The Pact!

2352 Words
Kiera's POV ◆ ▬▬▬▬▬ ❴✪❵ ▬▬▬▬▬ ◆ Não, não e não. Eu simplesmente não conseguia contar. Mas p***a, eu também não conseguiria mentir, não para a Livia. Não que eu fosse tão apegada fortemente a ela, mas, ela me ajudou, e mesmo sendo uma estranha que definitivamente é a maior aberração que ela já viu, ela dividiu seu apartamento comigo e me arranjou um emprego. Certo, Livia Lodge me deu uma segunda vida, e eu nem sequer conseguia contar minha esquisita e nojenta história de vida pra ela. Não era falta de confiança, até porque como eu posso não confiar em alguém que fez tudo isso por mim? Era só... Insegurança. Eu me propus a contar tudo sobre mim, e eu ia fazer até olhar naqueles malditos olhos verdes lindos. Livia foi de longe a pessoa que me olhou com mais... Carinho desde que eu nasci. Ela não me olhava com repulsa, nojo, ou como se eu fosse algum tipo exótico de demônio. E honestamente, eu não queria que isso mudasse, não enquanto estivermos perto uma da outra todos os dias por semana. Mas era inevitável não era? A parte de que eu era submetida a testes, e que modificaram meu DNA, ela já sabia, e tinha reagido de um modo bem normal a qualquer pessoa que soubesse que a outra havia virado uma mutação reagiria. Mas Livia era tão... Certa. Como ela reagiria sobre a parte da boate? Qual seria o jeito que ela iria me olhar ao saber que a pessoa que ela deixou morar no apartamento dela era uma prostituta? E se ela me expulsar daqui? Droga Kiera, sua curta temporada de felicidade terminou. — Kiera? – Livia perguntou, me fazendo voltar ao foco e encarar seu rosto com uma expressão curiosa com sobrancelhas arqueadas – Você está bem? Parece preocupada demais – Livia parecia confusa ao ver minha preocupação em contar mais coisas para ela. Assenti levemente, passando a língua entre os lábios, algo que eu fazia quando estava nervosa e respirei fundo, me virando mais de frente evitando olhar para Livia. Ela ainda estava meio de lado no sofá, me observando atentamente e parecendo querer falar algo. — Olha, me perdoa ok? – ela disse e eu continuei olhando para frente, sem coragem de falar algo – Eu não deveria estar te pressionando para falar isso, você pode levar o tempo que quiser para falar sobre isso, gatinha… – e novamente o apelido, meu coração novamente dando sinal de que estava gostando. Suspirei, essa pode ser a última vez que você ouça esse apelido Kiera, guarde na memória. — Eu fugi de uma boate – comecei, parando pra olhar para Livia ao meu lado, que arregalou os olhos levemente, abrindo a boca para começar a falar – Eu fui levada pra essa boate, pela faixa dos quatro anos, Livia – a interrompi e ela me olhava atônita, assentindo então para que eu continuasse. Virei-me, olhando para frente de novo – Minha mãe me deixou lá, e eu nunca vou saber o por quê. Minha mãe me deixou no colo de uma mulher, com roupas brancas, enfim, ela parecia uma médica, eu pensei que ia fazer um exame ou algo do tipo e que ela viria me buscar depois então não me preocupei. E ela nem se despediu ou demonstrou tristeza – engoli em seco, eu lembrava exatamente de qualquer detalhe daquele dia, mesmo que eu fosse tão nova – E bom, naquele dia mesmo essa mulher me levou para a sala de testes. E tudo doía, eu lembro exatamente de que ela fez uma quantidade enorme de testes em mim. Ela pedia desculpas enquanto eu chorava, mas ela não parou. E então, ela avisou que seria o último teste e que depois eu ia para o quarto. E ela aplicou uma injeção que foi bem mais dolorida que todas as outras juntas, e enquanto aquilo doía eu fui perdendo os sentidos. Quando eu acordei estava num quarto e essa moça me olhava e então eu percebi, minha cauda. E conforme ela ia me explicando o que eu era eu ficava cada vez mais animada, claro, eu tinha quatro anos, aquilo era surreal. Era como... Entrar numa das histórias que minha mãe me contava à noite – ri ironicamente e neguei com a cabeça, bufando em seguida – Lógico que a adoração não durou para sempre não é? Senti uma mão no ombro e me virei, olhando para Livia, que me encarava com um pouco de dor nos olhos. E dó. Livia estava com dó de mim, e por mais que eu odiasse esse sentimento quando era dirigido a mim, dessa vez eu queria chorar feito uma criancinha. Eu queria aproveitar