10. Calmaria

3579 Words
O frio da noite bate violentamente no meu rosto. Meu corpo arrepia conforme caminho sem rumo pelas ruas movimentadas dessa cidade. Minha jaqueta de couro não é suficiente para me salvar da temperatura cortante. A dor na minha barriga, na região do baixo ventre é forte, queria apenas um analgésico que amenizasse essa maldita cólica. Por alguns anos odiei ter a síndrome que disturba meus hormônios, ela me impede de ser mãe, me causa dores terríveis e deixa meu humor igual uma montanha russa. Talvez isso explicasse o porque de eu querer matar toda pessoa que tira minimamente a minha paciência, ou só fosse uma forma de descontar o meu estresse por ter essa doença que me impede de gerar uma vida. Imponência. É isso, me sinto assim e é um saco. Mas hoje, a ideia de não poder amamentar uma criança, não me machuca mais. Confesso que vez ou outra, me pergunto qual seria a sensação de ter algo estranho na sua barriga que não fosse fome, porém, existem tantas crianças por ai, esperando a melhor notícia de suas vidas; a escolha para fazer parte de uma família. É por isso que eu gosto de ir lá, gosto de ir ao orfanato e me sentar nessa grama esmeralda, gosto de apreciar o pôr-do-sol enquanto várias dessas crianças correm ao meu redor, me chamam de tia e me contam sobre como a vida deles é interessante mesmo estando presos aqui, livre da maldade do mundo e repleta de inocência. Gosto de me lembrar que ainda existe amor no meu coração, pois é isso que sinto, quando vejo olhinhos de esperança brilharem e então eu me sinto capaz. Tenho muito o que melhorar como pessoa, mas quando cruzei a porta daquele orfanato, depois de me despedir da Hope, decidi; vou trabalhar pro Slowan, até pagar essa dívida e conseguir dinheiro para tirar a minha irmã daquele lugar. Vou dar uma vida digna a ela, mesmo que eu tenha que fazer algumas escolhas erradas no percurso para conseguir isso. Vou comprar uma casa com a mesma grama verde, vou lhe dar maquiagens mais bonitas, vou trançar seu cabelo enquanto escutamos Nirvana, e vou ser uma pessoa responsável. Por ela e para ela. Estou perdida nos pensamentos, quando sinto a sensação de alguém me seguindo. Olho para trás e não vejo ninguém. Continuo andando na rua, tentando não sentir medo. Meus picos de ansiedade, foram ao limite hoje quando entrei em pânico diversas vezes no dia. Mas a sensação estranha ainda me persegue, para na calçada e olho na direção oposta, mais uma vez. Nada... Me viro para frente novamente, és então que me esbarro com um cara quase meio metro mais alto que eu, maldito f*****g cara... Menos familiar do que eu pensei, mas ainda sim, familiar. Seu perfume importado invade minhas narinas sem permissão, seu corpo semi-musculoso serviu como uma parede para o meu nariz que se chocou em seu peitoral. Ele estava próximo demais, perto demais, invasivo demais. Me perseguindo, como senti. — Boa noite, linda. — o loiro platinado tem um sorriso divertido, depois de me ver se recompor do choque. Levo uma mão no peito, tentando controlar a respiração ofegante do susto. — Tá louco? — pergunto com indignação. — Não faça mais isso! Ele pressiona os lábios, parando de sorrir de maneira irritante. — Não quis te assustar. Vejo sinceridade na sua fala e por mais que eu odeie o Heron e todos os seus caras, uma energia caridosa me toca, me fazendo ser gentil com o Lion. — Ta bancando de baba para mim? Ele pondera, dando de ombros, enquanto enterra suas mãos no bolso e balança seu corpo pra trás e para frente. — Heron quer se certificar que você não vai fugir. Reviro os olhos violentamente. — Diga a ele que não vou fugir. — ergo um dedo, desistindo de tentar ser legal quando meu orgulho estava drasticamente ferido. Isso já estava indo longe demais. — Eu vou amanhã naquele maldito clube fazer o que ele quer que eu faça. — Tudo bem. Aviso a ele. — ele diz baixo, porém firme. — E foi m*l por ter te assustado. Confirmo com a