Nos dias seguintes, eu voltei ao presídio.
Mais uma visita.
Mais uma vez atravessei aqueles corredores frios sem abaixar a cabeça.
Quando entrei na sala, os cinco já estavam esperando.
Eles tinham começado a me observar diferente.
Não como uma advogada.
Mas como alguém que tinha despertado a curiosidade deles.
Logan foi o primeiro a falar.
— Ainda não entendo uma coisa.
Ele se encostou na cadeira, me analisando.
— O que uma doutora tão linda como você faz entrando nesse lugar?
Igor soltou uma risada baixa.
— É verdade. A maioria das pessoas corre quando ouve nossos nomes.
Chunall ficou em silêncio, mas seus olhos estavam atentos.
Brandão cruzou os braços.
— Você não tem medo da gente, ruiva?
Eu coloquei a pasta sobre a mesa e respondi sem hesitar:
— Não.
A resposta fez os cinco me encararem.
Eu continuei:
— Vocês querem sair daqui?
O silêncio mudou.
Pela primeira vez, a conversa não era sobre o passado deles.
Era sobre futuro.
Druval respondeu:
— Claro que queremos.
— E quando saírem... vão para onde?
Eles se olharam.
Nenhum respondeu de imediato.
Até Logan falar:
— Não sabemos.
Igor deu de ombros.
— Mas damos um jeito.
Eu observei os cinco.
Homens que todos diziam serem monstros.
Mas naquele momento pareciam apenas homens sem lugar para voltar.
Então perguntei:
— Vocês têm família?
Silêncio.
— Mulher? Filhos?
Nada.
Brandão desviou o olhar.
— Não.
Aquilo confirmou algo que eu já tinha percebido.
Eles não tinham ninguém.
Então eu abri a pasta e coloquei as mãos sobre a mesa.
— Então vamos direto ao ponto.
Eles ficaram atentos.
— Eu tiro vocês daqui.
As expressões mudaram.
— E em troca?
Eu sorri.
— Vocês me ajudam.
Igor arqueou a sobrancelha.
— Ajudar em quê?
Eu respirei fundo.
Pela primeira vez, falei em voz alta o meu plano.
— Quero me vingar das minhas irmãs.
O silêncio caiu na sala.
Logan estreitou os olhos.
— Vingança?
— Sim.
Druval inclinou a cabeça.
— O que elas fizeram?
Eu fechei a mão, lembrando de cada traição.
— Elas destruíram minha vida.
Contei apenas o necessário.
Não precisei explicar tudo.
Eles entenderam a dor de ser traído.
— E o que exatamente você quer que a gente faça? — perguntou Chunall.
Eu encarei os cinco.
— Quero que vocês finjam que estão comigo.
Alguns segundos de silêncio.
Então eles começaram a rir.
Brandão passou a mão pelo rosto, desacreditando.
— Sério isso, ruiva?
Eu mantive minha expressão séria.
— Muito sério.
Igor se aproximou um pouco, apoiando os braços na mesa.
— Você quer que cinco homens como nós finjam ser seus?
— Exatamente.
Um sorriso apareceu no rosto dele.
— Bom... pensando bem, não é uma ideia tão r**m.
Ele colocou a mão no queixo, provocando:
— Fingir que sou seu... sendo que você é uma mulher bonita desse jeito. Talvez você até goste.
Revirei os olhos.
— Vocês vão parar ou vão responder?
Logan soltou uma risada baixa.
— Você é corajosa.
— Eu sei.
Ele me encarou.
— E o que ganhamos?
Eu abri a pasta novamente.
— Liberdade.
Aquilo fez todos ficarem sérios.
Continuei:
— Acesso à minha mansão. Roupas novas. Tecnologia. Alimentação de qualidade. Carros. Uma vida que vocês nunca tiveram.
Parei por um instante.
— E eu.
O olhar dos cinco mudou.
Não pela arrogância.
Mas pela surpresa.
Eu levantei.
— Peguem ou larguem.
Caminhei até a porta.
— Vocês decidem.
Quando minha mão tocou a maçaneta, ouvi a voz de Logan.
— Giovanna.
Eu parei.
Olhei para trás.
Ele estava sério.
— Você sabe que está fazendo um acordo com homens perigosos, não sabe?
Eu sorri de canto.
— Eu também sou perigosa mais então farei o seguinte... pensem em tudo isso. Semana que vem eu volto.
Eu já estava me levantando quando parei.
Olhei para os cinco homens na minha frente.
— Não. Espera.
Eles me encararam.
— O que exatamente vocês querem?
Logan franziu a testa.
Eu apoiei as mãos na mesa.
— Eu dou liberdade a vocês e vocês me dão proteção. Simples assim.
O silêncio tomou conta da sala.
— E essa proteção significa fingir que somos seus homens? — perguntou Brandão.
Eu sustentei o olhar dele.
— Se vocês quiserem.
Eles ficaram quietos.
— Mas se não quiserem, tudo bem. Podem fingir que são apenas meus amigos. Não existe problema nenhum nisso.
Eu peguei minha pasta.
— Minha mansão é enorme. Extremamente protegida. Cada um de vocês terá um quarto de luxo preparado. Vocês vão poder comer o que quiserem, terão roupas novas, celulares, computadores, tudo que precisarem.
Eles continuavam me olhando como se eu tivesse acabado de falar algo impossível.
— Cada um vai ter um carro.
Igor soltou uma risada incrédula.
— Você realmente pensou em tudo, não é?
— Eu sempre penso.
Continuei:
— Eu vou conseguir a liberdade de vocês, mas no começo vocês terão que usar tornozeleira eletrônica. É uma exigência. Mas será temporário.
