Mônica e Rael decidiram não dar um rótulo á sua relação.
Eles saiam para jantar, almoçar e passear.
Pérola também participava de alguns passeios e assim começou a criar um forte vínculo afetivo com Rael.
E foi num sábado em que estavam na praia que ela fez algo que deixou sua mãe e Rael sem palavras por alguns minutos.
Após sair da água, ela correu até ele e perguntou ansiosa:
- Papai! O Senhor pode fazer um castelo de areia para mim por favor?
Rael foi pego pelas palavras dela, respirou fundo e respondeu sem hesitar:
- Claro que sim filha. Faremos um Castelo digno da Rainha que tu és.
- A Senhora vai fazer com a gente Mamã?
- Claro meu amor. Vamos lá.
Pérola nunca tinha chamado Matias de Pai. Quando se referia á ele dizia apenas aquele homem mau, e em nenhum momento usava o termo pai ou papá.
Matias parecia não se incomodar, mas a verdade é que sabia que agora era tarde para criar um vínculo afetivo com a sua filha que foi rejeitada antes mesmo do seu nascimento.
Um tempo mais tarde quando ela dormia á caminho de casa, Rael percebeu que Mônica estava calada e perdida em seus pensamentos.
- Querida! Está tudo bem?
- Sim. Me desculpe! Eu pensava em algumas coisas.
- O que a Pérola disse na praia te incomodou?
- Não. É claro que não. Foi uma surpresa para mim também ela ter chamado você de Pai.
- Ela nunca se dirigiu assim ao Pai dela?
- Não. Ele nunca esteve presente tempo suficiente para ser considerado ou visto como Pai.
Aliás, este direito foi perdido á muito tempo.
- Entendo. Eu respeito demais que não consigas falar sobre isso, mas em algum momento eu terei que saber a verdade.
- Você está certo. Prometo que farei isso bem antes do que esperas.
Está bem?
- Claro que sim. Eu serei paciente.
Não te quero pressionar.
- Obrigada.
Quando chegaram, Olívia os foi receber e parecia nervosa mas tentou disfarçar.
- Oi Olívia.
- Olá Rael. Divertiram - se muito?
- Sim. A Pérola é uma excelente nadadora. Fiquei surpreso com a capacidade dela de se adaptar ao oceano.
- Pois ela herdou isso da mãe.
A Patrícia sempre nadou muito bem.
- Sim. Eu percebi. Falamos amanhã querida?
- Claro. Podemos almoçar juntos?
Será a minha folga. Há muito para te contar.
- Está bem. Até amanhã.
Quando entraram em casa, Patrícia teve uma verdadeira surpresa ao ver Rafael á espera dela.
- Rafa?!
- Olá minha amiga.
- Não posso acreditar....- Ela o abraçou e começou a chorar.
- Não chores querida. Há mais uma surpresa.
- Outra?!
- Você não sentiu a minha falta Mônica?
- Elena?! ..- As duas amigas trocaram um abraço carinhoso e rolaram muitas lágrimas.
- Não imaginam como estou feliz por ver vocês..Senti tantas saudades. Tive tanto medo que ele magoasse vocês.
- Não aconteceu nada querida.
Nós somos de famílias igualmente poderosas.
- Eu sei. Mas ele é um demónio.
Tenho tanto para contar.
- Nós também temos. Mas é melhor você ir tomar um banho. Falaremos durante o jantar.
Enquanto Mônica estava feliz com a presença de seus melhores amigos, a mulher que tinha vindo com eles no navio ainda os vigiava e soube onde ela vivia. Enviou as informações para Matias, e ele não hesitou em marcar a viagem para o dia seguinte.
Decidiu ir de avião para chegar ainda mais depressa.
Ele queria vingança. Mônica o enganou com inteligência e astúcia.
Ela fingiu ser bondosa, manteve a calma e a paciência. Não desobedeceu nem gastou mais do que tinha dito que faria.
Ela foi bem cuidadosa, e quando foi embora, ainda deixou um sinal do quanto tinha sido meticulosa ao agir.
Após passar pelo aeroporto e resolver todas as questões legais, Matias foi se hospedar num pequeno hotel que ficava no começo da Ilha e recebia vários turistas.
Ele usou o seu nome e percebeu que ninguém reconheceu. Não sabiam quem ele era, e ninguém parecia interessado em saber.
