por uma coisa assim, ele já teve o que merece e eu vou te proteger, sempre. As lágrimas voltaram a cair e ele levou minha cabeça até seu peito, me abraçando com força. Seus braços passaram por mim cobrindo-me com o seu corpo. Eu pude sentir todo o calor que ele exalava e isso foi me acalmando aos poucos. -Quer dançar?- o escutei falar e sorri- quer? Eu afirmei com a cabeça e nos levantamos, ele passou calmamente as mãos pela minha cintura, me prendendo entre elas. Eu por outro lado agarrei o seu pescoço, eu amo de mais o Naruto e não me perdoaria se acontecesse algo entre nós e me sinto feliz e mais tranquila de saber que ele é sem dúvidas o amor da minha vida e eu nunca vou ter outro igual a ele. Então… -Sim- eu falei. -Sim? -É, sim. Eu aceito o seu pedido. Eu senti o seu sorriso quando ele baixou o seu rosto entre a curvatura do meu pescoço, Naruto me apertou ainda mais contra ele tirando até um pouco do meu fôlego, mas eu retribui, com toda força que eu tinha. -Eu te amo- escutei ele dizer. -Eu também te amo, muito. Nós passamos alguns minutos dançando, no silêncio, só com a luz da lua iluminando o quarto e eu nunca me senti tão feliz em toda a minha vida. Naruto Eu acordei agarrado com a Hinata, nós passamos a noite abraçados, fazendo carinhos um no outro. Eu fiquei pensando por muito tempo o que vai acontecer agora, o que aquele tal de Sasori vai fazer e não acho mais seguro ficarmos aqui, não sei do que ele é capaz, mas já tenho ideia do que fazer, só não posso deixar a Hina saber. Me levantei bem devagar e voltei ao meu quarto, tomei um banho quente e assim que voltei peguei o meu celular, ia discar o número quando a minha porta abriu. -Oi meu querido- era a Karin- Você mora aqui, mas parece que eu nunca vejo você. -Eu acho o mesmo, está tudo bem? -Comigo sim, mas e com você? Eu sorri meio murcho, mas mesmo assim feliz. -Eu pedi a Hinata em casamento- ela arregalou os olhos. -Sério? -Sim e ela disse sim. -Isso é tão legal- ela gritou- Nossa, eu nunca imaginei você casando para ser sincera. -Nossa, machuca mais que ta pouco- ela sorriu. -Mas você não está tão bem hoje. -Eu estou pensando em me mudar com a Hina, a história é bem longa. -Eu sou sua irmã, você pode me contar. Eu me sentei e contei toda a história para a Karin, não poupando nenhum detalhe. Ela ficou horrorizada quando o Sasori entrou na narrativa e concordou comigo na decisão de me mudar. -Eu só não sei se devo ir pra lá. -Claro, você deve sim… Ele é seu Naruto, papai deixou pra você. -Não sei se vou me sentir bem em estar lá. -Vamos fazer assim, eu vou com você… Até o Nagato seria legal ir e você vê como se sente. Eu pensei um pouco e resolvi aceitar. Me troquei e enquanto a Karin foi chamar o Nagato eu fui avisar a Hina que ia dar uma volta. Não demorou muito para nós três estarmos no carro da Karin, indo em direção a casa de praia do papai, quer dizer, minha. Foi uma das coisas que ele me deixou depois que morreu e desde que fui para o exército eu nunca mais entrei naquele lugar, tenho certeza que está tudo limpo, porque a mamãe nunca deixaria nada do papai sem cuidados. Demorou alguns minutos para chegarmos e assim que avistamos, ela era linda, uma mistura de paredes de tijolos, madeiras e vidro, a maioria de vidro. Eu amo essa vista, amava vir aqui com o meu pai e brincar com ele ali na praia. Eu peguei a chave e abri a porta, como imaginei estava tudo lindo e bem organizado, ao contrário da nossa casa a mamãe não mudou nada dessa aqui, estava tudo exatamente igual, exatamente da forma que estava quando eu corria por esses cômodos. Cada um foi para um lugar da casa, cada um tem as suas memórias e as coisas que precisam relembrar, eu subi as escadas, passando a mão lentamente pelo corrimão, parei de frente para o meu quarto, coloquei a mão na maçaneta. *-Papai, papai- olha o que a mamãe deixou eu trazer- eu pulei no corredor com a minha prancha, essas férias vão ser incríveis. -Legal Naru, nós já vamos estrear, vem, vamos ajudar a sua mãe com as roupas. -Ta- ele me colocou nas costas e nós fomos até o quarto dos dois. Mamãe está com uma barriga enorme, os dois falaram pra mim e para a Karin que é um irmãozinho e o nome dele vai ser Nagato, fiquei muito feliz quando descobri. Ela estava sentada na cama com a mala aberta e arrumando as roupas, eu pulei na cama. -Mamãe, mamãe- eu pulava e os dois riam- Eu vim ajudar. -Meu herói- ela me puxou para um abraço, meu pai ria como sempre.* Abri a porta e entrei, o carpete azul escuro ainda estava em perfeito estado, me sentei na cama que agora é extremamente pequena. Todos os móveis são pequenos, eu pareço um gigante aqui dentro. Meu coração está acelerado. *-Vamos jantar filho- A mamãe apareceu com o Nagato no colo. Eu não esperava que ele viesse tão pequeno, nem consigo brincar com ele ainda e a mamãe disse que tenho que esperar mais um tempo, e isso é um saco. Mas tudo bem. Desci correndo as escadas, Karin e o papai já estavam na mesa. E como sempre o jantar foi muito divertido.* Me levantei e fui passando o olho pelas fotos penduradas na parede, várias e várias lembranças surgiram, coisas que eu nem me lembrava voltaram com tudo e eu me senti… Em paz, me senti bem. Talvez essa seja a escolha certa. Os dois ainda olhavam suas coisas de infância e eu fui até a entrada, coloquei os pés na areia e fiquei sentado observando o mar, já era fim de tarde e a paisagem estava belíssima. Depois de um tempo os dois apareceram e nós voltamos para casa, eu me senti parte da família de novo e me sinto leve como era antes de tudo ter acontecido.
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