FALSAS INFORMAÇÕES

1415 Words
Mônica e Rael decidiram não dar um rótulo á sua relação. Eles saiam para jantar, almoçar e passear. Pérola também participava de alguns passeios e assim começou a criar um forte vínculo afetivo com Rael. E foi num sábado em que estavam na praia que ela fez algo que deixou sua mãe e Rael sem palavras por alguns minutos. Após sair da água, ela correu até ele e perguntou ansiosa: - Papai! O Senhor pode fazer um castelo de areia para mim por favor? Rael foi pego pelas palavras dela, respirou fundo e respondeu sem hesitar: - Claro que sim filha. Faremos um Castelo digno da Rainha que tu és. - A Senhora vai fazer com a gente Mamã? - Claro meu amor. Vamos lá. Pérola nunca tinha chamado Matias de Pai. Quando se referia á ele dizia apenas aquele homem mau, e em nenhum momento usava o termo pai ou papá. Matias parecia não se incomodar, mas a verdade é que sabia que agora era tarde para criar um vínculo afetivo com a sua filha que foi rejeitada antes mesmo do seu nascimento. Um tempo mais tarde quando ela dormia á caminho de casa, Rael percebeu que Mônica estava calada e perdida em seus pensamentos. - Querida! Está tudo bem? - Sim. Me desculpe! Eu pensava em algumas coisas. - O que a Pérola disse na praia te incomodou? - Não. É claro que não. Foi uma surpresa para mim também ela ter chamado você de Pai. - Ela nunca se dirigiu assim ao Pai dela? - Não. Ele nunca esteve presente tempo suficiente para ser considerado ou visto como Pai. Aliás, este direito foi perdido á muito tempo. - Entendo. Eu respeito demais que não consigas falar sobre isso, mas em algum momento eu terei que saber a verdade. - Você está certo. Prometo que farei isso bem antes do que esperas. Está bem? - Claro que sim. Eu serei paciente. Não te quero pressionar. - Obrigada. Quando chegaram, Olívia os foi receber e parecia nervosa mas tentou disfarçar. - Oi Olívia. - Olá Rael. Divertiram - se muito? - Sim. A Pérola é uma excelente nadadora. Fiquei surpreso com a capacidade dela de se adaptar ao oceano. - Pois ela herdou isso da mãe. A Patrícia sempre nadou muito bem. - Sim. Eu percebi. Falamos amanhã querida? - Claro. Podemos almoçar juntos? Será a minha folga. Há muito para te contar. - Está bem. Até amanhã. Quando entraram em casa, Patrícia teve uma verdadeira surpresa ao ver Rafael á espera dela. - Rafa?! - Olá minha amiga. - Não posso acreditar....- Ela o abraçou e começou a chorar. - Não chores querida. Há mais uma surpresa. - Outra?! - Você não sentiu a minha falta Mônica? - Elena?! ..- As duas amigas trocaram um abraço carinhoso e rolaram muitas lágrimas. - Não imaginam como estou feliz por ver vocês..Senti tantas saudades. Tive tanto medo que ele magoasse vocês. - Não aconteceu nada querida. Nós somos de famílias igualmente poderosas. - Eu sei. Mas ele é um demónio. Tenho tanto para contar. - Nós também temos. Mas é melhor você ir tomar um banho. Falaremos durante o jantar. Enquanto Mônica estava feliz com a presença de seus melhores amigos, a mulher que tinha vindo com eles no navio ainda os vigiava e soube onde ela vivia. Enviou as informações para Matias, e ele não hesitou em marcar a viagem para o dia seguinte. Decidiu ir de avião para chegar ainda mais depressa. Ele queria vingança. Mônica o enganou com inteligência e astúcia. Ela fingiu ser bondosa, manteve a calma e a paciência. Não desobedeceu nem gastou mais do que tinha dito que faria. Ela foi bem cuidadosa, e quando foi embora, ainda deixou um sinal do quanto tinha sido meticulosa ao agir. Após passar pelo aeroporto e resolver todas as questões legais, Matias foi se hospedar num pequeno hotel que ficava no começo da Ilha e recebia vários turistas. Ele usou o seu nome e percebeu que ninguém reconheceu. Não sabiam quem ele era, e ninguém parecia interessado em saber. Entrou em contato com a sua enviada, e soube onde Mônica estava a viver com a filha