Capítulo 12

973 Words
Sophia narrando Eram sete da noite já, ainda não fazia nem um dia que eu tinha acordado. Eu tava sentada, esperando a policial chegar pra poder contar tudo que aconteceu naquele dia. Vi ela chegando e fiquei tensa. — Sophia Blumore, certo? — Sim, sou eu mesma. "Respondo fitando o chão" — Preciso que a senhorita me informe tudo, qualquer detalhe, sobre o que ocorreu naquele dia. "Ela diz enquanto segura uma caderneta preta" — Eu tinha saído com minha amiga, e quase no finalzinho da tarde, eu tinha decidido ir comprar açaí, mas como as barraquinhas eram perto e eu achava o lugar movimentado, eu quis ir sozinha mesmo enquanto ela me esperava. Vejo ela anotando tudo e então prossigo. — Depois de eu fazer os pedidos, eu senti uma pessoa vindo por trás de mim e foi aí que ele me arrastou pro beco, a atendente não estava na barraquinha na hora, na verdade, por incrível que pareça, tudo pareceu vazio. — E o que ele fez com você? "Ela pergunta atentamente" — Primeiro ele me disse que se eu tivesse respondido as mensagens que minha mãe me enviou, nada daquilo precisaria estar acontecendo. — Que mensagem? "Ela pergunta e eu mostro os prints pra ela" — A minha relação com minha mãe sempre foi extremamente tóxica, e bom.. com ela mandando o meu padrasto vim atrás de mim me agredir, você pode ver que eu não estou mentindo. — Ok.. e a sua amiga, porquê ela matou ele e não entregou pra polícia? — Ela não pretendia m***r ele, eu sei disso. Quando ela me encontrou.. foi quando ele pretendia me.. você sabe. Eu vi ela indo pra cima dele e depois tudo apagou. — Obrigada por nos relatar tudo, Sophia. Nós vamos avaliar e então decidir se encerramos o caso ou não. — Moça.. mas, me diz o que pode acontecer, a minha amiga.. ela não pode ficar presa e a família dela também não pode saber. "Digo preocupada" — A única coisa que posso te informar, é que a justiça provavelmente vai ficar do lado de vocês, tudo indica que foi sim legítima defesa, mas vamos aguardar até amanhã. "Ela fala e eu suspiro fundo" Saí da sala e fui procurar o meu daddy e encontro ele na lanchonete, com uma expressão preocupada. — Como foi lá? Você conseguiu falar direitinho? "Ele pergunta" — Sim daddy.. a moça falou que provavelmente a justiça vai ficar do nosso lado, mas temos que aguardar a resposta, até amanhã já vão ter dito. — Que bom.. o médico já te liberou, podemos ir pra casa hoje. — Cadê a Renata?? "Pergunto olhando ao redor" — Ela já foi pra casa, pra não levantar suspeitas lá, provavelmente iriam estranhar e querer saber onde ela tá e o que está acontecendo.. — Aaaah.. — Vamos pra casa? Já arrumei todas suas coisas. — Mas eu tô com medo... A minha mãe vai vim atrás da gente. — Não, ela não vai. Tem seguranças ao redor da nossa casa toda. — Entendiii.. então vamos, tô com saudades de mel e tummy.. daddy, quem tá cuidando delas? "Pergunto preocupada" — Eu contratei uma "babá de gatos". Achei em um site que vende coisas pra animais. — Aaaah, e elas são boazinhas mesmo?? — Sim meu amor, é claro que são. — Quero ir logo pra casa.... — Vamos, o carro tá lá fora. Assenti e fui direto pro estacionamento do hospital com o daddy, aí ele ligou o carro e estávamos à caminho de casa. Eu tava com tanto sono, apesar de ter passado 3 dias desacordada. Decido cochilar um pouco. ❁❁❁❁❁❁❁❁❁❁❁❁❁ Renata narrando Minha cabeça tá a mil. Quando finalmente chego em casa, já me deparo com minha vó me dando um olhar julgativo. — É Renata... eu sei que você deve estar aprontando alguma, é só o que me falta descobrir pra eu te botar pra fora daqui com razão! "A velha esbraveja" — Pelos deuses, me dá um descanso tá? Me deixa em paz, beleza? Falo e saio indo em direção ao meu quarto e me tranco lá. Apesar de tudo, não me arrependo nem um pouco de ter matado aquele cara. Uau.. eu matei alguém. E alguém r**m, inclusive. Será que é errado eu não me arrepender? Será que teria sido melhor eu ter deixado ele assumir a responsabilidade? Mas.. a minha única reação na hora foi ir pra cima dele, e sabe se lá se a justiça realmente iria fazer alguma coisa. Não sei o que pensar, só quero que tudo seja resolvido da melhor forma possível: no sigilo. A minha vó é extremamente religiosa e insuportável. Insuportável porquê não respeita as crenças das outras pessoas e acha que todo mundo tem que seguir a dela, se não seguir, não presta ou então "serve ao d***o". Patética. Não quero nem pensar no que ela iria dizer se descobrisse que matei alguém, provavelmente iria querer me exorcizar. E... Infelizmente eu dependo dela, não quero morar com meus pais e ainda sou menor de idade. Decido mandar uma mensagem pra Sophia, pra ver se minha amiguinha tá bem. "amiga, como você tá?? espero que bem, não se preocupe comigo, bjs" Mensagem enviada. Deixo o celular de lado e vou até o banheiro e pego uma gilete. Faço pequenos cortes no meu braço. Alivia muito... Sei que tem gente que julga, que diz que é pra chamar atenção. Mas só quem começa a se auto-m*****r sabe. Depois do primeiro corte, é "impossível" parar. Vejo os cortes no meu braço e o sangue escorrendo, e vou logo procurar uma blusa com mangas longas pra esconder. Depois do corte, sempre vem esse sentimento de vergonha, esse sentimento de querer se esconder de todos.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD