Era o dia mais importante na vida de Cassie Storm. Finalmente, recebeu o que esperou por longos dois anos: o distintivo de detetive do departamento de polícia de Mahattam. Agora sim, tinha o sonho realizado. Se seu pai estivesse vivo, ele estaria orgulhoso de ve-la seguir seus passos. Cassie sempre prometeu a ele que o legado da família continuaria, mesmo com ela quebrando o Tabu.
Cassie era a primeira mulher a tornar-se uma detetive na família Storm. De geração a geração, os homens sempre mostravam poder. Agora, era a vez dela. Sua amiga e parceira na polícia, Karoline Graves, esteve presente e não deixou de comemorar quando Cassie recebeu o tão sonhado distintivo. Apenas Deus sabia o que passaram para estar ali.
Uma comemoração especial no Bar do Nick's, com muita cerveja a distraia. Cassie pensava muito no trabalho. Agora, nomeada como a mais nova detetive, sabia que as responsabilidades seriam maiores, as atenções seriam redobradas e sua seriedade triplicada. Não poderia falhar.
Subia o elevador do prédio aonde morava em um bairro não muito chique da cidade. Olhava o mais novo objeto, que brilhava em suas mãos. Os olhos da garota enchiam - se de lágrimas ao ve-lo. Seu coração pulava cheio de alegria. Ela sempre vai querer mais e mais, mas vai aproveitar bem o seu momento no presente.
Pensativa, guardou o distintivo quando a porta do elevador se abriu. Seu apartamento era o último a direita. Não via a hora de tomar aquele banho e poder descansar seus pés. Eles doíam demais. Pegou as chaves de seu apartamento e o abriu. Ao entrar nele, fechou os olhos, inalando um perfume forte e amadeirado. Ela sorriu. Talvez fosse a senhora Foxy que limpou o seu apartamento. A vizinha de seus cinquenta e dois anos sempre cuidou da policial. Por isso, Cassie deixava uma copia de sua chave com ela para que olhasse qualquer coisa estranha pelo lugar. A senhora Foxy tinha sua espingarda preparada para atirar em qualquer ladrão.
Cassie colocou as chaves, o distintivo e a arma em cima de um armarinho pequeno, mas quando fechou os olhos, sentiu a presença de alguém ali. Tentou ser cautelosa com os próximos movimentos. Ela abaixou a mão novamente no armarinho, segurou a arma e o movimento foi rápido. Ela se virou e apontou para o restante da sala. Estava completamente escura. Cassie balançava a arma de um lado para o outro, sua expressão ficou dura.
- Eu sei que tem alguém aí e eu acho melhor sair de onde está nos próximos dez segundos ou eu juro que...
- Abaixe a arma! - Disse uma voz grossa, em tom baixo e com calma. O abajur acendeu e Cassie pode ver o homem sentado em sua poltrona, de pernas cruzadas e expressão fria. O grande cabelo n***o estava solto e caído nos ombros largos. O cavanhaque estava bem desenhado em seu rosto moreno, os olhos castanhos e frios pareciam estar dentro dos dela, tentando ler sua mente. Sem levantar os cotovelos do encosto da poltrona, ele levantou as mãos, mostrando paz. - Eu não estou armado e muito menos, vim com intenções de lhe causar algum mal... Pelo contrário... Eu só quero conversar.
Cassie não se mexeu. A arma permaneceu firme e apontada para aquele homem. Ela conhecia muito bem ele: Raymmond River, um dos maiores nomes da alta sociedade, o homem mais misterioso que ela já conheceu.
Raymmond era, o que diziam, o Rei de Mahattam. Tudo o que acontecia, era controlado por ele. Cassie nunca ousou se meter com ele, pois haviam muitos rumores sobre como ele agia.
Raymmond era intocável e com todos os boatos sobre sua “fama”, nunca quis te-lo em seu caminho, por isso fazia questão de manter seu trabalho. A arma apontada era apenas uma precaução. Estava tarde da noite e ela se perguntou o que ele fazia ali, sentado em seu sofá.