cabeça, levemente atingida pela sua humildade de me pedir desculpas por ter que cumprir as ordens daquele i*****l. — Boa noite, Lion. — me despeço, atravessando a rua. Não quero me prolongar naquele contato. Teoricamente, meu primeiro dia de trabalho só começaria amanhã, mas antes disso, eu precisava conversar com o dono dos porcos, e implorar por farelo, enquanto isso vou continuar andando, imaginando como posso conseguir algum trocado, apenas para passar a noite em mais um motel de beira de estrada, ou então a alternativa seria dormir no relento. — Hanna, espera! — Lion pede, escuto seus passos atrás de mim, quando sua mão toca delicadamente a minha. Olho sob por os ombros, seus olhos cinzas estão mais escuros e a sua boca está vermelha, devido or ar gélido e a noite escura da rua. — Você tá gelada. — observa, encarando o lugar onde me tocava. — Ta com medo ou com frio? — Os dois. — troco o peso de pé, percebendo que estou mais nervosa depois de sentir a pele áspera da sua mão. Então seus olhos voltam ao meus, semicerrados, curiosos e preocupados. — Tem aonde dormir? Não sei se ele me seguia tempo suficiente para saber que não, eu não tinha, ou só estranhamente ele conseguiu sentir a minha energia pesada, de quem está carregada de problemas. — Tenho. — minto, pois não saberia como reagir se caso dissesse que não tinha. — Tem certeza? — ele volta a sorrir, sabendo bem que aquilo não era verdade. — Eu vi que já faz algum tempo que você dar voltas e não para em lugar nenhum. Umedeço os lábios, sugando um pequena corrente de ar. Realmente ele estava me seguindo. Não queria que alguém se preocupasse com a Hanna que cavou a própria cova, se é que ele fosse se importar com isso, já que aparentemente, ele era o braço direito do cara que decretou minha morte. — Não, não tenho. Mas vou ficar bem, consigo me virar. — eu sempre me viro, quis acrescentar, mas de que droga isso importava? A vida nunca foi fácil. Dou um sorriso fraco, e me viro para continuar meu rumo sem destino. — Hanna, — ele me chama de novo quando deixo para trás. — Meu carro está logo ali, eu posso.. — Não! — respondo sem nem ao menos escutar o fim da sua frase. — Não quero nada vindo de vocês. — Não faz isso... — ele parece impaciente, continuando a seguir meus passos. — Existe um casarão, à três ruas daqui. Eu posso te ajudar a ter onde dormir, é perigoso que uma mulher passar a noite na rua, desprotegida e sozinha. — Ninguém pensou nisso quando me sentenciaram a pagar por uma mercadoria que nem era minha! — paro de caminhar repentinamente, o pegando de surpresa. Lion parece ficar levemente incomodado com a minha resposta, se eu o conhecesse bem, apenas um pouco para poder dizer se era verdade ou não, diria até que ficou envergonhado. — Eu te entendo. — diz calmo, voltando a enfiar suas mãos nos bolsos. Tenho a sensação que ele faz isso, porque queria usa-las para outras coisas, principalmente quando olha fixamente para os fios de cabelos no meio dos meus olhos. — Se eu estivesse no seu lugar, ficaria chateado também, com todas as pessoas que te colocaram nessa situação. — então ele fita o céu, como se precisasse de impulso para falar. — Mas me deixe te ajudar, me deixa tentar amenizar a culpa por ter colaborado para que uma garota ficasse sem emprego, sem teto e com uma divida enorme para pagar. Aperto as mãos, sentindo borboletas voarem no meu estômago, não por gostar de ter ouvido isso, mas sim por não ter muitas opções. Não consigo visualizar a minha vida piorando ainda mais, então aceitar aquele seu convite, para ter onde dormir, me parecer ser a melhor saída. Sigo ele até uma Land Rover branca. Não sinto vergonha, mas também não estou totalmente à vontade, muito menos ele, que continua com as mãos no bolso, retirando apenas para destravar a porta. Sento no banco de passageiros e o observo dar partida. Noto como seus olhos tomam cor quando as luzes refletem neles, na atenção que ele dar para a