No dia seguinte, a busca por Vicky tornou-se uma missão central em nossas vidas. Elizabeth e eu nos tornamos uma equipe, nossas conversas se aprofundando enquanto discutíamos estratégias e possibilidades a madrugada toda. A cada passo, a conexão entre nós se tornava mais forte, e a amizade que havia nascido da dor começou a florescer de formas inesperadas.
Na manhã, enquanto revisávamos o plano, Elizabeth sugeriu:
— Vamos montar uma armadilha. Se Mordecai estiver perto, podemos atraí-lo com algo que ele não pode resistir.
— Como uma isca? — perguntei, interessado.
— Exato. Podemos usar um objeto que ele queira. O que você acha que poderia chamar a atenção dele?
Pensei por um momento. Lembrei que ele estava interessado na chave de acordo com o que Elizabeth havia me dito, e no terceiro dia do desaparecimento de Vicky encontrei a chave em meu bolso, algo que Mordecai poderia reconhecer. A ideia de usá-la como isca me deixou inquieto, mas sabia que poderia ser nossa melhor chance.
— Tenho essa chave dela. Pode ser arriscado, mas pode funcionar — disse, decidido.
Elizabeth assentiu, seu olhar firme. — Vamos fazer isso juntos. Cada passo que damos deve ser em equipe.
Peguei a chave em meu bolso e entreguei-o a Elizabeth. Ela olhou para o objeto, depois para mim.
— Isso pode funcionar. Precisamos ser rápidos e cautelosos.
A tensão estava no ar. À medida que o sol se punha, decidimos nos posicionar perto da caverna. Uma vez lá, Elizabeth e eu nos escondemos atrás de algumas rochas, com a chave bem visível na entrada.
— Agora, vamos fazer barulho — sugeri, tentando manter a calma.
Elizabeth fez uma expressão decidida. — Eu vou chamar por ele. Pode funcionar.
Ela começou a gritar, chamando o nome de Mordecai, sua voz ecoando na caverna. Meu coração disparou. Cada segundo parecia uma eternidade. Finalmente, depois de alguns momentos que pareciam intermináveis, ouvi o som de passos.
— YaoWei, ele está vindo! — Elizabeth sussurrou, sua voz tensa.
Mordecai apareceu, seu olhar malicioso fixo na chave que brilhava. Ele se aproximou, claramente interessado, e eu senti a adrenalina correr nas minhas veias. Elizabeth fez sinal para que eu me preparasse.
— Agora! — ela sussurrou.
Naquele instante, Mordecai se agachou para pegar a chave, e nós avançamos rapidamente. Elizabeth e eu nos movemos para cercá-lo, tentando surpreendê-lo.
— Mordecai! — eu gritei, minha voz cheia de determinação. — Onde está Vicky?
Ele se virou, o sorriso se desvanecendo ao nos ver. — Ah, olá, garotos. Que bom que vieram me visitar. — A ironia em suas palavras era palpável.
— O que você fez com ela? — Elizabeth exigiu, dando um passo à frente.
Mordecai riu, mas havia algo sombrio em seu olhar. — Você não deveriam ter vindo. Ela está em um lugar onde você nunca a encontrará.
O desespero começou a tomar conta de mim. — Se você a machucar, vai se arrepender.
— O que você vai fazer? — ele provocou, claramente se divertindo com a situação.
Em um impulso, apontei minha espada em direção a ele, na intenção de acertá-lo, mas ele a desviou com facilidade. A tensão aumentou, e uma luta parecia iminente.
— Precisamos agir, YaoWei! — Elizabeth gritou, seu olhar determinado.
E então, em um momento de clareza, percebi que não poderíamos vencer Mordecai apenas pela força. Precisávamos de um plano. Uma distração.
— Elizabeth, se você conseguir distraí-lo, eu posso procurar Vicky! — sugeri, sentindo a adrenalina pulsar.
— Está bem! — ela concordou, olhando em volta para encontrar algo que pudesse usar.
Com um movimento rápido, ela pegou um punhado de pedras e começou a jogá-las na direção oposta, criando um ruído que fez Mordecai se voltar.
— O que você está fazendo? — ele gritou, frustrado.
Aproveitei a chance e corri em direção à entrada da caverna, pegue-o a chave no chão e logo entrei na caverna, meu coração batendo forte. A escuridão me cercava, mas a determinação de encontrar Vicky me guiava.
Dentro da caverna, a atmosfera era pesada. O eco dos meus passos parecia amplificado. Procurei em cada canto, chamando por ela. — Vicky! Você está aqui?
Nada. O silêncio era ensurdecedor. Senti a pressão aumentar. Precisava encontrá-la.
De repente, avistei uma porta parcialmente aberta em um canto. A esperança renasceu. Com cuidado, abri a porta e entrei, encontrando um espaço estreito, onde as paredes pareciam sufocantes.
— Vicky! — gritei novamente, meu coração esperançoso.
E então, vi um movimento. Um rosto familiar surgiu das sombras.
— YaoWei! — a voz dela era fraca, mas estava ali.
Ajoelhei-me ao seu lado, a alegria misturada com preocupação. — Vicky, você está bem? O que aconteceu?
Ela olhou para mim, os olhos cheios de lágrimas. — Eu… eu não sabia se você viria. Mordecai me pegou de surpresa enquanto eu tentava fugir dele na vila, eu procurei por você...
— Estamos juntos agora. Vamos sair daqui — disse, tentando transmitir coragem.
Mas antes que pudéssemos sair, ouvi o som de passos se aproximando. Mordecai estava atrás de nós. Elizabeth havia feito seu melhor, mas não conseguira mantê-lo longe por muito tempo.
— Então você a encontrou. Isso é adorável — ele disse, seu tom sarcástico cortante.
Senti a adrenalina subir. Precisávamos agir rapidamente. — Vicky, você consegue andar? — perguntei.
Ela acenou, e enquanto nos preparávamos para sair, a peguei no colo, mas Mordecai se adiantou, bloqueando a saída.
— Não tão rápido! — ele disse, sorrindo de forma ameaçadora.
Elizabeth apareceu atrás de mim, sua presença forte. — Não vamos deixar você levar Vicky novamente!
Em um instante de bravura, ela correu na direção de Mordecai, distraindo-o o suficiente para que pudéssemos passar, Elizabeth o empurrou e fazendo-o cair no chão.
Corri, o coração acelerado, em direção à saída da caverna. O ar fresco nos atingiu, e a luz do sol parecia uma bênção.
— Vamos! — gritei, levando Vicky para fora.
Mordecai gritou de raiva, mas já estávamos fora de seu alcance. Quando finalmente paramos, respirámos fundo, a adrenalina ainda correndo nas veias.
Vicky me olhou com gratidão e alívio. — Eu sabia que você viria.
— Sempre estarei aqui por você — prometi, olhando para Elizabeth, que saia da caverna e sorria, mesmo com a tensão no ar.
Havia muito a processar, mas um novo capítulo se iniciava. Estávamos juntos, e juntos, enfrentaríamos qualquer desafio. A busca por liberdade e amor nos uniu de formas que nunca poderíamos imaginar.