Parte II

1269 Words
Hoje se faz uma semana desde que decidi me afastar de Harry. Ele claro me persegue na faculdade, e tenta falar comigo, mas eu o ignoro. Todos os dias ele vêm até minha casa, e conversa com a minha mãe para fazê-la me convencer a falar com ele, mas sempre é falho. Eu sei que Harry merece uma explicação do meu comportamento estranho, mas não quero mais falar com ele, pelo meu bem. - É o Harry - meu pai aparece na porta do meu quarto com o telefone. Eu mudei meu chip, então Harry não tem mais meu número. Porém isso não o impediu de ficar ligando para o telefone residencial. - Pai, eu não quero falar com ele - digo cansada de tanto repetir isso. - Você sabe que vai ter que falar com ele, porque não acaba com isso logo agora? - Porque é complicado pai - suspiro sabendo que ele tem razão. - Vou mandar ele vim, já chega disso! - Ele exclama e antes que eu proteste, ele já está fora do meu quarto. Droga! Penso em ir fechar a porta do quarto, mas isso só irá causar mais confusão. Não há saída, preciso realmente encarar Harry, e me manter forte para não me render. Mas como? Quando tudo que há nele mexe comigo mais do que eu posso controlar. Saio da cama e vou para a janela do meu quarto, ficando de costas para o resto do cômodo. Assim não preciso olhar para Harry, assim não preciso ficar com medo dele me convencer a voltar a ser sua amiga. Assim eu posso ser mais forte. Assim eu espero. Passa menos de 5 minutos e escuto a porta do meu quarto sendo fechada, o que logo sei que Harry está aqui. O silêncio se faz presente por alguns segundos, e sinto meus batimentos cardíacos aumentarem. Até ficar no mesmo lugar que Harry está me causando sensações diferentes. - O que tá acontecendo? - Harry pergunta de maneira suave, mas sei que por dentro ele está querendo me xingar. - Não sei - respondo quase sem voz. - Por que se afastou de mim? Eu não te fiz nada Hannah! - Exclama e eu fecho os olhos. Eu tenho que contar. Mas não tenho nenhuma coragem. - Eu sei disso, mas é que é complicado... - Me olha - Harry exige - Não o obedeço e então sinto-o ficar logo atrás de mim. Sua aproximação me faz tremer, enquanto me arrepio pelo seu calor em minhas costas. Penso que Harry vai me virar para olhá-lo, mas ao invés disso ele repete com a sua voz mais rouca que o normal: - Olha para mim Hannah. Mantenho meus olhos fechados, e devagar viro-me para Harry. Não sei sua feição, mas o suspiro que ele solta me faz pensar que está satisfeito por eu ter-me virado para ele. - Eu estou com saudades - me assusto com sua mão que toca em meu rosto. Seu polegar acaricia minha bochecha, e quase sorrio com seu gesto. Ele sabe que eu amo quando ele faz isso. Mas não posso me deixar levar. - Me desculpa - murmuro e finalmente abro meus olhos para olhá-lo. Harry usa uma bandana preta na cabeça, segurando seus perfeitos cachos. Ele é tão lindo! - Você me deve uma explicação disso tudo - cruza seus braços sobre o peitoral, daquela maneira de mandão que ele sempre faz quando quer saber de algo. Por seu corpo está praticamente colado ao meu, isso me possibilita a sentir seu perfume, o mesmo que eu dei para ele em seu aniversário. Olho em seus olhos verdes, e solto o ar que me sufoca pela boca. - Eu sei Harry - mordo meu lábio inferior sabendo que essa é a hora que eu preciso falar, com ou sem coragem tenho que dizer à Harry o que me fez querer afastar dele. - Você sabe que eu sempre tive ciúmes de você - começo a dizer um pouco mais devagar quê o normal. Harry se assumiu gay há menos de dois anos, na verdade Brad está sendo o seu primeiro relacionamento? Homossexual. Ele antes nunca havia namorado, nem mulheres. Mas pela sua carga eu sabia que ele já havia ficado com algumas. Quando passou a se atrair por homens, ele só focou nisso. Saíamos para festas e ele conhecia e ficava com vários garotos, e eu nunca me incomodei, até chegar Brad. - Continua - pede e passa a língua por entre os lábios. Me perco por algum tempo olhando sua boca, e pensando no quanto deve ser bom a beijar. Oh céus! Eu estou tão caidinha por ele. Não sei como ainda me mantenho em pé. A atração forte batendo em meu peito, junto com o nervosismo por está prestes a contar o que eu não estava disposta hoje. Mas eu preciso acabar com isso, preciso me libertar. - Quando começou a sair com o Brad eu então percebi um sentimento diferente, que me fez perguntar se era certo sentir isso, - pauso vendo a testa de Harry ficar franzida. - Eu via vocês dois e me sentia estranha, diferente. Era uma agonia doída no peito. E eu não conseguia entender o que era. No início pensei ser apenas ciúmes de você, mas quando não passou, então eu me preocupei. Com dificuldade eu fixo meus olhos nos de Harry, buscando forças para continuar a minha declaração, mas antes mesmo que eu fizesse isso, ele soltou incrédulo: - Não pode ser. - O que foi? - confusa pergunto vendo o olhar estranho de Harry para mim. Eu não o disse nada demais ainda, porque dessa reação então? - Agora eu entendi tudo - fala e eu gelo por dentro. - S-Sabe? - gaguejo sentindo minhas mãos ficarem suadas. Harry percebeu isso tão rápido ou apenas estava estampado na minha cara? - Você está apaixonada pelo Brad, como não percebi isso antes? - praticamente grita me fazendo encolher os ombros involuntariamente. - Harry, não é isso... - tento falar mas ele está agitado e enfurecido. Ele entendeu tudo errado! - Você é uma falsa! Fingiu que não gostava dele, sendo que só  queria roubar ele de mim! - Me acusa aos gritos. Harry pode ser a melhor pessoa do mundo, mas quando fica com raiva, toda sua doçura acaba. - Deu pra ele e por isso não quer mais ser minha amiga? Suas palavras me doem, e sinto ânsia de vômito. - Eu jamais faria algo assim. Harry me escuta - peço vendo-o me dar as costas e sair as pressas do meu quarto. Vou atrás dele, tropeçando nas escadas, e com o coração na boca. - Harry me escuta! - repito aos gritos quando ele chega na porta para sair de casa. Estamos na sala, e eu não me importo com os olhares assustados dos meus pais para nós dois. Harry se vira para mim, e posso ver lágrimas em seus olhos. Seu peito sobe e desce rápido devido a sua respiração acelerada. E por um minuto me sinto intimidada pela sua feição de ódio. Nunca pensei que chegaríamos à isso algum dia. - Então fala logo, porque sua cara está me dando nojo. - Diz, e a dor em meu peito aumenta. Meus olhos lacrimejam, mas não me deixo fracassar, apesar de quê tudo o que quero agora é ficar em meu quarto chorando, não posso deixar Harry sair daqui achando que eu sou uma falsa amiga. - Fala Hannah! - Insiste, e ao invés de lhe dizer qualquer palavra eu corro para perto de Harry e o beijo.
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