estradas e como os músculos dos seus braços se contraem toda vez que ele muda a música no rádio. Sorrio, quando para em The Neighboourhood. Ele pode ser i****a, braço direito de um cretino, e integrante de uma gangue rival, mas o filha da p**a tem um bom gosto musical. — Então decidiu que vai trabalhar pro Slowan? — Lion quebra o silêncio, quando paramos no sinal vermelho. — Preciso de grana. — digo simplesmente, voltando minha atenção para a janela do meu lado. — Sabe que vai passar muitos meses dançando naqueles palcos apenas para pagar o que deve a ele, né? — sinto seus olhos analisarem minha expressão ao escutar aquela verdade tão difícil de engolir. — Sei que falar sobre isso o tempo todo é chato, mas eu acho que você precisa saber com quem está lidando. O Heron é um cara difícil... Sua confissão, quase que um segredo, faz o clima no carro crepitar. Meus pensamentos estão confusos, não consigo enxergar coisas boas no meu futuro próximo, por mais que eu me apegue a ideia de que as coisas vão dar certo, porque essa é a única coisa que mantém firme, dentro de mim. — O "esquema" de sempre ainda funciona? — jogo a pergunta no ar frisando bem a palavra esquema, vendo suas sobrancelhas se unirem em confusão quando faço isso. — Que esquema? — O esquema. O trabalho das meninas que fica oculto.— explico, decidindo ir direto ao ponto. — O stripper é só uma fachada pro mundo sujo que existe por trás. Ele morde a boca, dando a partida no carro quando sinal fica verdade. Tenho certeza, pelo silêncio maçante que se instalou, que se não tivéssemos presos dentro da Land, ele fugiria e não me responderia aquilo. — Sim, existe. — responde fraco. — Como sabe? — Esqueceu que eu era pra Donna a mesma coisa que você é pro Slowan? A sombra de um sorriso nasce nos seus lábios finos. Lion intercala seus olhos na rua e eu. — Hanna, nenhuma das mulheres estão lá por obrigação. São donas do seu próprio nariz e respondem por elas mesmas. — explica com calma. — Todas estão lá por quererem estar. E pelo o que eu saiba, a Donna não dava essa opção para as suas meninas. É realmente não dava. Donna ainda continua no topo do meu ranking de pessoas mais abominosas do mundo. Ela se fingia de boa, te fazia acreditar que era como uma mãe, te seduzia com o dinheiro e com promessas falsas de que o mundo da prostituição tinha muito o que te oferecer, mas a verdade é fria e imunda; ela só obrigava menores de idade a vender seus corpos, visando somente a p***a do dinheiro com esse trabalho ilegal. — Além do mais, algumas querem apenas dançar, tem umas até que nem tiram as roupas. — sua voz continua, ela é tão serena, que me faz acreditar veemente em cada sigla que sai da sua boca. — Não quero parecer que estou tentando torna-lo um cara melhor, mas o Slowan as ajuda, as meninas são maiores de idade, tem acompanhamento médico, um lugar para ficarem, segurança para se algum babaca quiser bancar o engraçadinho, elas tem total suporte. Enfim, é um bom lugar para mulheres que querem trabalhar, dignamente. Absorvo tudo o que ele acabou de dizer, tento filtrar as coisas boas que ele citou, mas quando penso em meninas de dezesseis anos, drogas, crime, abusos, não vejo um lado bom. Não consigo acreditar que tenha um. — A prostituição não é um mar de rosas. — digo seca. — Não é, pelo contrário. Exige muita coragem e determinação. — dá de ombros. — Admiro a profissão, em todos os sentidos. Se é que me entende. — e pela primeira vez desde de que entrei na sua lange vejo um sorrisinho sacana se abrir na sua boca, mas não me incomodo, não é um sorriso de maldade. — E no The Hell só faz isso, quem quer fazer, você pode simplesmente, dançar. Porém, dificilmente, uma mulher com ganancia, vai querer somente dançar, quando se pode ganhar o triplo em uma noite. Sabe do que eu to falando, né? — Não, não sei. — agora sim, ele ganhou minha total atenção. — Como assim o triplo? — O lucro é todo das garotas, Slowan não tira