O céu estava acinzentado, coberto por nuvens densas como poeira de concreto. O grupo precisava sair. Pouca comida, Quase nenhuma munição. Katleya, Riven, Ayla e mais dois guerreiros foram designados para buscar suprimentos em um dos setores abandonados. Antes da partida, enquanto organizava suas armas, Ayla se aproximou com uma expressão estranha no rosto.
— Eu menti, Kat — ela disse, baixinho. — Eu já vi esse símbolo.
— serio ? — Katleya parou o que estava fazendo, o coração acelerando.
— Sim. Na casa da minha avó. Ela falava sobre “vínculos de alma”… dizia que algumas pessoas são ligadas através do tempo e da destruição. Que elas se reconhecem pelos sonhos… e por esse símbolo.
Katleya engoliu seco.
— Ela dizia que, quando o símbolo aparece, é porque o vínculo começou.
Katleya sentiu a pele formigar.
— Você acha que ele é… esse alguém?
Ayla sorriu de leve.
— Eu acho que você tá fodida de um jeito romântico e apocalíptico. E eu tô amando.
A expedição começou. Riven ia na frente, tenso, Katleya no meio, atenta, Ayla ao lado, tagarelando baixinho. Prédios desmoronados, carros enferrujados cobertos por raízes e poeira radioativa. O mundo era uma carcaça E dentro dela… um perigo constante.
Na hora que encontraram o que pareciam ser mantimentos em uma antiga farmácia, algo se mexeu nos fundos.
Riven puxou a arma, Katleya também mas o vulto fugiu rápido demais, Ágil, Quase sobre-humano. Katleya sentiu, Era ele.
Ela correu até onde o vulto desaparecera, mas não encontrou nada, de cara com uma parede marcada pelo tempo.
Riven chegou logo depois, bufando.
— Você tá louca? E se fosse uma criatura?
Katleya se virou — Não era.
— Como você sabe?
Ela olhou nos olhos dele.
— Eu só sei
Naquela noite, de volta ao acampamento, ela não conseguia dormir, Mas dessa vez, não queria lutar contra. Ayla dormia ao lado, roncando baixinho.
Katleya se sentou, cruzou as pernas, fechou os olhos e respirou fundo. Se havia uma conexão…Se aquele homem era mais do que um sonho…Ela o encontraria.
“Me escute… se você for real… me encontre.. de novo.”
Katleya dormiu com o nome dele na mente. Não precisava dizê-lo em voz alta. Era como se o universo já soubesse o que ela queria e ele estava lá.
O sonho não começou como antes, Não era escuridão, Era fogo.
Ela estava deitada numa superfície quente, como metal sob o sol, Mas não doía, Aquecia.
O ar era carregado de desejo espesso, como se pudesse ser tocado,
E então… Ele apareceu.
Kaleo, Sem armadura, Sem sombras, Pele marcada por cicatrizes, Olhos dourados como brasas acesas e aquela expressão…
como se ela fosse tudo.
— Você me chamou — ele disse.
A voz dele era baixa, grave, Vibrava dentro dela, Como se cada palavra dele tocasse partes do corpo que ela nem sabia que existiam. Ela tentou responder, mas ele já estava diante dela, Os dedos roçaram o pescoço dela, subindo até o rosto.
— Você sente isso? — ele sussurrou.
Ela arfou.
— Sinto…
Ele se aproximou mais, O calor dele a envolvia.
Não era um calor físico, Era emocional. Era espiritual, era puro instinto. Quando ele encostou os lábios nos dela, não foi um beijo comum. Foi como se ela respirasse pela primeira vez. Katleya sentiu o peito se expandir, o corpo vibrar, Sentiu a mão dele na cintura, Os dedos subindo pelas costas, A pele arrepiando onde passava, Mas mais do que isso… Ela sentia o que ele sentia.
O desejo.
A reverência.
O medo de machucá-la e a vontade de se perder nela.
— Isso é real? — ela perguntou, com os lábios entreabertos.
— É mais do que real — ele respondeu. — É nosso.
As mãos dele seguraram o rosto dela com cuidado, como se ela fosse feita de luz e quando ele a beijou de novo, foi mais profundo, mais lento, Como se o tempo tivesse parado só pra eles.
Ela sentia o coração dele.
A respiração dele.
A entrega total.
E quando os corpos começaram a se entrelaçar, pele contra pele, alma contra alma…
Ela acordou mas não estava sozinha, o calor do toque ainda estavam nela.
O coração acelerado.
O corpo trêmulo.
E em seu peito…
uma marca brilhava, queimando em sua pele, uma runa antiga em forma de y, Como se a conexão tivesse ultrapassado o sonho, como se agora, eles fossem parte um do outro.