Rubens Erdoğan ☠. As ruas de Moscou estavam mais escuras naquela noite, as sombras pareciam se estender como se quisessem nos engolir. Estacionei a picape em um beco estreito, longe das luzes principais, e desliguei o motor. O silêncio caiu sobre nós, pesado e denso, como se o mundo tivesse parado de girar por um momento. Olhei para Ana, tentando acalmar o turbilhão de pensamentos e emoções que me tomava desde o incidente de ontem. O peso do que aconteceu ainda pairava entre nós, como uma sombra difícil de afastar. Respirei fundo antes de falar, com a voz mais suave que conseguia. — Estamos bem? — Perguntei, minha mão ligeiramente tremendo ao tocar o volante. — Sei que ontem… eu exagerei um pouco. Ela me olhou, sem pressa de responder, e a ironia que costumava brilhar em seus olhos se

