Mônica pensou bastante nas palavras da mensagem de Rafael.
Respondeu dizendo que sentia a falta dele e de Maria Elena.
Enviou a sua localização, e disse que não teria medo de um confronto pessoalmente com Matias.
- Eu ainda não consigo acreditar Lívia. Mais uma assinatura e me liberto daquele homem.
- Essa notícia é maravilhosa. E vamos celebrar o momento com uma enorme festa.
- Com certeza assim será. Mas eu espero que o Rafael possa me ajudar com outra questão.
- E que questão é essa?
- Retirar o sobrenome Molina dos documentos da minha filha. Não quero a Brianna usando o sobrenome dele Olívia. Seria como permitir a presença dele na vida dela. Isso não vou permitir.
Até que ela seja maior de idade, não terá contato com ele.
- Eu apoio você a 100% nesta decisão. Mas, e quanto ao Rael? Vais contar tudo para ele?
- Sim eu vou. Mas será aos poucos.
Ainda temos que entender o que sentimos e criar uma ponte segura de confiança.
- Estás certa. E quando será o vosso jantar?
- Amanhã! Ele vai me pegar na clínica. Podes por favor passar lá para trazer o carro?
- Claro que sim querida. E levarei a Pérola para passear.
Há um lugar que ela vai adorar conhecer. Também levarei a minha neta. As duas vão divertir - se muito.
- Obrigada Olívia. A Ângela tem sido uma excelente amiga para ela.
Tenho muito orgulho dela. Ela tem estado tão dedicada aos estudos.
Em nenhum momento ela citou o nome daquele demónio. Desde que chegamos aqui ela não teve pesadelos.
- Isso é bom querida. Ela fará seis anos em breve. Talvez não fale para não ter que lembrar do que passou. É melhor assim.
- Tens razão. Na terça-feira vou novamente falar com a Ana Rosa.
Quero muito saber a opinião dela sobre a possibilidade do Matias aparecer por aqui.
- Achas que isso pode acontecer?
- Infelizmente sim. Mas eu não tenho medo. Vou confrontá - lo.
Está mais do que na hora de fazer isso. Não vou fugir a vida toda. Se tivermos que ir á tribunal então iremos. Farei o que for necessário, mas não vou deixar que ele fique com a minha filha e a faça ser igualzinha á ele.
No dia seguinte depois de deixar a filha na escola, Mônica entrou para cumprimentar Maria Fernanda.
As duas estavam a desenvolver uma boa amizade e isso a deixava feliz.
- Que boa surpresa Patrícia.
Eu fui bastante sincera quando te ofereci a minha amizade.
- Obrigada Fernanda. Eu sei disso.
E sendo bastante sincera, eu achei que isso seria difícil acontecer.
- Não te preocupes. Depois da conversa que tive com o Rael, eu percebi que o melhor a fazer é seguir em frente e deixar ele fazer o mesmo. Insistir em algo impossível só a acabaria com o meu amor próprio.
- Eu sei como é. Eu vim aqui para conversar e pedir a tua ajuda.
- Claro. Hoje não vou dar aulas.
Podemos falar.
- Obrigada. Quero que saibas tudo sobre mim. Não tenho mais razões para me esconder, e sei que se este momento chegar, vou poder contar com a tua ajuda.
- É claro que sim. Vou pedir um lanche para nós, pois acho que a nossa conversa será bem longa.
Após tudo ser entregue, Maria Fernanda pediu para não ser incomodada.
Mônica abriu o coração para ela e soube que tinha ao seu lado mais alguém que faria de tudo para a defender da presença maldosa de Matias.
- Eu não suporto imaginar tudo o que passaste. Como uma Avó faz isso?
- Ela nunca me amou. E tudo porque a minha mãe nunca revelou quem é o meu pai.
- E tu não tens curiosidade para saber quem ele é? Se calhar a tua mãe fez isso para proteger ele. Só não sabia que a tua Avó seria tão má contigo.
- Tens razão. A verdade é que eu nunca pensei nisso. Me concentrei em outras coisas e esqueci que existe outro lado da minha vida que eu não conheço.
Eu vou investigar. E sei exactamente por onde começar.
Elas conversaram por mais tempo.
Mônica só iria para a Clínica no turno da tarde para dar algumas consultas.
Quando lá chegou, conversou com Márcia que apoiou a sua ideia, e disse que seria testemunha se fosse necessário.
Eram 18 horas quando ela terminou tudo e foi trocar de roupa para encontrar Rael.
- Com licença Doutora Mônica.
O Senhor Rael acabou de chegar e a espera na recepção.
- Obrigada Teresa. Estou descendo.
Mônica foi ter com ele e parecia mais relaxada.
- Olá Rael.
- Olá Mônica. Estás muito linda.
- Obrigada. Também estás elegante.
Para onde vamos?
- A um lugar especial mas dentro da ilha. É o resort que pertence á uma família que praticamente fundou esta ilha.
- A sério?!
