Encostou a mão na borda da minha cadeira, perto demais. Meu corpo inteiro travou. Antes que eu falasse qualquer coisa, eu ouvi. O som. O ronco conhecido da moto. Subindo devagar. Parando bem na frente do trailer. O cara ainda tava ali quando o silêncio ao redor começou a se formar sozinho. Eu não precisei virar pra saber. Mas virei. Ele já tava descendo da moto. Capacete na mão. Olhar fechado. Andando na nossa direção sem pressa nenhuma. E o cara do meu lado ainda não tinha entendido o tamanho do problema que tinha acabado de arrumar. O cara ainda tava ali, todo folgadinho, quando ele parou do nosso lado. Digão nem olhou pra mim primeiro. Olhou pro cara. Frio. Silencioso. — Qual foi? — a voz dele saiu baixa, mas pesada. O menino tirou a mão da minha cadeira na mesma hora.

