TENTANDO

1673 Words
Mônica pensou bastante nas palavras da mensagem de Rafael. Respondeu dizendo que sentia a falta dele e de Maria Elena. Enviou a sua localização, e disse que não teria medo de um confronto pessoalmente com Matias. - Eu ainda não consigo acreditar Lívia. Mais uma assinatura e me liberto daquele homem. - Essa notícia é maravilhosa. E vamos celebrar o momento com uma enorme festa. - Com certeza assim será. Mas eu espero que o Rafael possa me ajudar com outra questão. - E que questão é essa? - Retirar o sobrenome Molina dos documentos da minha filha. Não quero a Brianna usando o sobrenome dele Olívia. Seria como permitir a presença dele na vida dela. Isso não vou permitir. Até que ela seja maior de idade, não terá contato com ele. - Eu apoio você a 100% nesta decisão. Mas, e quanto ao Rael? Vais contar tudo para ele? - Sim eu vou. Mas será aos poucos. Ainda temos que entender o que sentimos e criar uma ponte segura de confiança. - Estás certa. E quando será o vosso jantar? - Amanhã! Ele vai me pegar na clínica. Podes por favor passar lá para trazer o carro? - Claro que sim querida. E levarei a Pérola para passear. Há um lugar que ela vai adorar conhecer. Também levarei a minha neta. As duas vão divertir - se muito. - Obrigada Olívia. A Ângela tem sido uma excelente amiga para ela. Tenho muito orgulho dela. Ela tem estado tão dedicada aos estudos. Em nenhum momento ela citou o nome daquele demónio. Desde que chegamos aqui ela não teve pesadelos. - Isso é bom querida. Ela fará seis anos em breve. Talvez não fale para não ter que lembrar do que passou. É melhor assim. - Tens razão. Na terça-feira vou novamente falar com a Ana Rosa. Quero muito saber a opinião dela sobre a possibilidade do Matias aparecer por aqui. - Achas que isso pode acontecer? - Infelizmente sim. Mas eu não tenho medo. Vou confrontá - lo. Está mais do que na hora de fazer isso. Não vou fugir a vida toda. Se tivermos que ir á tribunal então iremos. Farei o que for necessário, mas não vou deixar que ele fique com a minha filha e a faça ser igualzinha á ele. No dia seguinte depois de deixar a filha na escola, Mônica entrou para cumprimentar Maria Fernanda. As duas estavam a desenvolver uma boa amizade e isso a deixava feliz. - Que boa surpresa Patrícia. Eu fui bastante sincera quando te ofereci a minha amizade. - Obrigada Fernanda. Eu sei disso. E sendo bastante sincera, eu achei que isso seria difícil acontecer. - Não te preocupes. Depois da conversa que tive com o Rael, eu percebi que o melhor a fazer é seguir em frente e deixar ele fazer o mesmo. Insistir em algo impossível só a acabaria com o meu amor próprio. - Eu sei como é. Eu vim aqui para conversar e pedir a tua ajuda. - Claro. Hoje não vou dar aulas. Podemos falar. - Obrigada. Quero que saibas tudo sobre mim. Não tenho mais razões para me esconder, e sei que se este momento chegar, vou poder contar com a tua ajuda. - É claro que sim. Vou pedir um lanche para nós, pois acho que a nossa conversa será bem longa. Após tudo ser entregue, Maria Fernanda pediu para não ser incomodada. Mônica abriu o coração para ela e soube que tinha ao seu lado mais alguém que faria de tudo para a defender da presença maldosa de Matias. - Eu não suporto imaginar tudo o que passaste. Como uma Avó faz isso? - Ela nunca me amou. E tudo porque a minha mãe nunca revelou quem é o meu pai. - E tu não tens curiosidade para saber quem ele é? Se calhar a tua mãe fez isso para proteger ele. Só não sabia que a tua Avó seria tão má contigo. - Tens razão. A verdade é que eu nunca pensei nisso. Me concentrei em outras coisas e esqueci que existe outro lado da minha vida que eu não conheço. Eu vou investigar. E sei exactamente por onde começar. Elas conversaram por mais tempo. Mônica só iria para a Clínica no turno da tarde para dar algumas consultas. Quando lá chegou, conversou com Márcia que apoiou a sua ideia, e disse que seria testemunha se fosse necessário. Eram 18 horas quando ela terminou tudo e foi trocar de roupa para encontrar Rael. - Com licença Doutora Mônica. O Senhor Rael acabou de chegar e a espera na recepção. - Obrigada Teresa. Estou descendo. Mônica foi ter com ele e parecia mais relaxada. - Olá Rael. - Olá Mônica. Estás muito linda. - Obrigada. Também estás elegante. Para onde vamos? - A um lugar especial mas dentro da ilha. É o resort que pertence á uma família que praticamente fundou esta ilha. - A sério?! - Sim. Aqui