No dia seguinte a ter comunicado ao seu neto o seu último pedido ele recebe no seu quarto de hospital duas visitas, primeiro George o seu salvador e Victoria a sua nora e mãe do seu neto.
- George, meu velho amigo – diz Frank ao vê-lo entrar no quarto
- Sr. Bishop – diz George ao entrar
- Frank, pelo amor de Deus – diz Frank e ele sorri
- Está com péssimo aspeto meu velho amigo – diz George ironizando
- Ah, você está com melhor aspeto – diz e ambos se começam a rir da desgraça alheia
- A que se deve este convite de emergência? – pergunta George sabendo que ali havia coisa e Frank sorri
- Preciso de um favor teu – diz e respira fundo e olha para ele – George, tanto tu como eu estamos a terminar a nossa passagem nesta vida, e eu graças a ti, prolonguei a minha estadia aqui… - começa Frank a falar, mas não termina porque George não deixa
- De novo a conversa do costume, vai direto ao ponto – diz George a olhar para ele
- Eu quero casar o meu neto com a tua neta para que ela tenha uma vida estável – diz Frank de forma direta e tocando no ponto sensível e fraco de George – Tu sabes que quando tu partires ela estará sozinha e cheia de contas para pagar e que a primeira coisa que ela fará é… - e George interrompe Frank novamente
- Desistir da faculdade… - diz George e Frank consente com a cabeça
- O maior e único sonho da vida dela – enfatiza Frank e George fica em silêncio a olhar para ele e respira fundo
- E como é que pensas casar eles os dois se eles nem se conhecem? – pergunta ele e Frank começa a rir
- Só preciso que digas à tua neta que aceite o contrato que lhe será entregue, nada mais, e ela nunca mais se preocupará com nada – diz Frank a olhar para ele
- Pode deixar que eu falo com ela – diz George depois de ficar em silêncio por alguns minutos e Frank sorri para ele vitorioso
Os dois amigos conversam durante algum tempo e depois George vai embora pois ele tem que ir para os seus tratamentos e eles despedem-se os dois sem saber que seria a última vez que se veriam, mas com consciência que isso era muito provável. Logo após ida de George chega Victoria, a nora de Frank.
- Sempre pontual – diz Frank a olhar para o relógio e vendo que ela chegava precisamente na hora que eles tinham marcado
- Pontualidade é a minha imagem de marca meu sogro – diz ela a sorrir – Até no meu casamento eu fui pontual – diz ela com alguma nostalgia
- Verdade minha querida, verdade – diz ele a sorrir
- E que tanta urgência tem em falar pessoalmente comigo? – pergunta ela com alguma curiosidade, mas já prevendo que ele tinha alguma coisa na manga
- Senta que temos de conversar sobre um assunto delicado – diz ele e ela puxa a cadeira e senta-se junto dele e fica a olhar para ele – Vou casar Henry com a neta de George – diz ele e ela fica a olhar para ele em silêncio e depois começa a rir
- Muito boa a sua piada – diz ela e ele fica com uma expressão séria e ela percebe que ele está a falar sério – Como é que pensa fazer isso se ele é cego por Brandy? – diz ela e ele esboça um sorriso
- Um contrato, uma clausula no testamento – diz ele e ela sorri
- Muito interessante – diz ela que também não gosta de Brandy – E onde eu entro nisso? – pergunta ela apreensiva
- Vais ser os meus olhos e ouvidos depois de eu partir – diz ele e ela respira fundo pois ela não lida bem com a morte e depois do marido ter falecido precocemente de acidente ela ainda começou a lidar pior e mesmo sabendo que ele tem os dias literalmente contados ela finge não pensar que isso está para breve.
- Pensava que era apertar o pescoço da lambisgoia da Brandy – diz ela fazendo beicinho e ele ri
- Também podes fazer, mas antes de eu fecha os olhos porque isso eu quero ver – diz ele e eles começam os dois a rir
- E posso saber que contrato e clausula é essa? – pergunta ela curiosa e ele sorri
- Sim, ele se quiser a herança dele, terá de permanecer casado com a neta de George durante cinco anos, e no fim terá de manter o sustento dela – diz ele a olhar para a nora – Eu tenho uma dívida incalculável com ele, ele tal como eu ele está para morrer… - diz e é interrompido
- Frank… - diz ela
- Victoria, eu sei, mas tens de aceitar que vai ser em breve, mas continuando, a minha dívida eu não conseguirei pagar e ele nunca aceitou nada meu, mas a neta dele não tem mais ninguém, eu investiguei e ela é uma excelente aluna do curso de química medicinal e é um pequeno génio, e sem o avô ela nem isso vai terminar, e eu não vou permitir – diz ele e ela consente com a cabeça
- Entendo – diz ela – Henry vai ficar furioso quando souber – avisa ela
- Eu ontem falei com ele sobre este meu último pedido, mas, a minha memória está fraca e esqueci de mencionar o contrato e a clausula – diz ele em tom de brincadeira e ela começa a rir
- Esqueceu? – pergunta ela e ele dá de ombros
- Ele saberá depois de eu… bom… tu sabes – diz e ela respira fundo
- E Brandy? – pergunta ela
- Eu tenho a esperança de que ele se apaixone pela esposa – diz Frank – E largue aquela interesseira para lá – diz ele e Victoria faz figas com os dedos
- E como é que ele ontem reagiu? – pergunta Victoria
- Bem, calmo, muito controlado, pelo menos até sair daqui de dentro, mas bem sabemos que ele se puder não vai fazer o que eu pedi, por isso eu mandei redigir o contrato para me certificar – diz Frank e ela sorri
- Sempre um passo à frente – diz Victoria – E se ele tivesse negado? – pergunta ela
- Eu não teria o meu lapso de memória e iria ser obrigado na mesma – diz Frank – Essa empresa que ele tanto ama, foi meu avô e o meu pai que a fundaram, eu e o pai dele a fizemos crescer e ele também está a fazer um ótimo trabalho e por isso eu tenho o direito de não permitir que aquela lá fique ou rebente com o nosso património, porque se ela se casar com ele é o que vai acontecer com a ajuda do amante dela – diz e os dois ficam a olhar um para o outro durante alguns minutos em silêncio
- Como sempre, tem razão – diz ela e sorri – Pode ficar descansado que eu ficarei de olho bem aberto – diz ela e ele respira fundo e feliz por conseguir ainda fazer mais esta ação.