Olhei para eles.
— Em cinco meses eu garanto que vocês estarão livres para ir onde quiserem.
Chunall estreitou os olhos.
— E depois?
— Depois vocês seguem a vida de vocês.
Parei por um segundo.
— Acredito até que vocês tenham coisas para resolver. Talvez pessoas para enfrentar. Talvez alguém que colocou vocês aqui.
O olhar deles ficou mais sombrio.
— Se quiserem se vingar, façam. Mas tenham cuidado.
Minha voz ficou firme.
— Não voltem para cá. Porque se voltarem, vai ser muito mais difícil para mim tirar vocês novamente.
Eles ficaram em silêncio.
Até Logan levantar.
Passou a mão pelos cabelos loiros, desacreditado.
— Você está falando sério mesmo?
Brandão também levantou.
— Não é possível.
Igor riu baixo.
— Doutora Marreta...
Eu arqueei a sobrancelha.
— Marreta?
Ele sorriu de lado.
— É o apelido que combina com você. Chega aqui com essa beleza toda, essa postura, essa coragem... e simplesmente faz uma proposta dessas para cinco homens que o mundo inteiro abandonou.
Druval bateu a mão na mesa.
— Você tem noção do que está fazendo?
Eu fiquei em silêncio.
Ele continuou:
— Você está falando com cinco dos homens mais perigosos que existem. Nós somos tratados como animais aqui dentro dessa porcaria.
A voz dele carregava raiva.
— Não tem alimentação direito. Não tem ventilação. Às vezes falta água. Às vezes somos proibidos até de tomar banho de sol. Às vezes jogam a gente na solitária por qualquer coisa.
Ele apontou para o lugar ao redor.
— E você chega aqui, olha na nossa cara e fala que vai nos tirar daqui?
Eu respirei fundo.
Então Logan perguntou:
— O que suas irmãs fizeram para você querer uma vingança desse tamanho?
Eu fiquei alguns segundos em silêncio.
Depois respondi:
— Eu tive quatro maridos.
Os cinco ficaram atentos.
— E todas as vezes... uma das minhas irmãs tirou eles de mim.
O silêncio foi imediato.
Eles arregalaram os olhos.
— O quê? — perguntou Igor.
— Exatamente.
Sentei novamente.
— Tudo começou quando eu tinha 18 anos.
Logan ficou sério.
— Você está dizendo que quatro homens trocaram você pelas suas próprias irmãs?
Eu assenti.
— Sim.
Minha voz ficou mais baixa.
— Minha vida virou um inferno depois disso.
Olhei para eles.
— E minha própria família decidiu que eu deveria esquecer. Minha mãe dizia que eu não deveria criar caso. Que não valia a pena brigar por homem.
A expressão dos cinco mudou.
Eles começaram a entender.
— Repete isso — disse Brandão.
Eu encarei ele.
— Quando eu tinha 18 anos, me casei com Pedro. Depois de quatro anos de casamento, descobri que minha irmã mais velha, Amanda, tinha um caso com ele.
Eles ficaram em silêncio.
— Um ano depois, tentei novamente. Casei com Luiz. Dois anos juntos. Peguei minha segunda irmã, Jéssica, com ele.
Minha mão apertou a pasta.
— Depois dei uma terceira chance para o amor. Ricardo. Um ano de casamento. Minha terceira irmã, Fernanda.
A raiva começou a aparecer no rosto deles.
— E quando achei que não poderia acontecer novamente... aconteceu.
Minha voz falhou por um segundo.
— Caio. Eu escondi meu relacionamento da família. Não contei para ninguém. Tentei proteger aquilo.
Olhei para eles.
— Mas minha quarta irmã, Alice, estava com ele.
Nenhum deles falou.
Cinco homens conhecidos por não demonstrarem sentimentos.
Mas naquele momento, todos estavam sérios.
— Eu sou a caçula da família Melo.
Respirei fundo.
— Quatro irmãs destruíram minha vida. Minha família ficou do lado delas. E ainda tenho quatro ex-maridos tentando voltar, pedindo perdão.
Logan fechou a mão.
— Agora entendemos.
Eu olhei para eles.
— Entendem por que eu quero vocês comigo?
Ninguém respondeu.
Então continuei:
— Eu poderia contratar qualquer pessoa. Um empresário famoso. Um segurança particular. Qualquer homem.
Passei os olhos pelos cinco.
— Mas quando o caso de vocês chegou até minha mesa, eu percebi uma coisa.
Minha voz suavizou.
— Vocês não tinham ninguém.
Eles ficaram em silêncio.
— Eu juntei o útil ao agradável.
Brandão me encarou.
— Então você não está fazendo isso porque quer controlar a gente?
— Não.
Balancei a cabeça.
— Eu posso tirar vocês daqui. Vocês ficam na minha casa por um tempo. Me ajudam com a minha vingança.
Peguei a pasta.
— Quando tudo terminar, eu pago o valor que vocês quiserem.
Olhei firme para eles.
— E vocês seguem a vida de vocês.
Parei.
— Não precisam ficar comigo porque eu tirei vocês da prisão. Não precisam me dever nada.
O silêncio daquela sala nunca tinha sido tão pesado.
Porque pela primeira vez em muitos anos...
Alguém não estava olhando para eles como monstros.
E talvez Giovanna não tivesse percebido ainda.
Mas naquele momento, cinco homens perigosos começaram a escolher ficar ao lado dela.
Não por obrigação.
Mas porque aquela mulher tinha oferecido algo que ninguém nunca ofereceu:
Uma segunda chance.