nada para ele. The Hell é clube para lavar o dinheiro sujo das drogas, apenas. Enquanto fazemos isso, damos oportunidade para quem precisa de grana. Tipo você. — Donna não fazia isso... — minha voz sai como um fio, enquanto um filme se passa na minha cabeça, sobre o meu passado sujo e sombrio. Ela lucrava noventa por cento em cima de cada trabalho feito. Além de garotas, como eu quando era mais nova, se matar de trabalhar, não tirávamos proveito nenhum dessa merda. — Eu sei que não. — estala, desligando o carro assim que estacionamos de frente para um galpão gigantesco. Existe um enorme portão de ferro na nossa frente. Lion desliga o carro e vai até lá, o abrindo com dificuldades devido ser pesado demais, o ajudo, me deparando com um hangar. — Que lugar é esse? — pergunto curiosa, observando os três aviões de pequeno porte estacionados a poucos metros de nós. — Um centro de distribuição, digamos assim. — Lion sorrir, mostrando seus dentes brancos e chamativos. — Também é um alojamento. Aqui fica toda a galera da nossa equipe. No andar de cima temos quartos para cada um dos nossos membros. — Hum... —engulo a seco, nervosa para o que me esperava. — Onde vou ficar? — No meu quarto. — suspendo as sobrancelhas ao ouvir isso, então é como se ele sentisse a necessidade de explicar. — Não é isso que tá pensando, não se preocupe. Não vou dormir aqui, pode ficar com a minha cama. É inevitável não sorrir enquanto subimos as escadas indo em direção a porta que deduzo ser do seu alojamento. Existem outros caras por aqui, alguns rostos conhecidos, do tempo que eu os odiava com a minha alma, os mesmos estão sentados em uma grande sala repleta de sofás, mesas e cadeiras. Alguns me cumprimentam, outros apenas ascitem ao mesmo tempo que empacotam a mercadoria que vale ouro, mas todos, apenas todos, me cravam seus olhos em mim, como se estivessem surpresos com a minha presença. Não que eu não sinta mais raiva, contudo, estranhamente a presença do Lion faz as coisas ficarem mais leves de lidar. — Aqui. — ele abre a porta e gira a chave no dedo, me dando espaço para entrar. É um belo flat, meus olhos correm pela pequena cozinha americana, acoplada a sala com um sofá cama, um pouco mais na frente existe uma parede falsa com uma espécie de estante que dava a visão da cama king. Fico aliviada por ter onde dormir hoje, juro que pensei que o máximo que conseguiria seria uma calçada suja no meio da rua. Mas agora, vendo de perto os olhos cinzas de Lion se apertarem devido seu sorriso ao ver minha cara abasbacada por não saber como agir, percebo que estou no lucro. — Obrigada... — sussurro, sentindo um peso se esvair do meu peito. — Sério, muito obrigada. — Por nada, Hanna. — ele afaga minhas costas, com a outra mão aponta em direção a geladeira. — Você só vai encontrar bebidas, gelo, e algumas porcarias na cozinha. Não costumo passar muito tempo por aqui, e acabo comendo comida pronta. Mas vou dar um jeito nisso também. — Não precisa. — coço a nuca, sentindo minhas bochechas esquentarem. — Eu dou um jeito, Lion. Você já está fazendo muito só em ceder a sua cama. Ele solta um pequeno riso nasalado, e se prepara para ir. — Se precisar de algo, é só descer no andar de baixo e pedir para me ligarem. Não estava pensando em ter que lidar com mais alguém além dele, até agora, mas já que falou sobre isso, me lembro de que estou na área que costumava ser um campo de guerra para os meus negócios antigos. Tenho certeza de que a minha expressão mudou de aliviada para preocupada. — Ninguém vai mexer com você. — ele parece ler meus pensamentos. — Sabem que é garota do Slowan. Me engasgo com a própria saliva. — Eu sou o quê? O desespero da minha pergunta faz ele rir novamente, mesmo perturbada por ouvir isso, noto o quanto ele fica fofo com as covinhas a mostra, junto com os lábios levemente avermelhados e os dentes brancos. — Relaxa. — diz tranquilo. — A garota que deve para o Slowan. Foi isso que