Entrou em contato com a sua enviada, e soube onde Mônica estava a viver com a filha que ele mesmo rejeitou.
Eles se encontraram no restaurante do hotel para acertar os detalhes.
- Você as viu? Tens a certeza que se tratava delas?
- Claro que sim. O Advogado e a esposa dele foram foram diretamente para a casa.
- E onde esta casa está localizada?
- Na área nobre da Ilha. Lá vivem apenas as pessoas de maior prestígio e uma conta bancária bem recheada. Está cheia de câmeras de segurança em todos os cantos.
- Entendi. Você precisa de encontrar uma forma de me fazer ver as duas longe de lá.
- Saiba que não sou conivente com violência. Se for para isso eu...
- Não te preocupes. Eu não tocarei nelas. A menina é inocente.
Quem eu quero é a Mônica. Ela é a minha esposa e vai voltar comigo.
- Porque você não a deixa em paz?
É óbvio que só estás com o orgulho ferido por ela ter sido inteligente para fugir sem que você desconfiasse.
- Isso não importa. Ela ainda é a minha esposa, e querendo ou não as levarei de volta. Darei á ela a oportunidade de escolher: Voltar comigo ou perder a guarda da menina.
- Menina? Matt você ao menos sabe o nome da sua filha?
- Me faça encontrar a Mônica longe daquele lugar. Me ligue quando conseguir.
Mattias foi embora e deixou a mulher sentada sozinha. A conta seria adicionada á sua hospedagem.
Ela pensou em tudo o que já tinha visto e ouvido falar sobre Matias e tomou uma decisão.
Não o deixaria chegar perto das duas. Os empregados da casa confirmaram que ele mantinha a esposa trancada. Que várias vezes ouviram os gritos de socorro saindo do quarto, e souberam que ela nunca se entregou para ele por livre vontade.
Agora que o tinha ouvido, Marcella soube que estava prestes a colocar em perigo a vida de uma jovem mulher que tinha sofrido por cinco anos, e fugiu apenas para conseguir a sua liberdade.
Tinha que encontrar forma de a alertar sobre a presença de Matias na ilha.
Por outro lado, Mônica e os amigos falaram sobre tudo, e ela contou que agora tinha Rael na sua vida e contaria para ele tudo o que tinha sofrido nas mãos de Matias.
No dia seguinte após deixar a filha na escola, Mônica foi á lanchonete com Rafael para pegarem algumas coisas. Ela ficaria á espera de Rael e seu amigo voltaria para casa.
Quando ela estava a pagar, percebeu a entrada de alguém e seu coração gelou. Ela sabia quem era antes mesmo de olhar.
Rafael a protegeu por instinto.
- Matias?!
- Olá meu amor. Achou que eu não encontraria você?
- Vai embora. Me deixa em paz.
- Nunca. Eu levarei vocês de volta.
Você ainda é a minha esposa e vais voltar para a nossa casa.
- Esposa?! Você é casada Patrícia?
Rael estava na entrada e tinha escutado tudo tirando as suas próprias conclusões.
- Quem é este homem? Outro i****a que você seduziu como fez comigo?
- Cala a boca demónio. Nós sabemos muito bem a verdade. Ela não é sua esposa. O divórcio está assinado. Ela é livre.
- Olhe só. O amante número um está defendendo ela com mentiras.
Eu nunca assinei nada.
- Tens a certeza Matias? Leste os últimos documentos que a Alice levou até você?
Matias ficou surpreso, mas já tinha feito estragos. Rael acreditou nas palavras dele e foi embora.
Mônica o seguiu e tentou falar.
- Eu achei que fosses diferente. Que fosses especial.
- Você também vai me julgar Rael?
Vais acreditar num homem estranho e não em mim?
- Sim. Ele disse que aquele cara é teu amante.
- E você acreditou? Depois de tudo o que falamos sobre amor e confiança? Eu é que me sinto m*l por ter achado que você me ensinaria a amar.
Saiba de uma coisa Rael. Desta vez um jantar não será suficiente. Eu não vou me esquecer desta humilhação nunca. Nunca.
Mônica foi embora e Rael começou a medir as palavras que tinha dito para ela.
Será que tinha passado dos limites e agora a perderia para sempre?
Quem era aquele homem para quem ela olhava com tanto ódio?
E porque o outro a defendia e falava em liberdade?