As agulhas talhavam minha pele. Conforme o tatuador deslizava a máquina pelas minhas costas, eu sentia uma ardência,uma dor que eu nunca havia sentido e que felizmente é suportável. Eu não sei onde eu estava com a cabeça quando Jonah disse, "sente-se,vou escolher o desenho", eu devia ter corrido para fora da loja o mais rápido possível. Só espero que não seja a imagem de uma genitália,por favor que não seja nada humilhante.
— Isso dói! — reclamei.
— Já vai passar. — disse ele.
— Aonde eu estava com cabeça quando concordei com isso?!
— Relaxa — ele virou uma página da revista que está lendo —, você vai gostar.
Não demorou muito, em menos de uma hora ele, o tatuador, se levantou e disse:
— Vou enfaixar,mas você já pode ver. — ele me estendeu um pequeno espelho.
Com muita dificuldade e com a ajuda de outro espelho maior, finalmente consegui ver o que tanto era desenhado em minha pele. Um pássaro. Traços leves formaram um pássaro em pleno vôo em minhas costas. Jonah tem bom gosto.
— O que achou? — Jonah quis saber.
— Eu achei lindo. — sorri.
Desviei minha atenção da pequena tatuagem e encontrei dois pares de olhos verdes olhando para mim, penetrantes. Não sei como estou conseguindo sustentar o sorriso em meus lábios e os olhos em Jonah.
— Aqui. — o tatuador voltou e nos tirou daquele momento — Não vou demorar.
A dor é momentânea. Essa frase grudou em minha mente após a dor da minha recente loucura ir diminuindo. Eu quase não sentia,se eu não soubesse que o pequeno pássaro não iria sair da minha pele,eu poderia jurar que ele já não estava mais ali.
— O que quer fazer agora? — Jonah perguntou.
Olhei ao redor em busca de algo que eu quisesse fazer. A inúmeras lojas e atrativos por onde passamos, a rua está cheia de pessoas tirando selfies, comprando algún petiscos dos vendedores ambulantes e até mesmo aos amassos. Uma pequena cabine fotográfica, escondida em meio a multidão,me chamou atenção.
— Fotos instantâneas! — disse rapidamente. Jonah não entendia o que eu queria dizer. — Ali! — apontei para a cabine, que não está muito longe de nós.
— Ah! Mas isso não parece nada com algo divertido ou arriscado! — ele pôs a mão na cintura e depósitou o peso do seu corpo em uma das pernas.
— Eu nunca tirei fotos assim antes! — juntei as mãos e supliquei — Por favor!
— Tudo bem — ele levantou as mãos se rendendo.
Não sei se é por que a cabine é realmente pequena ou se por que meu companheiro está muito próximo de mim, me sinto encurralada. O espaço é o suficiente para nós dois,por que ele estão tão próximo de mim?
— Vamos acabar logo com isso. — disse ele.
A cada disparo do fash mudamos de posição. Jonah parece está de divertindo,mas não sei ao certo, ele não gostou muito da ideia.
— Agora assim. — ele beijou meu rosto e eu me fiz de surpresa para a câmera.
Virei o rosto na direção dele e me perdir nos olhos que me encaravam. O flash disparou novamente. Ele aproximou o rosto do meu e beijou novamente minha bochecha,seguiu para meu nariz e então,minha boca. Diferente do beijo anterior, esse teve mais urgência. As faíscas queria de qualquer forma provocar um incêndio. As mãos dele em minhas costas,me puxando. Meus dedos em seu cabelo o incentivando a continuar.
— Ei, o tempo de vocês já acabou! — alguém de fora da cabine gritou.
— Vamos, o dia só começou.
As fotos ficaram engracadas. A maioria captou sorrisos e brincadeiras,mas uma marcou um beijo e meu rosto corado.
— Até que você ficou bonitinha. — ele disse.
— Bonitinha? Eu estou linda nestas fotos,nem parece que sou eu!
— É — ele suspirou — É linda mesmo.
Percebi que Jonah tem habilidade de me deixar corada. Ele me provoca sentimentos e sensações que é uma luta para mim não beija-lo e eu quero, quero muito beija-lo
— O que vamos fazer agora? — perguntei.
Ele ficou sério. Será que tem de errado? Seu silêncio me deixou incomodada.