- Sim. Aqui estão apenas alguns membros. Eles se espalharam pelo mundo, mas sempre que podem voltam para aqui. O nome do lugar é Rei do Paraíso.
- Uau! O nome é o certo.
Foram de carro e Mônica sorriu quando viu o lugar.
Era lindo e impressionante.
Haviam hóspedes a circular e também funcionários, mas o movimento era tranquilo.
Sentaram e após fazerem os pedidos, Rael decidiu falar primeiro.
- Eu quero muito que confies em mim Mônica. Mas, parece que isso será impossível.
- Se fosse verdade não estaria aqui com você. A questão não é se confio ou não em você, mas a razão que me faz hesitar nesta confiança.
- E vais me dizer qual é?
- Direi tudo na hora certa. Mas, por agora só posso dizer-te que não tive uma vida fácil. Perdi a minha mãe muito cedo e depois fui viver com a minha Avó. Durante um tempo me senti segura, mas tudo mudou quando fiz 20 anos.
- O que ela fez?
- Destruiu o meu futuro.
Acabou com a minha vida, e hoje é a pessoa que menos amo.
A que mais me deixa com raiva.
- Entendo. E o pai da Pérola?
- Também está envolvido nisso.
Mas, não quero falar sobre ele ao jantar. Disseste que queres a minha confiança. Será que tenho a tua?
- Claro que sim. Vamos mudar de assunto. Como tem sido a amizade com a Fernanda?
- Muito boa. Ela é maravilhosa.
E soube que adora cozinhar. Combinamos trocar receitas e criar um blog para as partilhar.
- Estou impressionado. Em pouco tempo você conseguiu conquistar bastante gente aqui da ilha.
- E isso é mau?
- Claro que não. Significa que o que aconteceu no passado não mudou em absolutamente nada a tua essência. Eu soube disso no dia em que nos conhecemos.
- É mesmo?
- Sim. Eu sempre soube que chegaria á esta ilha a pessoa adequada para mim.
Para mim tu és essa pessoa.
- Mas eu não sei se estou preparada Rael. O que passei foi difícil demais.
- Eu não sei o que passaste, mas seja o que for, quero que contes comigo para superar. Tens que tentar confiar em mim. Por favor.
- Rael! Tu és um homem lindo e maravilhoso. És paciente e um perfeito cavalheiro. Tudo isso é mais do que suficiente para que eu confie em você.
- Eu acho que vem aí um mas...
- Mas a ferida do meu coração é profunda demais. Mas ainda assim estou disposta a tentar. Mas, vamos mesmo bem devagar está bem?
- Tudo bem. Será tudo do jeito que você desejar. Jamais faria algo que fosse contra a tua vontade.
Eu respeito demais as mulheres para deixar isso acontecer.
- Obrigada. Agora me fale sobre você. Sei que tens um irmão mais novo.
Rael amou a mudança de tema. Falou sobre o irmão e do quanto sentia a falta dele.
Disse também que o seu pai sempre foi um homem de poucas palavras mas bastante observador.
- Você acha que o posso conhecer?
- Claro. Ele vai gostar disso.
O Papai adora plantas e animais e raramente vem á parte alta da Ilha.
A minha mãe já desistiu de pedir...
- Bem! Acho que isso não muda em nada o que sentem um pelo outro.
- Claro que não. Pelo contrário. O amor deles é a minha maior fonte de inspiração. Jamais faria algo que magoasse uma mulher física ou psicologicamente, pois nunca vi o meu pai fazer isso. Ele nem mesmo altera o tom de voz quando está zangado.
- Isso é incrível. Eu não sei quem é o meu Pai. Mas vou começar a investigar para o descobrir. Acho que ele também não deve saber de mim.
- Eu posso ajudar-te a investigar.
- Agradeço. Mas eu nem mesmo sei o nome dele. Vou procurar pistas nas coisas que tenho da minha mãe. Nelas a minha Avó não teve coragem de tocar e deu tudo para mim.
- Tudo bem. Lembra- te que estou aqui para ajudar.
Mônica voltou para casa sentindo o seu coração diferente. Rael a estava a conquistar e esta tinha sido apenas a primeira saída.
Depois de dar um beijo de boa noite para a filha, ela foi pegar na caixa que considerava o seu maior tesouro. Nela estavam as fotos de sua mãe e também as suas até ao momento em que ficou sozinha.
Ao ver tudo aquilo, Mônica tentou segurar as lágrimas. Reparou então que o seu baú tinha um fundo falso.
Lá estavam outras fotos de sua mãe, mas ela era mais jovem e tinha um jovem ao seu lado.
Ambos sorriam e notava - se o quanto havia amor entre eles.
Mas foi ao virar uma das fotografias que Mônica teve a sua maior surpresa.
Lá estava o nome do seu pai, celular, endereço e até um email.
Será que ainda estavam válidos?
Ela não sabia, mas prestou muita atenção no nome que mudaria para sempre o rumo da sua vida.
LUÍS FILIPE DE MONTOYA.