Capítulo 6 - Incêndio silencioso

878 Words
Katleya Acordou com a dor e o cheiro de algo queimando, Metal, talvez tecido. O teto era diferente, mais firme, como concreto reforçado, Havia luz… fraca, laranja e Uma fogueira improvisada no canto. Ela tentou se mover, Um gemido escapou. — Não... Fique quieta. A voz cortou como uma lâmina, Grave, Grossa, Dele. Ela virou o rosto e o viu, Kaleo ao lado dela, ajoelhado, as mãos cobertas de sangue seco, Mas os olhos… os olhos estavam nela, Não de um jeito suave, De um jeito feroz. Como se ela fosse a única coisa viva que importava naquele lugar. Ela tentou falar, Não saiu som, na noite anterior ela gritou tão forte pela dor que acabou machucando suas cordas vocais. Ele se aproximou, puxando um pano úmido, limpando o sangue do braço dela com firmeza, mas cuidado. — Você perdeu muito sangue, Sorte minha que o coração ainda funciona. Ela engoliu em seco. — Você… você me encontrou… Ele não respondeu de imediato, Apenas continuou cuidando dos ferimentos. — Eu sabia que você estava lá. Meu corpo inteiro estava me levando pra você. —a sinceridade dele deixou kat envergonhada. O pano parou no meio do caminho, Ele olhou pra ela e ela sentiu, A tensão, O reconhecimento, O peso. Ela ficou em silêncio, Não podia contar, Não agora, Não que… ele aparecia nos seus sonhos, Que ela via os lábios dele antes de dormir, Que desejava alguém que nem conhecia. Um canto da boca dele se levantou, Não era um sorriso, Era quase… uma provocação. — Seria coincidência você sonhar comigo toda noite ? Katleya travou, O coração bateu como uma sirene dentro dela, As bochechas esquentaram. — Você… sabe disso? Ele se inclinou. Os olhos ainda cravados nos dela, A voz mais baixa, mais rouca. — A gente compartilha sonhos Desde o dia que te vi.— Desde que essa p***a de marca queimou no meu peito, ele pensou. Kat prendeu a respiração, ele ficou perto, Perto demais E então, como se não fosse nada, ele afastou o rosto e voltou a cuidar do corte. — Relaxa, Não é como se você ficasse gemendo meu nome a noite toda. Ela arregalou os olhos. — Eu… eu não… — estou brincando. — Mas o tom não era leve. Ele parecia com raiva, mas não era dela, era da situação, de como ela estava, de sentir demais, de não poder controlar. Ele terminou o curativo com um puxão firme no pano amarrado. — Dorme, ainda tá fraca. Ela não respondeu, só ficou deitada, o corpo latejando… e o coração batendo forte demais. Ele se afastou, foi até a parede com uma janela, sentou de costas para ela ficar confortável e dormir. Ela sabe e sente, ele estava ouvindo a respiração dela, sentindo cada movimento. Porque, de algum jeito, ele também estava perdido na mesma tempestade. De manhã, o céu ainda estava com aquele tom entre o cinza e o dourado, A luz filtrava entre os restos de concreto e metal, cortando o frio da madrugada. Katleya sentia o corpo exausto, mas algo dentro dela se recusava a parar, ela precisava voltar. — Preciso de suprimentos antes de retornar ao meu acampamento. Não posso chegar de mãos vazias. — disse, ajeitando a mochila nos ombros, desajeitada e fraca. Kaleo a observava em silêncio, os braços cruzados, o olhar… sempre aquele olhar. — Então… eu vou com você. Ela ergueu os olhos, surpresa. — Você já fez mais do que devia. Pode voltar pro seu grupo, eu me viro. Ele deu um passo, aquele tipo de passo que não se discute. — Eu vou com você até você se sentir segura. A forma como ele falou…Era firme. Mas não fria, como se proteger fosse inevitável. Ela hesitou… mas assentiu e os dois caminharam em silêncio pelas ruínas. Os escombros ainda estavam instáveis, cada passo era um risco, o mundo ali era feito de sombras e perigos. Em certo ponto, ela subiu sobre uma pilha de concreto rachado, O pé frágil, instável escorregou. — Ah…! Ela caiu para trás, braços fortes a seguraram antes que ela tocasse o chão, kaleo a puxou contra o peito, o impacto fez com o que seu coração disparasse, o dele já estava saindo pela boca, suas veias saltando sob o braço. Ela sentiu seu peito subindo e descendo com o ar tentando escapar e sendo puxado a força de volta aos pulmões. — você tem que olhar por onde pisa — ele murmurou, ainda com as mãos firmes na cintura dela. Ela engoliu seco e então, antes que a coragem sumisse: — Seus olhos… São diferentes dos que eu me lembro. Kaleo ficou quieto. O vento bateu de leve nos cabelos dele. Ela manteve o olhar. — Nos sonhos… eles eram mais escuros. Agora são… Mel esverdeados. Ele franziu levemente o cenho. Mas não desviou, Ela sentiu o corpo tremer por dentro. Ele a soltou devagar, mas a mão roçou a dela por mais tempo do que deveria. — nós passaremos por um túnel no norte. Tem água por lá. Depois disso, você me diz se quer seguir sozinha. Katleya apenas assentiu, mas o coração dela já sabia, não queria seguir sozinha, sem ele por perto, não depois de sentir o toque dele na pele.
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