que Livia me olhava com dó e não com nojo e queria abraçá-la e chorar, molhar sua camisa e esperar que ela me reconfortasse. Mas eu não iria fazer isso, e Livia só havia ouvido o começo. Virei novamente meu rosto para frente, e Livia se aproximou, seus joelhos encostando na lateral da minha perna direita e sua mão ainda no meu ombro. — Minha mãe não voltou pra me buscar e conforme os anos iam passando eu parei de acreditar que um dia ela voltaria. Eu era mantida em cativeiro, num quarto com apenas uma janela com grades. Eles me traziam algo pra comer de café da manhã, e normalmente algo pra comer na janta, eu só saia quando era pra fazer mais testes. Conforme esse tempo, a mulher do laboratório me ensinava a ler, escrever e falar de um modo culto também. Ela era, de certo modo, melhor que os outros. Aos quinze anos eu fui mudada de quarto, agora com outras pessoas, e eu fiquei aliviada ao ver que elas eram iguais a mim. Eles eram definitivamente mais velhos, a que tinha a idade mais parecida a minha tinha pela faixa dos dezenove anos. Eles me... Explicaram o porquê de eu estar ali, e droga, eu fiquei tão desesperada. Mas não tinha nada pra ser feito – respirei fundo, contendo a vontade de chorar. — Aquele foi meu primeiro dia na boate, eles queriam ver como eu me saia então antes que eu colocasse o short minúsculo que estava em cima do colchão que era dado como meu, um segurança veio falar comigo. Disse algo como, Não tente fugir, ou não tente fazer gracinhas, isso vai dar problemas pra você. Apenas arranje um cliente e o satisfaça, caso queira comer amanhã. E Droga Livia, eu queria poder comer no dia seguinte! – passei a mão pelo rosto, agarrando os cabelos e me mantendo olhando pra baixo. A mão no meu ombro fez um aperto mais forte, e eu me controlei para não olhá-la. — E-eu fiz o que me haviam pedido. Não que eu soubesse como seduzir algum homem ou algo do gênero, mas eles pareciam gostar da minha aparência infantil e eu... – engoli em seco, levando minhas mãos até os olhos e segurando minha cabeça, apoiando meus cotovelos na perna – Eu tive qua-quatro clientes naquela noite – eu disse, minha voz soando totalmente embargada e minha mão ficando molhada, fazendo com que eu apertasse a mão com mais força sobre os olhos, tentando fazer aquilo parar. A mão no meu ombro se foi, e um peso havia saído do sofá. Meus olhos automaticamente decidiram que iriam optar por jorrar mais água ainda. Senti uma presença na minha frente e uma mão em cada braço tentando afastar minhas mãos do rosto. Retirei as mesmas e olhei pra frente, observando Livia ajoelhada no chão, seu nariz estava vermelho e os olhos marejados, indícios de que ela queria chorar. Fiquei encarando-a confusa e então seus braços se afastaram um pouco dos meus, e Livia abriu-os um pouco, cada um para um lado. Livia Lodge estava me chamando para um abraço. Não pude conter o soluço que rasgou minha garganta e automaticamente ajoelhei na sua frente, a abraçando e apertando a sua cintura o mais forte que conseguia, escondi meu rosto no seu pescoço e comecei a chorar, dessa vez não controlando os soluços e molhando completamente a área de seu pescoço e sua camiseta. Livia me apertou ainda mais nos seus braços e uma de suas mãos foi para a minha cabeça, acariciando meu cabelo e minha nuca. Ficamos assim por um tempo que eu posso considerar grande, mas Livia não me soltou até que eu parasse de chorar. Me afastei um pouco dos seus braços, fungando e passando a mão pelos meus olhos, limpando as lágrimas. Olhei para a blusa de Livia e para seu pescoço molhado, em seguida olhando para ela, que me observava com atenção. — M-Me desculpe, eu me descontrolei, não era para isso acontecer e... – fui interrompida. — Para Kiera, não peça desculpas. Eu que devo te pedir, eu não deveria ter insistido nesse assunto. Me perdoe Kiera, eu não sabia – fui falar algo, mas fui interrompida novamente – Vem, se levanta, vai tomar um banho, você deve estar cansada do seu trabalho – Livia se levantou, esticando a mão para mim e eu a peguei, levantando também. Assenti, passando ao seu lado e indo ao quarto, pegando uma calcinha, calça de moletom e uma blusa de mangas compridas. A toalha estava no banheiro então só fui até lá com as roupas em mão, nem vendo sinal de