Sentada na cama, fico tentando processar o turbilhão de pensamentos e emoções que YaoWei desencadeou. O albergue ao nosso redor, apesar de seu aspecto velho e decadente, parece ser um refúgio inesperado. A sensação de estar em um lugar isolado do resto do jogo, embora desconfortável, oferece um raro momento de paz para refletir.
YaoWei, percebendo meu estado, mantém o silêncio, respeitando o espaço que pedi. Ele se afasta, permitindo-me a solidão necessária para ordenar meus pensamentos. O som do vento soprando pelas janelas quebradas é quase hipnótico, e eu me perco na contemplação do ambiente em ruínas.
Após alguns minutos, decido que é hora de explorar um pouco o albergue. Saio do quarto e percorro os corredores enfumaçados e rangentes. Cada passo ecoa pela estrutura antiga, e a sensação de solidão é palpável. Encontro uma sala com uma mesa velha e alguns livros empoeirados. Folheio um dos livros, mas não há muito a descobrir além de palavras cobertas de poeira e páginas amareladas.
Penso no que YaoWei disse. O sacrifício dele parecia ser uma ideia desesperada, e a verdade por trás de suas ações parece ter mudado à medida que ele percebeu o impacto emocional que isso teria sobre ele. É claro que ele estava confuso e desesperado, mas o fato de ter vindo até mim e se declarado de forma tão honesta mostra um lado vulnerável que eu não esperava.
Decido voltar para o quarto, onde YaoWei ainda está esperando. Ele está sentado na beira da cama, com a cabeça baixa, claramente lutando com seus próprios demônios.
— YaoWei — começo, a voz mais calma agora, mas ainda carregada de tensão. — Eu não posso esquecer o que você tentou fazer. O pensamento de ser usada como uma peça em um plano c***l me assombra.
Ele levanta a cabeça, seus olhos cheios de uma tristeza profunda.
— Eu sei — responde ele, a voz rouca. — E não espero que você me perdoe facilmente. Mas preciso que saiba que, a partir de agora, minha única prioridade é proteger você e tentar corrigir o que fiz de errado.
— E o que você vai fazer agora? — Pergunto, cruzando os braços e tentando manter uma postura firme, apesar da vulnerabilidade que sinto.
— Não tenho todas as respostas — admite ele. — Mas vou buscar uma forma de reparar o dano que causei e encontrar um jeito de salvar minha irmã sem comprometer o que temos. Se ainda houver alguma chance de redenção, farei tudo o que puder para encontrá-la.
Enquanto ele fala, vejo uma centelha de determinação em seus olhos, e isso me faz reconsiderar sua sinceridade. A confiança não será recuperada instantaneamente, mas o desejo de fazer o certo e corrigir seus erros é um passo na direção certa.
— Está bem — finalmente digo. — Vamos continuar trabalhando juntos, não precisa ficar distante novamente.
YaoWei acena com a cabeça, visivelmente aliviado. Ele se levanta e dá um passo em minha direção, mas se detém para me dar espaço. Apesar de ainda estar chateada, decidi me aproximar de YaoWei, apenas para que possamos trabalhar juntos, mas sem total confiança. Decidimos então explorar o albergue, que parece um pouco diferente do que YaoWei esteve no começo do jogo.
Juntos, começamos a explorar o albergue em busca de pistas ou qualquer informação que possa nos ajudar a seguir em frente. Enquanto avançamos, a esperança de reconstruir a confiança e encontrar uma solução para a situação parece um pouco mais tangível, mesmo que o caminho à frente ainda seja incerto e repleto de desafios.
Cada canto empoeirado do albergue parece guardar segredos do passado. A cada passo, o som das nossas pegadas ecoa, misturando-se com o crepitar ocasional das tábuas do piso. A atmosfera pesada, carregada com o cheiro de mofo e umidade, é um lembrete constante da fragilidade do lugar onde estamos.
Chegamos a uma sala de estar antiga, onde um par de cadeiras desgastadas e uma mesa de centro coberta de poeira dominam o ambiente. A luz fraca que entra pelas janelas quebradas projeta sombras longas e distorcidas nas paredes, criando uma sensação de desconforto e introspecção. Na mesa, há um mapa amarelado, quase escondido sob uma pilha de papéis envelhecidos. Curiosa, puxo o mapa para fora e o desdobro cuidadosamente.
— Olha isso — digo, chamando a atenção de YaoWei para o mapa. — Parece que pode haver algo útil aqui.
YaoWei se aproxima, seus olhos se fixando no mapa. A expressão em seu rosto muda de preocupação para uma mistura de esperança e interesse.
— Esse é o mapa da cidade onde nossa jornada começou — comenta ele, a voz carregada de expectativa. — Pode ser que haja alguma indicação de um local seguro ou uma rota alternativa que não havíamos considerado.
Examinamos o mapa juntos, marcando pontos de interesse e possíveis rotas que poderiam nos ajudar a alcançar nossos objetivos. A presença de anotações antigas e símbolos estranhos sugere que alguém, em algum momento, tentou deixar pistas ou registrar informações importantes.
— Podemos começar por essas áreas destacadas — sugiro. — Parece que há alguma referência a um refúgio ou esconderijo seguro.
YaoWei concorda com um aceno de cabeça, visivelmente mais otimista. Ele parece estar recuperando um pouco de sua compostura, e a determinação em seus olhos é renovada.
— Vou procurar mais informações sobre esses lugares. Enquanto isso, você pode verificar se há outros itens úteis por aqui.
Dividimos nossas tarefas e começamos a vasculhar o albergue com um novo senso de propósito. Cada descoberta, por menor que seja, adiciona um pouco de clareza ao caminho a seguir. O albergue, com sua aparência deteriorada, gradualmente começa a se transformar em um ponto de partida para uma nova fase de nossa jornada.
Ao final do dia, voltamos ao quarto, cansados, mas com uma sensação renovada de propósito. YaoWei, agora mais relaxado, me olha com uma expressão de gratidão e esperança.
— Obrigado por me dar outra chance — diz ele, a voz carregada de sinceridade. — Não vou desapontar você.
Eu apenas aceno, sem palavras. O caminho à frente ainda é incerto, mas, por agora, o fato de termos encontrado um caminho a seguir é um alívio. Juntos, começamos a planejar nosso próximo passo, conscientes de que a confiança será um processo gradual, mas determinados a enfrentar os desafios que virão. O albergue pode ser apenas um ponto de partida, mas para mim ainda é confuso. Senti-me melhor após descansar aqui. Apesar de saber que os albergues realmente regeneram 100% a vida dos personagens, a questão é: eu não sou uma personagem! Sou uma humana que veio parar aqui por acaso. Estou com medo de estar me tornando cada vez mais parte do jogo, e talvez proibida de sair eternamente.