eu quis dizer. Não sei se fico calma com isso ou apenas mais nervosa. — Lion, tem algo mais que você poderia fazer por mim. — mordo o lábio incerta se devo ou não fazer isso. Um sentimento me avisa sobre um futuro arrependimento, mas me pego pensando nos olhos tristes da Hope repletos de frustração por eu ser uma péssima irmã, depois me lembro da conversa que tivemos no carro sobre como as coisas funcionavam no clube. Por isso, acabo me vendo sem escolha, decidida do que fazer, para conseguir sair desse abismo caótico o mais rápido possível. — O quê? Pode dizer. — ele escora suas costas no batente da porta, me fitando com atenção. — E se eu quiser ir além da dança? — Bem... Eu acho que isso não vai rolar. — Por que não? — Slowan não vai topar. Ele vai achar um absurdo e... — E o que? — pergunto com desdém, começando a sentir o estresse tomar conta de mim só por ter ouvido esse nome. — Ele não manda em mim, você mesmo disse que se as garotas quiserem trabalhar com isso é uma escolha delas. — Eu sei, Hanna. Sei que disse isso, mas é diferente. — Por que é diferente? — Insisto. — Você sabe que para qualquer tipo de emprego existe um tipo de entrevista, não é? — balanço a cabeça que sim. — Para dançar, mesmo nas suas circunstâncias, você vai ter que mostrar para ele que sabe. — dou de ombros sem me importar com isso, não me parecia ser nada demais dançar para aquele cara babaca. — E para trabalhar com o sexo, não seria diferente. Sorrio, como se tivesse tido uma grande vitória. — Ótimo. — cruzo os braços, suspendendo uma sobrancelha. — Tenho certeza que o Heron não vai se importar em me deixar trabalhar com isso, quando ele vai ter a oportunidade de tirar uma casquinha. — A questão é, Hanna; que as garotas que trabalham nessa parte, quem as avalia sou eu. — a sombra de um sorriso divertido ainda paira nos seus lábios rosados. Engulo a sálvia como se tivesse engolindo uma pedra de gelo, sentindo novamente minhas bochechas esquentarem e a expressão de boba tomar de conta do meu rosto. Sinceramente, queria um buraco para enfiar minha cara. Definitivamente, Lion não era o cara que eu o julguei ser quando invadiu a loja do sr. Godoy, aquele cara bipolar com os olhos trêmulos e raivosos, que parecia querer me matar por apenas cogitar que eu poderia perder aquela mercadoria. Ele era um cara que, no meio de todas as pessoas que conturbaram meus últimos dias, mostrou se importar comigo, me deu abrigo e se preocupou com o meu bem estar. E meter sexo no meio disso, era um tanto quanto arriscado. Porém, necessário. Se era assim, que assim seja. Estou disposta a fazer qualquer coisa para alcançar o meu objetivo. — Que bom então, — me aproximo do seu corpo, deixando um pequeno espaço, perigoso, entre nós dois. — Parece que hoje é a sua noite de sorte. Seus dedos tomam a liberdade de tocar a lateral do meu rosto, ele acaricia lentamente a minha têmpora, diminuindo ainda mais a distância. Tenho a sensação de que qualquer momento sua boca vai tocar a minha, principalmente depois de sentir sua respiração se misturar. Porém o nervosismo logo dar lugar para a frustração. — Pena que não posso dizer o mesmo. — O sorriso tranquilo não sai da sua boca. Isso estava me incomodando, mas agora o olhando tão de perto, sinto como se esse mesmo sorriso estivesse convencido do que se fazer. E estava, mas não pelo o que eu esperava. — A sua onda de azar parece que não vai acabar nunca. Franzo as sobrancelhas, quando ele se afasta repentinamente, me deixando, literalmente, na mão. — Mas... — tento argumentar quando ele faz menção de fechar a porta, porém o loiro platinado, não mostra ligar para o que faríamos se ele topasse me "testar" na cama ao lado. Quero debater, quero impedir que ele vá, mas Lion está certo disso. Talvez fosse o destino tentando me avisar de algo. — Boa noite, Hanna. E com isso, ele me deixa, sozinha, no seu apartamento.
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