Livia pela casa, tomei um banho, sem molhar os cabelos ou minhas orelhas de gato e logo sai dali, ainda pensando em como seria a partir de agora. Coloquei as roupas no cesto e pendurei a toalha, escovando os dentes com uma escova que Livia havia me dado e guardando-a no armário atrás do espelho. Abri a porta e sai, esbarrando com Livia no corredor. — Me desculpe, Kiera! — Não tem problema, eu que deveria ter visto ao sair do banheiro – Livia parecia ter ido tomar um banho também, estava com uma roupa quase igual a minha e voltava da cozinha com um copo d'água na mão, que por sorte não havia sido derramado. Assenti, e ficamos um tempo nos encarando, de repente parecendo extremamente vergonhosa a situação – Vou para o quarto ok? – eu disse, e Livia pareceu acordar de seu transe, assentindo – Boa noite, Livia. — Boa noite... – Livia disse, e eu abri a porta do quarto, e antes que eu fechasse ouvi o que tanto queria – … gatinha. Maggie's POV ◆ ▬▬▬▬▬ ❴✪❵ ▬▬▬▬▬ ◆ Fazia apenas alguns dias que meu plano com Kiera havia dado certo. A segurança da boate havia sido redobrada e agora havia seguranças até no andar do meu quarto. Poucos sabiam, aliás apenas os seguranças e donos do local sabiam, mas eu também morava ali naquele inferno, e sim, eu também era impossibilitada de sair dali. Subi as escadas pouco iluminadas, logo chegando ao andar de cima e encontrando alguns seguranças que abriram a porta do meu quarto, e então entrei ali. Obviamente meu quarto não era como o dos outros, eu tinha um quarto e não um cativeiro com um colchão jogado no chão, e eu realmente não me sentia m*l por isso, apesar de sentir pena dos jovens lá embaixo. Respirei fundo, retirando meu jaleco e indo em direção ao meu banheiro me despindo toda e entrando debaixo do chuveiro, lavando o cabelo e tomando um banho relaxante. Sai do banheiro, entrando no quarto apenas com uma toalha amarrada no quadril e os cabelos para trás, e encontrei uma figura sentada na minha cama. Bufei, indo até o armário e pegando uma calcinha e uma calça moletom, e um blusão, me vestindo ali mesmo, sem me importar com a platéia. — Tenha modos Savior, não haja como se eu devesse ver esse tipo de coisa – Suzan Reign, ou como ela preferia ser chamada, Reign, falou, e eu ri, ironicamente. — Não haja como se não quisesse ver esse tipo de coisa – eu insinuei e ela bufou. — Incrível como sua auto-estima está sempre renovada, não é? – ela disse, sarcástica. E eu sorri, falsa. — Diga logo o que quer – eu disse, rispidamente e ela sorriu. — Vou direto ao ponto, soube que fez testes com a gata fugitiva do quarto sete – ela começou. — O nome da gata era Kiera – interrompi. — Pouco me interessa, só me importa o fato de que você fez testes com essa aberração, antes que aquilo fugisse, e eu realmente espero que isso não tenha nada a ver com essa fuga impossível – Reign disse, me olhando ameaçadoramente e eu sorri de lado. — Preocupado que eu ajude todos os seus brinquedinhos a escapar desse lugar imundo? – eu perguntei, e ela gargalhou sarcasticamente. — Não Savior, mas você deveria se preocupar. Afinal, são meus brinquedinhos que fazem com que ela continue viva não são? – ela disse, me encarando desafiadoramente, e eu vacilei. Logo ficando com raiva. — VOCÊ ME PROMETEU! ELA NÃO TEM NADA A VER COM SEUS SEGURANÇAS SEREM UNS MERDAS! – eu praticamente gritei, quase rosnando e avançando contra a mulher a minha frente. Ela riu, parecendo se divertir com o meu descontrole – SUA CANALHA NOJENTA! VOCÊ... VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO! NÓS FIZEMOS UM TRATO! — Se acalme Savior, mantenha o controle. Estou mantendo com minha parte do trato e pretendo cumpri-la enquanto você manter a sua – ela disse, me olhando desafiadoramente – Então, eu espero que você não tenha nada a ver com a fuga dessa gata nojenta. E espero que nada saia do controle por essa gata inútil ter fugido, ou isso vai sobrar para ela – ela disse, se virando e saindo da porta, e eu sentei na cama respirando fundo. Pensei nela para me acalmar, e em como eu queria que tudo voltasse a ser como no começo. Kiera precisava entrar em contato comigo, e eu precisava saber se Kiera iria sobreviver. Isso seria minha salvação, e seria a salvação dela.
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