que ele mesmo rejeitou. Eles se encontraram no restaurante do hotel para acertar os detalhes. - Você as viu? Tens a certeza que se tratava delas? - Claro que sim. O Advogado e a esposa dele foram foram diretamente para a casa. - E onde esta casa está localizada? - Na área nobre da Ilha. Lá vivem apenas as pessoas de maior prestígio e uma conta bancária bem recheada. Está cheia de câmeras de segurança em todos os cantos. - Entendi. Você precisa de encontrar uma forma de me fazer ver as duas longe de lá. - Saiba que não sou conivente com violência. Se for para isso eu... - Não te preocupes. Eu não tocarei nelas. A menina é inocente. Quem eu quero é a Mônica. Ela é a minha esposa e vai voltar comigo. - Porque você não a deixa em paz? É óbvio que só estás com o orgulho ferido por ela ter sido inteligente para fugir sem que você desconfiasse. - Isso não importa. Ela ainda é a minha esposa, e querendo ou não as levarei de volta. Darei á ela a oportunidade de escolher: Voltar comigo ou perder a guarda da menina. - Menina? Matt você ao menos sabe o nome da sua filha? - Me faça encontrar a Mônica longe daquele lugar. Me ligue quando conseguir. Mattias foi embora e deixou a mulher sentada sozinha. A conta seria adicionada á sua hospedagem. Ela pensou em tudo o que já tinha visto e ouvido falar sobre Matias e tomou uma decisão. Não o deixaria chegar perto das duas. Os empregados da casa confirmaram que ele mantinha a esposa trancada. Que várias vezes ouviram os gritos de socorro saindo do quarto, e souberam que ela nunca se entregou para ele por livre vontade. Agora que o tinha ouvido, Marcella soube que estava prestes a colocar em perigo a vida de uma jovem mulher que tinha sofrido por cinco anos, e fugiu apenas para conseguir a sua liberdade. Tinha que encontrar forma de a alertar sobre a presença de Matias na ilha. Por outro lado, Mônica e os amigos falaram sobre tudo, e ela contou que agora tinha Rael na sua vida e contaria para ele tudo o que tinha sofrido nas mãos de Matias. No dia seguinte após deixar a filha na escola, Mônica foi á lanchonete com Rafael para pegarem algumas coisas. Ela ficaria á espera de Rael e seu amigo voltaria para casa. Quando ela estava a pagar, percebeu a entrada de alguém e seu coração gelou. Ela sabia quem era antes mesmo de olhar. Rafael a protegeu por instinto. - Matias?! - Olá meu amor. Achou que eu não encontraria você? - Vai embora. Me deixa em paz. - Nunca. Eu levarei vocês de volta. Você ainda é a minha esposa e vais voltar para a nossa casa. - Esposa?! Você é casada Patrícia? Rael estava na entrada e tinha escutado tudo tirando as suas próprias conclusões. - Quem é este homem? Outro i****a que você seduziu como fez comigo? - Cala a boca demónio. Nós sabemos muito bem a verdade. Ela não é sua esposa. O divórcio está assinado. Ela é livre. - Olhe só. O amante número um está defendendo ela com mentiras. Eu nunca assinei nada. - Tens a certeza Matias? Leste os últimos documentos que a Alice levou até você? Matias ficou surpreso, mas já tinha feito estragos. Rael acreditou nas palavras dele e foi embora. Mônica o seguiu e tentou falar. - Eu achei que fosses diferente. Que fosses especial. - Você também vai me julgar Rael? Vais acreditar num homem estranho e não em mim? - Sim. Ele disse que aquele cara é teu amante. - E você acreditou? Depois de tudo o que falamos sobre amor e confiança? Eu é que me sinto m*l por ter achado que você me ensinaria a amar. Saiba de uma coisa Rael. Desta vez um jantar não será suficiente. Eu não vou me esquecer desta humilhação nunca. Nunca. Mônica foi embora e Rael começou a medir as palavras que tinha dito para ela. Será que tinha passado dos limites e agora a perderia para sempre? Quem era aquele homem para quem ela olhava com tanto ódio? E porque o outro a defendia e falava em liberdade?
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