estão apenas alguns membros. Eles se espalharam pelo mundo, mas sempre que podem voltam para aqui. O nome do lugar é Rei do Paraíso. - Uau! O nome é o certo. Foram de carro e Mônica sorriu quando viu o lugar. Era lindo e impressionante. Haviam hóspedes a circular e também funcionários, mas o movimento era tranquilo. Sentaram e após fazerem os pedidos, Rael decidiu falar primeiro. - Eu quero muito que confies em mim Mônica. Mas, parece que isso será impossível. - Se fosse verdade não estaria aqui com você. A questão não é se confio ou não em você, mas a razão que me faz hesitar nesta confiança. - E vais me dizer qual é? - Direi tudo na hora certa. Mas, por agora só posso dizer-te que não tive uma vida fácil. Perdi a minha mãe muito cedo e depois fui viver com a minha Avó. Durante um tempo me senti segura, mas tudo mudou quando fiz 20 anos. - O que ela fez? - Destruiu o meu futuro. Acabou com a minha vida, e hoje é a pessoa que menos amo. A que mais me deixa com raiva. - Entendo. E o pai da Pérola? - Também está envolvido nisso. Mas, não quero falar sobre ele ao jantar. Disseste que queres a minha confiança. Será que tenho a tua? - Claro que sim. Vamos mudar de assunto. Como tem sido a amizade com a Fernanda? - Muito boa. Ela é maravilhosa. E soube que adora cozinhar. Combinamos trocar receitas e criar um blog para as partilhar. - Estou impressionado. Em pouco tempo você conseguiu conquistar bastante gente aqui da ilha. - E isso é mau? - Claro que não. Significa que o que aconteceu no passado não mudou em absolutamente nada a tua essência. Eu soube disso no dia em que nos conhecemos. - É mesmo? - Sim. Eu sempre soube que chegaria á esta ilha a pessoa adequada para mim. Para mim tu és essa pessoa. - Mas eu não sei se estou preparada Rael. O que passei foi difícil demais. - Eu não sei o que passaste, mas seja o que for, quero que contes comigo para superar. Tens que tentar confiar em mim. Por favor. - Rael! Tu és um homem lindo e maravilhoso. És paciente e um perfeito cavalheiro. Tudo isso é mais do que suficiente para que eu confie em você. - Eu acho que vem aí um mas... - Mas a ferida do meu coração é profunda demais. Mas ainda assim estou disposta a tentar. Mas, vamos mesmo bem devagar está bem? - Tudo bem. Será tudo do jeito que você desejar. Jamais faria algo que fosse contra a tua vontade. Eu respeito demais as mulheres para deixar isso acontecer. - Obrigada. Agora me fale sobre você. Sei que tens um irmão mais novo. Rael amou a mudança de tema. Falou sobre o irmão e do quanto sentia a falta dele. Disse também que o seu pai sempre foi um homem de poucas palavras mas bastante observador. - Você acha que o posso conhecer? - Claro. Ele vai gostar disso. O Papai adora plantas e animais e raramente vem á parte alta da Ilha. A minha mãe já desistiu de pedir... - Bem! Acho que isso não muda em nada o que sentem um pelo outro. - Claro que não. Pelo contrário. O amor deles é a minha maior fonte de inspiração. Jamais faria algo que magoasse uma mulher física ou psicologicamente, pois nunca vi o meu pai fazer isso. Ele nem mesmo altera o tom de voz quando está zangado. - Isso é incrível. Eu não sei quem é o meu Pai. Mas vou começar a investigar para o descobrir. Acho que ele também não deve saber de mim. - Eu posso ajudar-te a investigar. - Agradeço. Mas eu nem mesmo sei o nome dele. Vou procurar pistas nas coisas que tenho da minha mãe. Nelas a minha Avó não teve coragem de tocar e deu tudo para mim. - Tudo bem. Lembra- te que estou aqui para ajudar. Mônica voltou para casa sentindo o seu coração diferente. Rael a estava a conquistar e esta tinha sido apenas a primeira saída. Depois de dar um beijo de boa noite para a filha, ela foi pegar na caixa que considerava o seu maior tesouro. Nela estavam as fotos de sua mãe e também as suas até ao momento em que ficou sozinha. Ao ver tudo aquilo, Mônica tentou segurar as lágrimas. Reparou então que o seu baú tinha um fundo falso. Lá estavam outras fotos de sua mãe, mas ela era mais jovem e tinha um jovem ao seu lado. Ambos sorriam e notava - se o quanto havia amor entre eles. Mas foi ao virar uma das fotografias que Mônica teve a sua maior surpresa. Lá estava o nome do seu pai, celular, endereço e até um email. Será que ainda estavam válidos? Ela não sabia, mas prestou muita atenção no nome que mudaria para sempre o rumo da sua vida. LUÍS FILIPE DE MONTOYA.
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