CAPÍTULO 33 GABRIELA NARRANDO Eu senti os olhares. Desde o momento que desci da moto. Não eram descarados. Mas estavam ali. E eu sabia o motivo. Não era só por eu ser mulher. Era por eu estar atrás dele. Quando a moto parou perto da boca, o silêncio mudou. Não ficou quieto — ficou atento. Digão desceu primeiro. Eu desci logo depois. Não abaixei a cabeça. Se eu demonstrasse insegurança ali, eu tava perdida. Fiquei ao lado dele enquanto ele dava dois ou três comandos rápidos. Voz firme. Baixa. Todo mundo entendendo de primeira. Depois ele olhou pra mim. — Fica aqui na frente hoje. Assenti. Era ali que o dinheiro girava mais rápido. Movimento constante. Usuário chegando, vapores passando, contenção de olho na rua. Um dos menores me entregou a pochete com o dinheiro trocado.