Ele montou na moto e esperou que eu montasse.
— Segura firme, como se sua vida dependesse disso! — ele disse e eu balancei a cabeça em afirmação.
A moto corria pela estrada. É amedrontador. Estamos a mais de cem por hora e eu estou agarrada ao corpo dele. O vento assoita meus cabelos. Me sinto em perigo,me sinto livre.
Quando os primeiros pingos de chuva caíram sobre nós, o belo sol de Los Angeles deu adeus. Estamos encharcados.
— Ali na frente tem um casebre, consegue ver?
Levantei minha cabeça e a velha cabana, envolta de árvores, me provocou calafrios. É assim que começa um filme de terror. Jonah estacionou a moto e corremos para dentro da casa.
— Que frio!
— Vou ver se acho algo que possamos usar, tente procurar por cobertores! — balancei a cabeça rapidamente e me pus a vasculhar a medonha casa.
Um lençol,que um dia fora branco, um pedaço minúsculo de vela e um copo. Não poderia esperar mais de um casebre abandonado.
— Devíamos ter ficado mais próximo a cidade. — disse Jonah ao passar por mim. Ele leva algumas tábuas até a velha lareira.
— Não sabíamos que iria chover. Não tínhamos como prever. — me sentei no chão e me enrolei com o lençol.
Está tão frio,minhas roupas encharcadas só pioram tudo. Jonah está no mesmo estado,seus lábios rosados estão em um tom arroxeado e posso ver que ele se esforça para conter os tremores.
— Tem uma lona, lá tras, poderia pegar? — ele apontou para o corredor,sem olhar para mim.
— Claro.
Demorei um pouco para encontrar,ela estava guardada em uma das gavetas de uma cômoda , que está quase em pedaços. O tecido é pesado e é bem grande,porém o tempo o desgastou,a buracos do tamanho de moedas e manchas vermelhas de tinta em todo seu comprimento. A essa altura minha maior preocupação é evitar uma gripe.
Tirei minhas roupas e as estendi. Me enrolei no lençol novamente e voltei para perto de Jonah.
— Tire sua roupa, você vai pegar um resfriado se não tirá-las. — ele sacudiu a cabeça e logo tirou a sua camisa. Eu já o tinha visto sem camisa antes mas mesmo assim perdi o fôlego.
Jonah se levantou , desabotoou a calça e logo a retirou. Tive que contrair os lábios para não deixa um sorriso escapar.
— Pode admirar. — revirei os olhos o que o fez rir. — Vai me dizer que não gosta do que vê?
— Eu gosto, só achei que você foi um tanto exibido!
— Você é quem tava desfilando só de calcinha e s***ã , eu só fiz o que você mandou chefe! — ele se sentou ao meu lado perto da lareira.
— Hum, vai fazer tudo que eu mandar,é?
— Talvez, se pedir com jeitinho. — soquei o ombro dele — Aí!
— Vai me dizer que esses músculos são só de fachada?
— Quis deixar você achar que me feriu. — ergui a cabeça com a intensidade das minhas gargalhadas.
— i****a.
— Talvez eu seja mesmo, é minha culpa estarmos aqui.
— Não é não, não tínhamos como prever. — olhei para ele e sorri gentilmente. Não queria que ele pensasse que estragou o dia,as vezes as coisas fogem do nosso controle e isso não é culpa dele.
— De qualquer forma — seu rosto se aproximou do meu — vou te recompensar. — nossos lábios se tocaram rapidamente.
— Hum, eu sei como você pode começar.
Eu queria ter feito isso antes, queria ter passado o dia inteiro assim,enrolados um ao outro. Eu nunca havia experimentado um beijo tão intenso e quente, acho que eu posso ter me viciado.
As mãos de Jonah deslizaram até o fecho do meu s***ã.
— Eu nunca… — não tive coragem para prosseguir. Os olhos de Jonah revelaram surpresa,ele balançou a cabeça e logo desabotoou o fecho.
— Vamos resolver isso.
Eu acreditava que a paixão não fosse fazer com que eu pulasse no penhasco de cabeça,mas ela fez. Ela faz você acabar nua no chão de uma casa abandonada,faz você se aquecer nos braços de um estranho. E por mais que a dor e a ardência a acompanhe, vale apena,por que é nesses momentos que você realmente se encontra.