CAPÍTULO 23 DIGÃO NARRANDO Saí da cozinha com o gosto da comida dela ainda na boca. “Tava bom.” Eu não elogio fácil. Não é meu jeito. Mas tava mesmo. Desci os dois degraus da sala ajeitando o rádio na cintura. Juninho veio atrás, ainda mastigando. — A mina cozinha pra caralhø, chefe — ele falou baixo, como se fosse segredo. Lancei um olhar pra ele. — Vai trabalhar, Juninho. Ele levantou as mãos, rindo. Saí de casa e o sol da tarde já tava mais forte. O morro tinha outro clima nesse horário. Mais barulho. Mais movimento. Mais olho em cima. Subi na moto e dei partida. No caminho, minha cabeça não tava só na carga. Tava nela. Gabriela. A forma como ela ficou quieta na mesa. Como respondeu sem arrogância. Como se encaixou ali dentro sem tentar forçar espaço. Isso é raro. Muit

