Capítulo 6

1105 Words
Meu pai nos ajudou com as poucas malas, enquanto isso Noah colocava neve dentro dos bolsos. Crianças são seres peculiares, em sua mente infantil, Noah vai guardar neve como ele guardaria uma flor ou galho, mas a diferença entre a neve e a flor é que a neve está derretendo em seu bolso. — Então esse deve ser o Noah. — Diz uma voz feminina. Meu menino corre para mim, sua timidez e desconfiança o faz correr para mim sempre que alguém que ele não conhece se dirige a ele. Meredith é como nas fotos que meu pai me enviou. Loira com olhos verdes, o tipo de mulher que parece ser perigosa, mas seus olhos gentis nos faz pensar algo diferente. Vou ter que conhecê-la para tirar minhas próprias conclusões. — Noah, essa é a Meredith, ela é amiga do vovô. — Amiga do vovô? Não quero amiga do vovô. Meredith se curva, colocando as mãos nas coxas e se inclinando na direção de Noah. — Eu soube que você gosta de Bob Esponja. Sabia que eu tenho um urso de pelúcia do Bob Esponja? Noah contrai os lábios antes de dizer: — Eu também tenho. — Depois você me mostra o seu, então? Noah vira o rosto, apertando ainda mais as minhas pernas. — Não leve a m*l, ele demora a se abrir. Ja já estara te seguindo pra onde quer que vá. — Digo, tentando orienta-la sobre a natureza introvertida do meu filho. Meredith se aproxima com os braços abertos. Meu coração acelera com a ideia de abraça-la. Não me levem a m*l, as únicas vezes que a vi foram em fotos. Não sei o que esperar do relacionamento deles, mas se meu pai está feliz eu também estou. — É um prazer finalmente conhecê-la. Seu pai fala tanto de você que sinto que já a conheco. — Espero que só coisas boas. — As melhores. — Completa meu pai. — Vem, vou levá-los ao quarto. Eles nos guiam pela enorme casa. Aqui é um labirinto, terei que ficar de olho em Noah pois tenho certeza que ele vai acabar se perdendo em todos esses corredores e quartos. — O nosso quarto fica no final do corredor. — Meu pai aponta na direção do corredor curvo. — Sempre nos mantendo por perto. — Meu pai tem traumas da guerra e nos anos que serviu no Iraque. — É claro. O quarto tem uma casa de casal a esquerda e uma cama de solteiro a esquerda. Há uma janela aberta e panorâmica na parede oposta a porta, o que nós dá visão das árvores e neve lá fora. — É perfeito. — Digo, com um sorrisinho nos lábios. — Esse é o segundo maior quarto, achei que gostariam de espaço. — Explica Meredith. Sinto, bem lá no fundo, que ela está tão nervosa e desconfortável quanto eu. Não é fácil entrar em uma família que já tem uma longa história. E isso vale para ambos lados. — Obrigada, Meredith. A casa é incrível, tenho certeza que vamos nos divertir muito juntos. Realmente d****o isso. Se tem algo que aprendi com a vida é que temos que curtir o presente, desfrutar de cada momento antes que ele seja o último. Isso me leva a pensar no sobrenome Evergarden, que ficou durante anos em minha mente. Será que são parentes? Será que ela sabe quem ele é? Não sei como Jonah reagiria se me visse depois de tantos anos. Aquela tatuagem de pássaros é um lembrete constante do que vivemos. Uma outra hora eu faço a pergunta, quero saber se tenho chances de voltar a vê-lo. Depois de deixarmos as malas no quarto. Decidi que não daria atenção a elas agora. Depois de sete meses longe do meu pai, finalmente tenho ele perto de mim, para poder contar tudo o que aconteceu nesses últimos meses. Não é lá grande coisa, mas meu pai é meu amigo e eu senti muita a falta dele. Eles nos guiaram a cozinha, onde ajudei a preparar o jantar simples e delicioso, favorito de meu pai, macarrão a bolonhesa. — O que é isso? — Pergunta Noah a Meredith. — É queijo mussarela, você gosta? O pequeno balança a cabeça em afirmação. Meredith corta um quadrado do tamanho de uma moeda do queijo entrega a ele. Noah da uma mordida e então sorrir para ela. — Obrigada, vovó. O que? Como ele... Meu pai festeja, e Meredith parece fascinada com a fala do menino. Mas só me pergunto de onde ele tirou isso? Claro que Meredith agora faz parte da família e eu não tenho problemas com Noah a chamando de avó, mas era que de longe algo que eu esperava. Me pegou de surpresa. — Vovó? Você me chamou de vovó? — Sim, vovô — ele aponta para o meu pai — vovó — aponta para Meredith — , mamãe — ele aponta para mim, e então se vira para a entrada — homem alto. Meu coração quase pula pela boca quando vejo um homem alto, de camisa presta e calça jeans na porta. p**a que pariu acho que tive um mini infarto devido a susto. — Enzo! Quando você chegou? — Meredith dispara em direção ao homem, o tal de Enzo, e lhe dá um abraço apertado. — Agora mesmo. Desculpe não ter avisado antes. Noah corre para mim, ficando de costas para as minhas pernas. Seguro seu ombro, enquanto ele não se sente confortável com a presença de Enzo. Meredith se afasta dele, se virando para nós. Meu pai caminha para perto dela. — Enzo essa é Lyla, filha do Tom. E esse menino lindo é o Noah, filho dela. Enzo abre um sorriso contido que não lhe sobe aos olhos. — Lyla esse é o meu filho mais velho. Sem me separar de Noah, o levando junto a mim, me aproximo de Enzo o suficiente para estender a minha mão. — É um prazer. — Enzo aperta a minha mão, me saudando. — Fizemos macarrão, eu sei que gosta. Venha, vamos por a mesa. Enzo é uma pessoa calada e contida, durante o jantar ele mau abriu a boca, falou somente quando se dirigiram a ele, mas mesmo com todo o silêncio, ele e meu pai pareciam se entender. Noah parecia intrigado com Enzo, quando o homem de cabelos pretos como carvão pegou o pão para passar no molho que restou em seu prato, ele o imitou. Não fazem doze horas desde que chegamos e as coisas já estão mudando em nossas vidas. Me pergunto o que mais irá mudar até que a cerimônia de casamento aconteça.
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