Raymmond esperou que a policial falasse algo, mas não o fez. Em partes, isso o divertiu. Sempre soube o quanto era corajosa. Ela lembrava muito o pai, seu velho amigo, Nathan Storm. Cassie tornou – se uma grande mulher e foi isso que o levou até ali.
- Primeiramente, eu gostaria de parabeniza - la por sua grande promoção, Senhorita Storm... Ou devo chama-la de Detetive Storm agora? - Começou ele, permanecendo no mesmo lugar e calmo, apesar da arma apontada. - Eu sei que esperou muito tempo por isso e...
- O que você quer aqui, River? - Cortou - o Cassie. Suas palavras eram feroz e a arma estava ainda apontada para ele.
O homem fechou sua expressão.
Ninguém ousava falar com ele daquela maneira. Muito se dizia sobre ele, sobre ser perigoso, mas ela não tinha medo daquilo. Tinha sorte por ele ter um interesse nela. Bem devagar, Raymmond se levantou, arrumou o terno preto e começou a dar passos vagarosos na direção da policial.
- Eu acho melhor você saber como fala comigo, Senhorita... Ou eu juro que você será uma mera guarda de trânsito se eu mandar...
Ela permaneceu em sua pose durona, sem reagir a ameaça dele. Ela sabia disso. Sabia que se ele quisesse, ela não seria mais ninguém, mas Cassie não temeu. Era apenas um cara achando que o dinheiro era tudo.
- O que você quer? - Repetiu ela, de novo e no mesmo tom.
Ele parou quando chegou perto da arma. Outra coisa inútil a Raymmond: a ponto quarenta de Cassie não seria páreo para a sua Desert Angle. Voltou a olha - la nos olhos.
- Abaixe a arma.
- O que você quer? - Repetiu ela, desta vez pausadamente.
Ele sorriu de canto.
- Como eu disse, vim parabeniza-la e dizer que eu realmente espero um bom trabalho em Mahattam... Mas já deve saber que se você chegou ao cargo de detetive, não foi só por méritos seus, não é? - Ela lhe lançou um olhar curioso, o que fez Raymmond sorrir ainda mais. - Eu deixei com que você chegasse aonde chegou hoje, detetive. Então, espero que saiba me agradecer e a me respeitar.
Cassie engoliu a saliva amarga em sua boca. Aquilo só poderia ser brincadeira. Ela sabia que ele comandava a cidade, mas será que ele mesmo aprovou a sua promoção? Balançou a cabeça negativamente.
- Eu não vou te agradecer a nada, River. Eu quero que você saia do meu apartamento agora ou eu não vou ligar para quem você é. Eu sou uma policial honesta e eu só quero cumprir com o meu dever. Aproveite que eu não quero mexer com seus negócios ou eu juro que vou ser uma grande pedra em seu sapato.
Aquelas palavras fizeram com que Raymmond soltasse uma gargalhada baixa. Cassie não sabia porque os pelos de seu corpo ficou arrepiados com aquela risada. Ele se aproximou mais da arma, fazendo o cano ficar em seu peitoral largo. O homem levou a mão ao objeto e abaixou, mas não o soltou.
- Eu não digo me agradecer com um simples obrigado, Cassie... Eu tenho outros interesses, mas não são para agora. Eu vou cobra-los mais tarde...
Cassie temeu o que poderia ser aquele interesse. Raymmond era um homem determinado a ter tudo o que queria, não era à toa que a cidade comia na mão dele. A detetive balançou a cabeça.
- Eu não vou lhe dar nada.
-Ah vai sim... Eu só não vou cobrar agora porque eu quero ve-la como será a partir de hoje. Quero avalia-la, depois eu cobrarei o que eu quero.
A troca de olhar foi intensa, mas ela não cederia. Raymmond tomou - lhe a arma e se aproximou dela, fazendo seus corpos ficarem bem perto, mas ele só depositou o objeto no armarinho.
- Tenha uma ótima noite, detetive.
Deu alguns passos para trás, abotoou o paletó e com um meio sorriso, ele saiu porta a fora, deixando uma policial confusa dentro do apartamento.