CAPÍTULO 31 GABRIELA NARRANDO Fiquei um tempo em silêncio depois que a Karina falou do baile. Minha cabeça ainda tava longe, imaginando uma cena que eu nunca vivi. Música alta. Luz piscando. Ele num camarote. Eu nem percebi que tava sorrindo sozinha até ela me cutucar de leve. — Onde tu foi agora? — ela perguntou, estreitando os olhos. — Lugar nenhum — menti, tomando mais um gole de café. Ela não insistiu. Só ficou me olhando daquele jeito observador que ela tem. Como se enxergasse além do que eu falava. O silêncio voltou, mas não ficou pesado. Ficou… pensativo. Karina apoiou os cotovelos na mesa e me encarou de novo. — Você não tem vontade de falar com seu pai? A pergunta caiu direto no meu peito. Eu congelei por um segundo. — Não. Saiu rápido demais. Ela inclinou a cabeça.

