As portas de madeira maciça da sala de reuniões se abriram e elas não tiveram tempo de pensar. Adentraram ao recinto logo após Jonas. Elizabeth passou os olhos rapidamente por todas as três pessoas presentes. Identificou Evren que estava de costas, junto às grandes paredes de vidro. Falava ao celular e parecia não tê-las notado.
— Posso guardar o seu casaco, senhora… – Jonas estendeu a mão para Eliza. Ela respondeu que sim e poucos segundos depois levantou o olhar, sendo capturada por duros e gélidos olhos azuis.
O estômago dela deu voltas, seus ouvidos zuniam, mas sustentou aquela troca sem piscar. Havia passado toda a noite ensaiando aquele momento, não iria se deixar vencer facilmente. Mas foi então que a voz quase inaudível de Marina a fez desviar.
— Doutora, o rapaz está esperando o seu casaco. – A ruiva avisou com um sorrisinho amarelo.
— Claro. – Retirou rapidamente o sobretudo e entregou ao secretário de Evren. — Obrigada!
Jonas também recebeu o blazer de Marina e antes de pendurá-los em um cabideiro, indicou os lugares de cada uma à mesa.
Os outros dois homens que estavam sentados, levantaram-se para cumprimentá-las, na sua vez Evren estendeu a mão para Marina primeiro.
— Sejam bem-vindas, doutoras. Eu sou Evren Aslan… – Ainda que estivesse segurando a mão de Marina, direcionou o olhar para Eliza, quando enfim concluiu: — O novo CEO da Aslan Indústria Têxtil.
— Ah, sim. Muito prazer em conhecê-lo pessoalmente, senhor! Nos falamos por telefone, eu sou Marina Borges e essa é minha sócia, a doutora Elizabeth Novaes. – Apontou a amiga, que sorriu cordialmente para o homem, estendendo-lhe a mão.
— Senhor Aslan… – Assim que ele segurou a mão dela, a mulher apertou com firmeza. — Muito prazer!
O homem não moveu um músculo da face, permaneceu neutro e distante. Sério, porém cordial e educado, retribuiu o aperto na mesma medida.
— ELizabeth? – Ela ajustou os ouvidos. Estaria ele fazendo uma pergunta?
Como se esse filho da p**a não soubesse meu nome!
— Bem, meus amigos me chamam de Eliza e os mais íntimos de Liz. – Ela entrou na brincadeira dele, daria quanta corda fosse necessária para que ele se enrolasse inteiro até sufocar.
Evren a avaliou por alguns segundos. Ela não piscou. Sequer respirou.
— É um bonito nome, doutora Elizabeth! – Depois do elogio ele soltou a mão dela e tanto Eliza quanto Marina notaram um certo desprezo em seu tom. As advogadas então se sentaram em frente ao homem que continuou em tom frio e profissional. — Bem, espero que tenham sido bem recebidas, a copeira já trará os cafés e as águas, se precisarem de mais alguma coisa, podem solicitar ao meu secretário Jonas. – Apontou ao jovem bonitão que de seu lugar, meneou a cabeça em concordância.
— Estamos bem, obrigada! – Eliza dispensou.
— Ok. Acredito que as senhoras tenham a agenda cheia e por isso agradeço que tenham tirado um tempo para nos atender pessoalmente… – Com os olhos ele indicou duas pastas em frente a cada uma. Eles também possuíam outras iguais, certamente contendo os mesmos documentos. — Nós três já revisamos todas as cláusulas e gostaríamos de discutir algumas delas antes de assinarmos. Se não se importam, podemos abrir já na segunda página, cláusula oitava… – Demonstrando ser um homem que não tem tempo a perder, ele foi direto ao assunto. Afinal, discutir e assinar o contrato, foi o único motivo que as levou até ali.
***
A advogada morena observava o homem atentamente, fingindo concentração total ao que ele dizia, mas sua mente dava voltas, a verdade é que ela estava completamente indignada e com ego ferido. Toda aquela produção. Discurso muito bem ensaiado durante toda uma noite. “Fingir que não tivemos um passado juntos, tudo bem! Mas fingir que… que eu não significo nada pra ele…”
Ela sabia que tinha muito o que agradecer aos céus por sua amizade e parceria com Marina, se não fosse a mulher ao seu lado, que a conduzia e trazia para o mundo real nos momentos necessários, ela já teria saído daquela sala aos prantos e certamente estaria trancada em algum lavabo vomitando.
Cerca de duas horas depois, os contratos estavam finalmente assinados. Eliza sentiu-se aliviada quando todos se levantaram satisfeitos com o acordo fechado. Elas enfim estavam entrando para o mundo dos grandes negócios internacionais. Apesar dos pesares, teriam muito o que comemorar quando saíssem dali.
Evren foi o primeiro a deixar a sala alegando ter outros compromissos, seus funcionários acompanharam as advogadas até o elevador e assim que as portas se fecharam, as duas voltaram a respirar ao mesmo tempo. Apertaram as mãos e seguraram a explosão até chegar ao carro de Eliza. Quando tiveram a certeza que nem mesmo as câmeras de segurança eram capazes de flagrá-las, elas soltaram gritinhos histéricos de alegria misturados com abraços e dancinhas de felicidade.
A emoção eclodiu dentro daquele carro! Elas mereciam e deviam comemorar o feito, por isso trataram de sair logo dali e entraram no primeiro restaurante que encontraram. Além de eufóricas, estavam famintas e o momento pedia um belo jantar acompanhado de uma garrafa de champanhe.
***
— Cara, eu quis socar a cara daquele cafajeste. “Elizabeth?” – Ela imitou o trejeito de Evren. — Elizabeth? Como assim? Ele vai mesmo querer jogar esse jogo infantil? – A moça estava visivelmente incomodada e dessa vez podia expressar sua frustração.
— Mas também, o que você queria? Que ele tomasse você nos braços, pedisse perdão e a beijasse apaixonadamente na frente de todo mundo? – Marina que já travava a língua se divertia com a situação.
— Nao, né? Covarde como ele é… – Eliza bufou, virando a taça vazia. Era hora de pedir mais uma garrafa de champanhe. — Mas pelo menos podia ser honesto. Pra que fingir que não me conhece? Se ele mesmo escolheu a gente? Esse filho da p**a está armando alguma coisa… tenho certeza! – Chamou o garçom com a mão.
— Bom, vai ver que ele esperou alguma atitude da sua parte. Você também não facilitou nada, né minha querida? Provavelmente ele achou melhor se fazer de louco.
— Ridículo isso! – Quando o garçom chegou, ela pediu mais uma garrafa de champanhe e duas águas, para equilibrar a bebedeira. — Falta de atitude minha? Perdi uma manhã inteira, me enfeitando igual a uma árvore de natal para nada! – Revirou os olhos.
— Se serve de consolo, todo o escritório não tirou os olhos desse corpitcho sensual… – A ruiva piscou. — Eu tenho certeza que ele fez todo o esforço possível pra não arrastar você dali direto pra cama dele.
— Não fala m***a, amiga! – Revirou os olhos. — Eu preciso ir ao banheiro. Quando o champanhe chegar, me sirva uma taça por favor.
***
Após fazer xixi, passar fio dental e retocar o batom, Elizabeth saiu apressada do banheiro e trombou contra um corpo rígido e forte.
— Liz?