LAURA, 15 ANOS - MOSCOU
Estou ajoelhada em frente aos corpos da minha família, meus pais e meu irmãozinho mais novo que, se jogou na frente de nossa mãe na tentativa de protegê-la, enquanto eu, apenas olhei. Meu irmão de apenas quatro anos teve mais coragem do que eu.
Toda a cena passou bem diante dos meus olhos e eu sequer me mexi, gritei ou chorei. Fiquei estática durante longos minutos.
Minha família estava morta e eu não fiz nada.
Algum tempo se passa e permaneço exatamente no mesmo lugar, talvez ainda sem acreditar que eles tenham realmente ido.
Sinto uma mão pesar no meu ombro direito, levanto meus olhos e encontro o Sr. Volkov.
Ele e papai eram amigos próximos, olho ao redor e há muitos de seus seguranças a nossa volta.
— Aonde foram parar os homens maus? — pergunto.
— Eu os matei pequena, assim como fizeram com sua família.
Novas lágrimas descem pelo meu rosto. Sr. Volkov me abraça.
— Você tem algum parente que possa cuidar de você pequena?
— Não Sr. Volkov — sussurro.
Nossa família era tudo o que eu tinha na vida. Sem mais parentes, pelo menos não que eu soubesse da existência.
— Bom — ele se afasta e me olha — Agora você tem.
— Tenho? — olho para ele.
— Eu, vou cuidar de você, pequena — diz segurando meu rosto com suas mãos enormes — Me chame de Ivan, não precisamos dessas formalidades, tudo bem?
Apenas balanço minha cabeça, confusa demais para falar qualquer coisa.
KALEO, 18 ANOS - BOSTON
Belinda e Alan estão encolhidos ao lado da minha cama, os trouxe para cá por conta dos gritos da nossa mãe, ecoando por toda a mansão. Odeio isso com todas as minhas forças. Todos nós odiamos como ele trata a nossa madre.
— Ele vai matá-la. — Alan sussurra para si mesmo de olhos fechados, enquanto tenta abafar o barulho com suas mãos nas orelhas.
Minha caçula treme balançando a cabeça, lágrimas rolam pelo seu rosto a medida que a compreensão a domina. Ela devia estar tendo noção de nada disso, Belinda só tem quatro anos, p***a!
— Fratello, faça algo! — Alan pede me olhando apavorado.
— Fiquem aqui. — peço quando os gritos de nossa mãe param.
Saio do meu quarto trancando a porta, pensando que assim, os deixarei seguros da fúria daquele homem.
Ando em direção ao escritório dele que era de onde os gritos estavam vindo, minhas mãos estão suando e meu coração está acelerado no peito.
O que vou fazer ou falar?
A porta está entreaberta e isso facilita para que eu entre, temia que estivesse fechada. Respiro fundo cinco vezes antes de adentrar o local. Quando entro, não demora muito para que eu me arrependa, de não ter vindo antes...
Vejo a pior cena que alguém que tem uma mãe como eu tinha poderia presenciar.
Minha madre completamente machucada estirada no chão, os olhos abertos, mas, sem foco algum, seu corpo inerte. Mesmo com todos os sinais claros ainda demoro um tempo considerável observando seu peito, em busca de algum sinal de respiração, algum sinal de vida, alguma esperança.
Mas não há nada...
Enquanto isso o homem que um dia jurou amá-la e protegê-la, está de pé ao lado do corpo, não aparentando ter qualquer arrependimento em seu rosto.
Ele leva sua bebida marrom a sua boca, bebendo o líquido com uma satisfação perturbadora. Seu rosto se levanta e seus olhos encontram os meus.
— Isso é o que acontece com mulheres como ela. — ele diz simples assim sorrindo — Uma v***a que, não respeita seu marido. Merece morrer.
Franzo a testa sentindo todo o ódio que nunca pude colocar para fora prestes a explodir. Abro e fecho meus punhos diversas vezes, mas, isso é incapaz de me ajudar a ter controle.
— Ela nunca te desrespeitou seu, desgraçado. — digo entrando mais em seu escritório — Você a agredia por pura vontade! Para se sentir um "homem"!
— Quem você pensa que é para falar comigo assim seu, merdinha? — ele se aproxima.
— Eu sou a p***a do filho da mulher que você acabou de matar, c*****o!
— Vai se arrepender de me desrespeitar moleque...
Deixo que ele venha até mim, o velho bebeu e mesmo que estivesse sóbrio não teria chance alguma contra mim. Meu pai criou um monstro e agora esse monstro, não teria dificuldade em acabar com ele.
Sua mão se fecha vindo com tudo para me dar um soco. Me esquivo facilmente acertando um chute nas suas costas. Ele cambaleia e cai no chão de joelhos, acerto outro chute e vários outros seguidos até que, o desgraçado esteja implorando para que eu pare.
Mas agora eu não me importo. Quero mais que ele pague por todo m*l que nos fez!
Não sinto nada além da vontade de acabar com ele por matar minha mãe, a única mulher que o amou, a mulher que esteve ao lado dele mesmo com todas as agressões e traições, que cuidou, que o costurou quando seus inimigos o feriram.
Ela era quem tornava essa família real para mim e meus irmãos.
Mesmo após eu ter completado meus dezoito anos, ela nunca deixou de ir até o meu quarto para me desejar boa noite. Minha mãe, me tornava mais humano enquanto ele me tornava em uma máquina.
— Obrigado por me ensinar tanto papà. — agradeço indo em direção a mesa, sei exatamente aonde fica sua arma reserva.
— Mio figlio, mi ucciderà?
"Meu filho vai me matar?"
— Sinta-se honrado. — destravo a arma — Você não merece uma morte, tão digna e rápida.
Ele abre sua boca para falar, contudo, não permito, atiro em sua cabeça apenas uma vez e mais três vezes depois. Me aproximo do corpo da minha mãe me ajoelhando ao seu lado.
— Perdonami mamma.
"Me perdoe mamãe"
Sussurro segurando seu corpo nos meus braços. Fecho meus olhos a apertando, minhas lágrimas descem sem descanso.
— Ti amo moltissimo.
"Te amo muito"
É a primeira vez que choro desde os meus seis anos, dói tanto perdê-la. Dói tanto!
— Ti prometto che mi prenderò cura dei miei fratelli.
"Te prometo que vou cuidar dos meus irmãos"
Beijo sua testa enquanto lhe faço essa promessa, como se, minha vida dependesse disso. Nunca deixarei de cumpri-la, eu cuidarei dos meus irmãos e darei a minha vida por eles se for preciso!
Levanto meu rosto ao escutar passos rápidos pelo corredor, cinco dos seguranças do meu pai entram no seu escritório, parando no momento em que veem toda a cena a frente deles.
Um jovem que, matou seu próprio pai, chefe da máfia italiana.
Meu pai sempre me treinou para assumir o seu lugar, mesmo que, isso só fosse acontecer daqui há dez anos, nada impediu que, seus homens me dessem o devido respeito e aqueles que, não o fizeram imediatamente, viram que a minha pouca idade não interferiu em meus atos. Eu poderia ser muito mais c***l do que o homem que me criou...